Como respirar

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Com você ainda na cama, observo teu sono tranquilo, acendo um cigarro e penso em todas as voltas que dei até chegar aqui. Foram tempestades internas, chuvas que quase me afogaram, mas no final lavaram a alma. Meu porto de paz. Atraquei meu barquinho furado e deixei esse teu mar calmo me puxar para si. Calmo. Certo. É engraçado pensar como sempre foi assim com você.Tem tanto afeto que não me cabe mais medo, aquela insegurança que eu tanto cultivei nem sei por qual caminho se perdeu. Vejo teu peito subindo e descendo, te vejo respirando, vivendo, existindo, transbordo gratidão. Acho mesmo que você me tirou daquela novela mexicana e me trouxe para essa história novinha, com cara de só nossa, sem nenhum cavalo branco, mas bem que você merece a capa. Me salvou de mim mesma, da solidão, do gelo de um coração fechado, blindado, tumultuado e ferido. Você abre o olho para a luz e sorri. Meu coração dá um salto, você é o abismo, mergulho no teu ser.

“—Vem, a cama é uma cama melhor com você” eu sorrio e vou.

E aconchegada no teu abraço me sinto respirar como se a vida tivesse começado agora. Como se eu tivesse reconhecido em você aquilo tudo que tanto procurei. Toda a calma que ninguém me deu. Toda a coragem que me faltou. A força. A vida. É como respirar depois de muito tempo. Inspira. Expira. Vive. Ama.

Karoline Amorim, publicado em: https://catarsese.wordpress.com/

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De repente

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E de repente deu tanta saudade. De repente me faltou o ar, mas eu percebi que aquilo que me faltava mesmo era você. Toda a cena foi uma saudade sufocada que o coração guardou no fundo da gaveta mais alta. Uma falta enorme do bem querer. Do abraço apertado. Do sorriso leve, solto, meu. Aquele sorriso que você me dava e que era só meu, só nosso. Só era como se eu te enxergasse além daquela aparência impenetrável de menino mal. Eu quebrei tuas barreiras e me abriguei na tua cama. Saudade do abraço que ficou conhecido como lar. Era isso, você era o meu lar, e eu o seu lugar para voltar. Saudade de um tempo distante. Saudade de todos os momentos bons que nos fizeram repensar tantas vezes. A vida anda boa sabe. Os sorrisos estão fáceis. A paz abrigada no peito. Mas é que falta alguma coisa. Mas é que no meio de toda a bagunça que fomos, tem essa caixa enorme com o nosso nome no coração, e que ocupa muito espaço, e que ninguém consegue tira-la. Nosso mesmo ritmo, nossa dança meio torta. A mesma batida de dois corações. De repente deu tanta saudade. De um abraço de cuidado. De uma mesma fé. De uma paixão, de me apaixonar pelo teu ser singular todos os dias, com todos os teus nuances. De repente eu quis tanto voltar para um tempo distante, onde era apenas eu você, e mais nada.

Karoline Amorim, publicado em: https://catarsese.wordpress.com

Você me dói

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Não tente entender porque eu não ligo. Nem fique chateado quando eu não respondo. É que você ainda me dói. É que você é o veneno e a cura. É que você me dói nas madrugadas frias. Nas tardes ensolaradas. Nos dias chuvosos. Ou quando as nuvens cobrem tudo. Você me dói quando te reconheço em personagens de um livro, em perfumes aleatórios, em gestos decorados. Você me dói como uma ferida em carne viva. Me dói como uma doença sem cura. Me dói como dor nenhuma que jamais vou sentir. Você apenas me dói. Me consome em dor. Me enche de um monte de coisa que eu não quero, que eu não preciso. Você desperta o pior em mim. E como lidar com o fato de que aquilo que você mais quer, é também aquilo que mais te fere? Não sei. Sigo não lidando. Sigo nas sombras da tua vida, querendo entrar e não podendo. Entenda, entrar seria me perder mais uma vez em você, e ainda não parei de doer. Ainda não cicatrizou. A vida me deu uma anestesia, mas ela sempre passa em madrugadas vazias. Nas noites de insônias. Nas tuas repentinas aparições. Mas a dor é minha, você não sabe nada sobre a dor e assim nada sobre a cura. Então que continue assim, uma hora a dor cessa, a ferida sara, uma hora vai parar de doer, de consumir. Uma hora, em uma rua ou outra, entre uma dor ou outra, eu aprendo a ferir como você. Afinal, até aqui, só você se valeu, e sei bem que foi com aquele, “Fere ou serás ferido”.

