“Dom&Nique”

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Eu acredito muito em nós dois. Ontem mesmo quando ouvi Ben Howard fiquei pensando no porquê da gente não se vestir de frio e ir para Londres no próximo final de semana só para fazer “Only Love” a nossa música. E quando eu vi um filme bestinha na TV, pensei em você por dois motivos: quando o filme é bom, você tá do meu lado e faz tudo ficar ainda melhor; quando o filme é ruim, você desliga a TV, desliza tua mão entre o meu short e a minha pele e me prova que sempre há um bom programa para fazer ao teu lado.

Até minhas gargalhadas por aí tem um pouco de ele-vai-morrer-de-rir-ao-saber-disso.”

Hugo Rodrigues , publicado em: https://www.facebook.com/fanpagehr?fref=nf

Ela é sempre primavera

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Quando começa um dia? No primeiro minuto após as doze badaladas? Quando o sol nasce? Quando você acorda? Bem, o meu dia começa quando ela aparece. Pode ser às quatro da tarde ou às dez da noite, não importa. Um dia sem notícias dela é um dia em vão, nulo, esquecido e apagado. Demora como uma eternidade.

Nos dias de sol ela parece ter oito anos.

Pula, brinca e sorri como uma menininha do maternal, longe de toda maldade e preocupação do mundo. Nos dias de TPM parece ser uma senhora de oitenta e três anos com tendências vampirísticas – foge de qualquer claridade e se emputece com qualquer ruído mínimo que possa entrar em sua cabeça como uma bomba relógio.

Ela é morena, tinha cabelos negros curtos que eu adorava. Ama os felinos e tem a pele branca como uma folha de papel virgem. Queria escrever poesias nela – daquelas com rimas bonitas e frases bem encaixadas. Poetas passariam anos tentando encontrar a melhor maneira de descrevê-la. Ela me lembra a Winona Ryder, naquele filme Garota Interrompida. Espero que ela não tente se matar. Nem me matar, também. Mas talento para a loucura ela tem.

Canta suas frases felizes quando tem vontade. E se cala como uma pedra muda quando tem vontade, também.

Ela veste tênis geralmente. Mas mesmo assim consegue ser meiga e doce. Cerveja é seu suco predileto e sente fome quando está alcoolizada. Dança num ritmo que ela mesma inventou. Errado são outros. O Carlinhos de Jesus, a Ana Botafogo e os bailarinos russos. Vai ver, ela inaugurou a dança e ninguém soube disso.

Escolhe a cor da caneca do chá de acordo com o clima. Cada caneca tem sua função específica neste mundo. E se o ano tem quatro estações, ela é sempre primavera. Ama as flores como se fossem suas filhas e faz da natureza sua mãe mais sagrada.

Em um único parágrafo – ou em cinco minutos de conversa – diz quatrocentos assuntos diferentes. Sem pontos, vírgulas ou pausas. Às vezes, eu me sinto burro, com dezesseis anos de idade assistindo à uma aula de revisão de química – aquelas na qual a gente pisca o olho e o quadro negro já está lotado de fórmulas esquisitas. Queria ser químico para entender algumas coisas sobre ela. Ou psicólogo, não sei.

Mesmo assim, ela é divertida como nenhuma outra. Me faz sorrir sem esforço algum – apenas sendo como ela é, sem maquiagens, encenações ou algo assim. Ela encanta sem saber e sem querer. Anda de skate como quem esta aprendendo a passear sobre as nuvens e me conta animada sobre cada nova experiência aprendida. Até assiste futebol e lutas. Mas prefere How I Met Your Mother, Mallu Magalhães, cerveja, decoração, primeiros capítulos das novelas e café.

Ela é leonina, daquelas que têm orgulho dos seu signo. Mas não segue à risca das dicas do horóscopo. Tem uma queda por um meditações e ensinamentos indianos. Queria saber o que ela enxerga toda vez que fecha os olhos e viaja pelo mundo. Vez em quando, quero ser telepata, também.

É difícil e odeia falar ao telefone – pode soar grosseira nessas ocasiões. Costuma ter insônias quando está ansiosa, mas diz que não pensa em mim nesses momentos.

Ela não irá aceitar casar com você de primeira. Nem na segunda tentativa. Talvez, nem no quinquagésimo oitavo pedido. Mas se eu fosse você, insistia. Ela desconversará com risos em caixa alta e embora não diga “sim”, percebo que o sorriso dela vale mais do que essas três letrinhas quaisquer.

