O fascínio da mulher livre

Quem já não se sentiu sozinha?

Todas nós vamos ficar sozinhas pelo menos uma vez na vida, e isso não é nenhuma tragédia. Viver sozinha pode ser um momento de grande felicidade. Vamos falar a verdade: poder passar uma tarde inteira na cama, com pijamas largos, com o velho cobertor preferido e completamente gasto, com máscaras e cremes no rosto e com o cabelo – como dizem as brasileiras – “à la vonté“, não é algo que possamos fazer na companhia do parceiro, do chefe, do cliente.

Eu escrevi isto pra mim, mas acabei pensando em nós. Mulheres casadas, solteiras, viúvas, cinderelas, mulheres-maravilha e maravilhosas. Parece tão insuportável a dor da solidão que preenchemos nossos vazios com homens, roupas, acessórios, filhos e profissão.

E nós? Conseguimos ficar conosco ou vamos ficar na eterna ilusão de que seremos salvas e resgatadas por alguém que nos tire da nossa solidão infantil? Sair deste lugar cristalizado é crescer! Isto é virar o que eu chamo de gente grande.

Precisamos ser adultas para poder usufruir as delícias de ser uma mulher livre. Livre para amar e ser amada, conquistar e ser conquistada, se apaixonar e ser apaixonada. Principalmente e, especialmente, por nós mesmas.

Este é um convite para refletirmos o quanto podemos (e devemos) ser livres. Seja na companhia do marido, do amante, dos filhos ou das amigas, livres para que sejamos aquilo que sempre quisemos ser – respeitadas, ouvidas, consideradas e admiradas – sendo exatamente aquilo que a gente é: mulher.

Todas estivemos ou estaremos sozinhas pelo menos uma vez na vida. Ainda bem! Se formos mulheres adultas e livres saberemos saborear o fascínio de ocupar esse lugar.

Luciane Altenburg – Psicóloga e Terapeuta

Ladrões de alma

Pra quem não sabe, a Lu (Luciane Altenburg – vide cartão na barra ao lado) é parceira do Blog, amiga, psicóloga e principal incentivadora na escrita e criação do blog. E como não podia deixar de lado, fiz o convite a ela para escrever um(s) texto(s) para o Blog, pela sua importância e apoio que sempre estiveram presentes. E fiquei muito contente quando ela prontamente aceitou o convite! Lu, desde já meu muitíssimo obrigada. Pelo texto, pela força, por tudo.

LADRÕES DE ALMA

É de extrema importância acreditar que em todo relacionamento exista desejo, amizade, cumplicidade, sexo, autorizações e escolhas. Que coisa boa! Estes sentimentos são imprescindíveis para que uma relação seja sustentada.

Mas, já vi muitas relações aonde além de todos estes sentimentos que chamarei de “saudáveis” há os sentimentos de um possuir o outro por inteiro, literalmente corpo e alma. E não há poucas pessoas assim. São verdadeiros “ladrões”.

 Eles aparecem sorrateiramente e quando percebemos a existência deles, já estamos completamente roubados. Já não temos mais nosso espaço físico e emocional, já não possuímos a liberdade de escolha e de expressão. Já estamos esgotados e não temos muitas vezes condições de lutar. Somos assaltados!

E o pior de tudo é que são ladrões sim! Mas há uma grande diferença entre estes ladrões e aqueles que vemos nos noticiários diariamente. Aliás, uma grande diferença. Estes ladrões só estão em nossas vidas porque abrimos a porta de nossas casas e muitas vezes os convidamos para entrar. Isto quando não os convidamos a ficar e tomar um chá ou cafezinho da tarde.

É, infelizmente somos cúmplices deste assalto.

Tom Andersen, um grande psiquiatra e terapeuta de família nos conta que não existe a possibilidade de estar com o outro sem estar antes conosco.

E o que fazemos? Perdemos-nos de nós nas relações. Esquecemos que somos únicos e que em nossa casa emocional e física quem comanda é o grande EU.

E depois ficamos lamentando o grande assalto! Ficar à mercê é uma escolha. Sugiro que escolhamos primeiramente nós.

Armem-se! Aí vão algumas sugestões de armas: autoconhecimento, auto-estima, tempo para cuidar de si, espaço emocional e geográfico, paciência, compreensão amor consigo.

Com todas estas armas, impossível alguém assaltar sua casa. Boa sorte!

Luciane Altenburg