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Sequência de você

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Primeiro me flagrei sorrindo para uma foto sua, aquela com sorriso de menino, despreocupado, leve, tão contrário a mim, sempre cheia de bagagens. Então vieram as mensagens, o carinho, a segurança, a rotina de você. Me apeguei ao teu afeto, teu sentimento me afetou, e eu que sempre transbordava e me doava demais, não perdi nenhuma gota de amor, você só me roubou sorrisos, nenhuma lágrima, nenhuma mágoa. Você chegou cheio de si, reivindicando seu lugar, me fazendo paz, calmaria, aquela sorte de um amor tranquilo. Você preencheu a minha insegurança com certeza, e meu coração quebrado você colou com amor. Você veio como um vento de paz, e me deixou sorrindo, acreditando em todo o afeto que eu merecia ter. Você veio me amando, me cuidando, me mostrando que esse amor calminho, era tudo que eu precisava para me curar e amar de novo. Você mudou toda aquela sequência de amores errados, de apego exagerado, de bagagens e traumas emocionais. Você veio e transbordou tanto sentimento, que até a minha razão, sempre desconfiada da emoção, deixou que você ficasse. Não houve tempestade, nem chuva, nem raios, tudo que houve foi esse dia de paz, você conquistou meu amor me amando, e eu não poderia fazer nada além de te deixar ficar.

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Seria Você

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Astrólogos diriam que seria você.  Cartas diriam que seria você. Aquela valsa na chuva diria, seria você. Aquele Pôr do Sol diria que seria você. Cantores, mendigos, artistas, crianças, todos diriam: Seria você. Eu poderia ter perguntado, poderia ter lançado minha pouca sorte ao vento, e nadado na mesma direção dessa maré, que também diria que seria você. Mas eu antes aventureira, hoje sou apenas receio meu amor. Sou medo, dúvida e insegurança, e todo esse vai com a fé que a fé não falha, já falhou comigo. Com toda aquela minha carga de amores tão errados, desafetos tão sujos, histórias tão infelizes e como essa boa medrosa que me tornei, ignorei toda essa tua essência impregnada em mim, te fiz lembrança para não te ver dor futura. Me preservei do teu amor, pois aquela intuição bandida me contou que seria você. Mas essa mesma intuição bandida lembrou que eu não aguentaria te perder, não te ter, doer por ti. Eu não aguentaria te ver se tornar amor errado, amor com fim, então te fiz saudade.

Mas escute bem bom rapaz, são tão bonitas essas chegadas da vida, esses começos que ganhamos quando nos jogam nesses fins. É que de todos esses fins, se fazem novos começos, e de todos  esses começos, novos fins. Tem gente que chega de partida.  Tem gente que vêm efêmero, só para mudar tuas certezas e moldar teu futuro, te faz novo e se vai, deixando um rastro de beleza e saudade. Te fiz reticências, te joguei no destino rezando para que ele me devolva você, e leve todos esses sentimentos que não me servem mais, talvez eu perca todo esse medo em alguma dessas esquinas da vida. Talvez, só talvez, a vida te jogue aqui, dizendo com toda a certeza: Seria você meu amor, aquele meu ponto final.

Karoline Amorim, publicado em: http://catarsese.wordpress.com/

Fica

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Não vou cobrar o para sempre, fica comigo agora, permanece enquanto puder. Não vou te denunciar, mas que ladrãozinho barato você, além do meu coração, me roubou esses sorrisos sinceros, e esse arrepio involuntário que me dá. Me trás você, jorra em mim esse amor novinho que você guarda para você, me apaixona, me encanta, eu deixo, sou toda sua. Depois de tudo que passou, nós merecemos meu bem. Sempre foi você, com todas as voltas, e vírgulas, e esquinas, meu lar continuou sendo o teu abraço. Fica, te arrumo um espaço fixo no coração, não precisa pagar aluguel, só permanece, tua presença feliz me contagia, e eu quero ser feliz e contagiar também. No meio de todas essas minhas nuvens você é como o dia mais bonito, você brilha, reluz, encanta. Fica, toma a minha mão, me leve onde quiser, me faz feliz. O amor assim como a vida, tem o dom de se renovar, a cada manhã, a cada surpresa. De repente a desilusão fica na mala, a dor na bagagem, a experiencia na vida, o frio na barriga, o disparar no coração, a felicidade na alma. Mas agora joga essa bagagem ali no canto, permanece esse resto de vida, porque esse final feliz sempre foi nosso meu amor.