Meus dias terminam quando ela se despede.

Hugo Rodrigues, publicado em http://www.casalsemvergonha.com.br/

Você acha que sinto falta dos teus olhos castanhos redondos?

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Mais um café. Eu parei de fumar em janeiro. Mas voltei hoje. Eu parei de chorar em dezembro, quando meu cachorro morreu. Mas voltei hoje. Peguei aqueles meus CDs velhos de músicas melosas. Eu parei de ouvir Radiohead em março. “Fake Plastic Trees” me faz chorar com uma menininha que perdeu seu urso de pelúcia. Mas voltei hoje. Até meus vícios que me deixam tristes ou drogados voltaram, e nada da tua cara rosada e de teus dentes tortos.

Você acha que sinto falta dos teus olhos castanhos redondos? Lógico que não. Você pensa que eu sinto saudades dos teus peitos grandes que mal cabiam em minha mão? Não. Você nem imagina, mas eu não sinto nenhuma falta da tua gargalhada e dos teus espirros matinais. Muito menos dos teus beijos que invadiam até o âmago da minha alma. Eu não sinto tua falta. Não. Óbvio que não. Mil vezes não. Jurei a mim mesmo não sentir mais falta de ninguém além de mim. E continuo com esta promessa de pé.

Eu sinto falta é de mim quando eu estava com você. Eu sinto falta da minha cara de bobo quando eu te via concentrada lendo Jung ou Reich. Eu sinto falta dos meu sorriso dormentes após uma transa maravilhosa. Eu sinto falta das borboletas, águias e até dinossauros no meu estômago quando você dizia me amar para vida inteira. Eu sinto falta do brilho dos meus olhos ao entrelaçar meus dedos aos teus e caminhar pela noite.

Eu parei de ler Gabito Nunes em setembro. Aquele maldito porto-alegrense, que ao invés de se encher de chimarrão e de meninas loiras bonitas, insiste em escrever as nossas histórias e confusões em teus contos. Mas voltei a ler hoje. Até o bat-bag voltou, me irritando com teu barulho ensurdecedor pelas ruas da cidade. Mas nada do teu cabelo dourado de sol e de teus pés 35. Eu parei de viver em abril.

Estamos em julho e, assim como você, ainda não voltei também

Hugo Rodrigues, publicado em: http://www.entendaoshomens.com.br/

Ela é perfeita, mas não sabe

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Geralmente, eu chego em casa cansado. Jogo minhas roupas pelo chão do quarto e sento no sofá com aquela cara de acabado. Ela chega, me grita atenção e fala como uma doida de como foi seu dia. Eu fico entre um “uhum” e outro. Entre uma risada e outra. Mas fico com olhos e ouvidos bem atentos, como um menininho ouvindo uma história de uma heroína que salvou a cidade e ainda lembrou de passar no mercado para comprar meu iogurte predileto.

Ela me faz massagens quando eu peço. Mas só aceita fazer caso eu prometa fazer nela também. Ela trabalha, estuda, inova em seu visual, malha, prepara a comida e ainda arruma tempo para me amar e me pedir para levá-la ao cinema. Às vezes, eu penso como é louco o amor. No começo, eu passava noites em claro só para descobrir a melhor forma de conseguir ter um encontro com ela. E, hoje, ela é quem me convida. No primeiro encontro, eu passei quase duas horas inteiras me arrumando. Coloquei minha melhor roupa e me encharquei com meu melhor perfume só para agradá-la. Hoje, ela me acha lindo de moletom ou suado após o futebol.

Ela me espera. Ela fica ansiosa para me ver e me liga só para dizer que está com saudades. Ela diz que ama e que morre de tesão por mim. Ela me faz carinhos e arranhões que nunca tive e me beija o corpo inteiro. Quando briga comigo por ciúmes é por medo de me perder.

Ela é perfeita, mas não sabe.

O meu lado possessivo até acha isso bom porque no dia que ela perceber que ela é dez mil vezes melhor do que qualquer mulher nesse mundo, vai querer outro cara dez mil vezes melhor do que eu.

E há vários caras perfeitos por aí.

Mas não sei como, ela se encantou por minha barba mal feita, por minhas piadas sem graça e por meus olhos cansados.

