Amor pra recomeçar

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Eu tenho fiéis esperanças de nunca permitir que as dores e angústias tirem de mim a felicidade de viver. De acordar, mesmo em uma manhã cinza de terça-feira onde as probabilidades de tudo dar errado ou começar mal são quase totais. Quando eu acordo nesses dias me apego nas chances de ser surpreendida por outras pessoas, sabendo que dificilmente me surpreenderei comigo, eu aposto uma parcela das minhas fichas especiais nas pessoas, talvez isso possa definir-se em esperança.

Eu aposto que vou ganhar um sorriso seguido de um bom dia, aposto que alguém vai comprar um chocolate só porque lembrou de mim ou que minhas amigas vão estar especialmente animadas conseguindo que as lágrimas saiam graças as risadas arrancadas por uma piada aleatória. Nesses dias eu aposto que você vai me chamar, dizer que sente minha falta quando eu fico emburrada, que precisa do calor de um sorriso e que meu humor faz sim total diferença.

Que as dores das antigas faltas de amor não prevaleçam nunca, nem em dias bons ou ruins. Que todos os medos que rondam a minha mente fiquem cada vez menores, a ponto de sumir. Que as incertezas não se aproximem nem um milímetro do meu coração, já que elas são extremamente contagiosas e não podem afetar o que eu tenho de melhor. Que eu continue acreditando e espalhando por ai que o amor cura. Que todas as porradas que eu tomei deixem a minha armadura mais forte e que eu saiba sempre a hora certa de baixar a guarda. Que todas as más lembranças se transformem em coragem para viver uma grande aventura outra vez, sem me privar de dar sorrisos largos e suspiros longos.

Que os teus olhos continuem me causando um choque elétrico quando encontram os meus. Que o seu abraço continue sendo o lugar mais confortável, principalmente quando ele se prolonga por você não querer se distanciar. Que eu saiba que os sorrisos são a fonte inesgotável da vida e que alguém, em algum lugar no planeta, precisa deles para sorrir também. Nós somos feitos de esperança sobre dias melhores, sobre alguém que não seja suficientemente tolo a ponto de nos largar, sobre amizades que apenas nos tire sorrisos e esperamos também pelo conforto. O conforto do sorriso, do abraço, da segurança que algo nos traz.

Vivemos esperando que as coisas melhorem. Mas, lhe afirmo sem dúvidas e provavelmente a ponto de lhe deixar sem argumentos que: O mundo é daqueles que fazem as coisas melhorarem. O mundo é daqueles que acordam nas terças nubladas e chatas e decidem fazer a melhor terça nublada da vida deles. O mundo é, definitivamente, daqueles que metem a cara com toda a coragem, que é o combustível da esperança, para bater no peito e ter a certeza de que as coisas vão melhorar, precisam melhorar.

Que além de amor, paz e paciência tenhamos o tipo de esperança que alimenta a coragem. Que tenhamos a coragem de levantar nas segundas/terças/qualquer-dia-chato da semana e dizer a nós e ao mundo que existe uma chance de recomeçar. Porque há.

Aline Madera, publicado em: http://www.verdadefeminina.com.br

A cura

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Acostume-se com o fato do amor estar em tudo. Na fila de um banco, na padaria ou dentro das escolas. Você vai encontrar o amor quando ver um jovem casal sorrindo ao caminhar de mãos dadas ainda com o uniforme do colégio, vai percebê-lo quando um neto der o lugar a sua avó no ônibus ou quando um pai abraçar ternamente a filha que sentou-se em sua coxa e fielmente acreditou que aquele era o lugar mais confortável do mundo. Não adianta você negar e dizer que não confia ou não acredita no amor. Porque aquele bolo de chocolate que sua mãe fez para arrancar-lhe um sorriso é puro amor. Porque aquela vez em que seu melhor amigo bateu a porta do seu quarto chateado por algo que você disse sem pensar, aquilo também era amor. A lágrimas que você derramou e só o seu travesseiro conseguiu absorvê-las também era amor. A questão não é o que machuca e sim o que cura. Se tem uma frase que faz sentido na minha cabeça, sem dúvidas, é que o amor cura. Porque é o que ele faz. Não digo homem e mulher, cama e edredom. Esse ai também cura, mas é outra história. Eu falo sobre aquele beijo no joelho que sua mãe dava e prometia sarar. Eu digo sobre o abraço terno de uma tia que se preocupa de verdade com você ou por amigos que são capazes de ficar na sua casa em um sábado de verão pelo simples fato de você não poder sair porque aquela sinusite atacou e você não consegue andar de dor de cabeça. Esse é o amor que cura. Cura feridas, sinusite, sábados tediosos e domingos duas vezes mais. É o amor que cura os outros amores que vacilaram e se perderam. É o acreditar outra vez que te faz amar. Não me entenda mal, isso não é mais um discurso de positivismo para você levantar da cama e recomeçar sua vida. Isso é mais um discurso para te acostumar com a verdade. Não dá pra fugir do amor que sua mãe coloca na comida que ela faz, logo não é possível fugir de algo que você tem tentado fugir. Você tem gastado suas forças de forma errada, desculpa pela sinceridade, mas não vai rolar. Bate de frente e aceita que as doses diárias que você recebe estão por toda parte e é mais fácil baixar a guarda do que levantar muralhas que depois vão te dar um trabalhão para serem derrubadas. Todas as vezes que eu resolvi negar, me arrependi. Todas as vezes que tentei lutar contra algo que chega e bate o pé dizendo que vai ficar e não tem quem tire, eu perdi. Não dá pra lutar com a verdade e com o instinto: você nasceu sim para viver um grande amor. Por mais errado que tudo tenha dado, por mais errada que sua história possa parecer, ainda assim, existe amor nela. E sempre vai existir. Abre os olhos, veja quantos atos de amor você recebe durante as 24 horas do seu dia. Digo e repito que o amor cura porque me curou. Porque me cura todos os dias e eu faço questão de deixar com que ele seja o melhor remédio de todos e sem contraindicações.

Aline Madera, publicado em http://www.verdadefeminina.com.br