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Meu sol

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E quando lembro, tenho uma saudade imensa de tudo que não fomos. Tenho uma vontade enorme de voltar e te fazer brilhar só para mim, de que você seja a luz que falta por esses dias tão nublados do meu inverno. Você nunca vai entender porque eu permaneci naqueles dias em que deveria partir. Eu estava acumulando memórias. É eu estava te fotografando dentro de mim, te tatuando no pensamento, para nunca esquecer o quanto foi bom o teu verão. Naqueles belos dias eu aqueci meu ser com teu amor, antes de precisar ser gelo novamente. Você foi meu sol particular, foi aquele sentimento feliz que a gente tem no verão, você astro rei iluminado, e eu toda a vastidão daquele mar, toda calma antes da tempestade. Tua paz me fez paz, e teu amor me fez amor. Você me encontrou e eu me achei em você. Nesse breve rolar de estações, fomos uma vida todinha dentro de meses, benditos esses, ensolarados e felizes meses. Fomos calor, carinho, luar e canção. Fomos aquele sorriso roubado no meio de uma lembrança do acaso. Aquela calmaria passageira, afeto guardado, a lembrança de paz. Fomos verão, e todo verão se vai, e  se volta, e  se aquece, e se esfria. E se guarda, e se lembra com carinho, e nunca se esquece.

Karoline Amorim, publicado em: http://catarsese.wordpress.com/

Foi amor

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Então foi amor. Assim sem pressa, sem pedir licença, invadiu, consumiu. Foi amor no abraço apertado que não deixou ir. Foi amor os detalhes da tua pele, tua boca, teus olhos, decorados inconscientemente. Foi amor naqueles sorrisos, leves, soltos, completos, apaixonados. Foi amor tuas mãos me trazendo para perto durante a noite. Foi amor cada beijo de afeto, aqueles castos, na nuca, na testa, no cabelo. Foi amor  cada preocupação tua, com o meu sono, com o meu frio, com o meu gosto. Foi amor aquele domingo de manhã com a tua camisa. Foi amor te ver dormir, e achar tão lindo, tão terno, tão sem barreiras, e te guardar em mim, feito fotografia decorada. Foi amor aquela sensação de te conhecer a vida inteira, se não de vidas passadas. Foi mais amor ainda a tua presença, tão grande, tão homem, tão meu, somado com a minha presença, tão pequena, tão carente, tão tua. Foi amor quando dançamos sem música. Foi amor quando entoamos a mesma melodia. Foi amor cada olhar teu me acompanhando, desvendando, fascinando. Foi amor quando me tornei inquilina do teu abraço. Foi amor cada arrepio da nossa pele. Foi amor cada preocupação com os olhos. Foi amor quando eu decorei cada detalhe seu. Foi amor quando viramos saudade. Foi amor durante aquele filme inacabado. Foi amor aquele o nosso silêncio de paz. Foi amor quando eu quis permanecer. Foi amor quando neguei o meu ciúme. Foi amor em cada eu te amo dito com os olhos, e depois com a boca, e depois com beijos. Foi amor meu bem. Virou amor. Não a primeira vista, não ao primeiro beijo, não ao primeiro encontro. Foi amor aos poucos.  Foi amor quietinho, foi alegria não gritada, foi tudo até não restar mais nada além de virar amor.  Amor maior, amor que acalma, amor que continua, amor sem fim. Amor que  continuara amor,  amor que continuara.

Karoline Amorim, publicado em http://catarsese.wordpress.com/

Prece

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Peço calma. Calma para viver, absorver, aprender, respirar. Peço amor, amor da alma, amor da vida, amor de mãe, amor de paz. Peço tranquilidade, para esquecer os julgamentos, para acreditar no meu caminho, na minha força, no meu poder. Peço harmonia, com o cosmos, com os chakras, com o destino, comigo mesma. Peço sabedoria, para não julgar, para apreciar, para compreender, para aceitar. Peço equilíbrio, para me doar e para receber. Peço paz, paz para a vida, paz para o mundo, paz para ir além, paz para qualquer alguém. Peço gratidão, para agradecer, para humilde-ser, para me manter. Peço mais vida, mais calor, mais pessoas de bem, mais coragem, mais natureza, mais sinceridade. Que nunca me falte calma, que nunca me falte alma, que eu sempre deixe um pouco de mim e me preencha com um pouco de tudo. Que a calmaria faça morada no meu ser. Que vingança nenhuma me perturbe e mal nenhum abale meu riso. Que eu saiba lidar com o veneno dos infelizes e com as flechas dos julgadores. Que eu nunca esqueça quão abençoada e rara é a vida. Que eu nunca esqueça. Faço uma prece por mais vida, mais arte, mais amor e mais calma. Que nunca me falte, que sempre me transborde.

Karoline Amorim, publicado em http://catarsese.wordpress.com/