Bendita a sorte a minha.

Até hoje, não sei o que falei para ter roubado a atenção dela. E, se um dia descobrir, falarei o dia inteiro. Trato-a como uma rainha tendo a certeza de que não sou merecedor de um lugar em teu altar. Mas me esforço tanto que ela acha graça até das minhas imperfeições.

Você já parou para pensar na sorte que tem em ser o sonho da mulher dos seus sonhos?

 

Hugo Rodrigues

Procuro um amor que…

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Procuro um amor que saiba cozinhar. Mas que não precisa ser nada muito chique, gourmet. Uma batata frita com casca, uma pizza de mentirinha e um raviole qualquer já me ganham. Pode saber pedir de um restaurante bacana, também, é claro. Mas que faça com carinho.

Se souber fazer jujubas ou me presentear com elas, ganha vantagem.

Meu amor tem que ter paladar. E boas palavras também. Tem que saber me lamber e me morder. E tem que gostar de beijo – em qualquer lugar, em qualquer hora. Nunca é demais para um beijo, beijinho ou tudo mais. Mas tem que gostar de beijar.

Afinal, beijo continua sendo a segunda melhor coisa que a gente faz com a boca. A primeira melhor, bem, deixa pra lá.

Procuro um amor que leia. Não todos os livros. Ou livro nenhum. Mas que saiba me ler. Saiba entender o grito silencioso das minhas pernas e as páginas da minha testa franzida. Amor tem que conhecer e reconhecer o outro. Nada mais chato do que ter que ficar contando as suas histórias e segredos pra alguém.

Procuro um amor que não minta. Mas que também não me conte todas as verdades. Principalmente as que eu perguntar. Desconverse. Me faça cócegas. Sei lá. Mas não minta.

Palavras têm peso dois nas minhas histórias. Promessas, também – das mais simples às mais complicadas.

Procuro um amor que me encontre a hora que for. E que pode se atrasar também. Que saiba se arrumar, mas que também dispense essas coisas de vaidagem. Que roube minhas blusas, meus chinelos e shorts antigos.

Procuro um amor que eu tenha orgulho de estar ao lado – e que saiba a importância de dar às mãos. Não precisa ter muito dinheiro. Mas que tenha bons planos de carreira. Amor vabagundo demais, cansa. Amor trabalhoso demais, some.

Procuro um amor meio-termo. Que xingue coisas engraçadas, que me mande tomar-no-cu sorrindo, mas que me faça declarações, também. Que tenha pudor para saber bem a hora de não tê-lo. Procuro um amor que saiba que flores e tapas têm suas horas.

Procuro um amor multifacetado. Desses que me lembram alguém, mas não sei quem é, nem sei de onde. Mas que me dê a velha sensação de que tudo será eterno desta vez.

Hugo Rodrigues, publicado em http://hrodrigues.com

Bateu saudade

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Mesmo assim, com todas as antigas juras de te-esqueci, hoje bateu uma saudade daquela sensação gostosa que eu tinha ao teu lado e achava que o mundo inteiro acabava em teu colo-universo. Sorri, meio boba e amarelada, quando uma amiga tua me contou do teu emprego novo e do nome que deu ao labrador. Zé. Onde já se viu chamar um cachorro de Zé?

Mas tudo bem, você nunca foi bom em nomear as coisas….

Nunca me esqueço quando me nomeou amor-eterno e depois mudou de mundo.

Hugo Rodrigues

Amor é companhia

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Tem um quê de infantilidade, eu sei. Mas quem é feliz sem um toque de imaturidade? Amor é dançar juntos sem saber dançar. É esperar o outro acabar de comer. É tomar banho juntos para não se atrasar – ou pelo prazer de lavar as costas um do outro. É se irritar com a barba arranhando o queixo e com os brincos gigantes que nos machucam quando vamos abraçar a pequena e tudo se embola: brincos, cabelos e nossas mãos ali perdidas.

Amor é se reinventar, eu sei. É querer, de boa fé, que o outro faça mais por ele. Estude mais. Trabalhe mais. Leia mais os contos do Coiro. Ouça só essa banda. Já viu a academia nova? Por que você nunca chega no horário? Por que você nunca está pronta no horário? Como você não gosta de comida japonesa? Como você nunca foi a um estádio de futebol? Como? Por quê?

Amor é um misto de perguntas sem respostas e respostas sem perguntas.

Amar é dividir: a cama (mesmo sabendo que essa divisão é injusta aos homens), as casquinhas de sorvete, os milkshakes de ovomaltine, o sofá e a vida. Amar é ter ciúmes de um cara que deu um beijo qualquer na pequena em novembro de 2001. Tão ridículo, mas incomoda. Como naquele ciuminho idiota que causa ao falar o nome da primeira namorada que o teu rapaz teve no verão de 2002 e durou apenas três meses.

Amar é idiota. É besta. É estúpido. É desnecessário – como todas as coisas inesquecíveis da vida.

Hugo Rodrigues

Mulheres, malditas maravilhas

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Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que teu celular estava sem bateria, de que teus amigos gostam dela ou de que tua ex-namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam de maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos.

Ambos funcionarão com você.

Ambos te levarão ao céu ou ao inferno.

Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.

Mulheres que não bebem são boas. Já as que bebem são ótimas. Mulher anda como quem desfila. Como quem grita por aí tua tendência a ser miss quarteirão de todos os anos.

Melhor do que perfume caro é cheiro de banho tomado. E, também, o cheiro da pele suada que empresta sua essência às camisolas mais leves. Melhor do que vestidos da moda são as nossas blusas sociais sortudas. Aquelas que por algum motivo foram esquecidas na segunda gaveta e agora faz parte do cabide principal feminino.

Melhor do que cabelos alisados é rabo de cavalo ou fios inteiramente despenteados. Mulher deve dormir encolhida e acordar quase te expulsando da cama. Mulheres que xingam são mais atraentes. Mas não xingue como um ser depravado. Mulher tem que ter pudor para saber como não tê-lo nas horas certas.

Mulher não precisa saber cozinhar. Mas cabem algumas tentativas frustradas.

As bonitas que me desculpem, mas lindas são as mulheres inteligentes. Mulher tem que ser interessante. Mas nunca interesseira. Imperfeições são sempre bem-vindas. Uns centímetros a mais na cintura. Uns dedos dos pés assimétricos. Um nariz fino demais para teu gosto. E uma bunda pequena demais para os padrões brasileiros.

Mulher tem que ter peito.
E seios também.

Mulher tem que se fantasiar de homem turrão, vez em quando. Mas nunca se esquecer de lacrimejar num filme bobo – mesmo que seja assistido pela décima oitava vez.

Mulher tem que saber falar “Eu te amo” e “Eu quero transar”.

Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadas. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha.

Se uma mulher gosta de você, você estará lindo com tua camisa mais cara ou com tua jaqueta mais brega. Mulheres são mães e filhas. Mas nunca a trate como você se fosse seu pai.

Mulheres gostam de igualdade.

Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que – no fundo, no fundo – querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí – nunca se esqueça disso.

Essa é a lição mais importante que você tem que aprender.

Hugo Rodrigues

Tudo agora é você

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Eu te amo, mas não sei como falar, como explicar, como agir, sei lá. Você murmura qualquer coisa e eu já tremo o cu de tão nervosismo que a tua presença me causa. Me leve daqui. Me leve com você. Venha comigo. Mas não tenho para onde ir. Por mim, a gente pode ficar aqui, quietinhos dividindo sorvetes, cervejas, edredons e sonhos. Tanto faz a cama e o colchão. Você se importa tanto assim com isso?

Dia desses, eu tentei te esquecer de vez. Juro. Mas aí percebi que matar você em mim é o mesmo que morrer e continuar vivendo, sabe? Passaria o resto dos meus dias como um zumbi recheado de dor e entalado de lembranças do que nunca viveu. Então, não morra não. Não antes de eu dizer que te amo. Não antes de você dizer isso para mim, também. Ou que vai pensar no meu caso. Ou que vai me levar contigo. Ou que ficará aqui comigo. Sei lá. Não se vá – nem para o céu, nem para a Nova Guiné – sem me dar mais uns minutos de esperança, uns carinhos no queixo e um descanso em teu ombro.

Olha aqui, vai. Eu tô me embolando nas palavras, eu sei. Não porque eu sou confuso. Ok, eu sou confuso. Mas nem sempre. Não agora. Tá, agora eu posso estar um cado confuso. Mas é porque amar é ter um dicionário inteiro a falar e mesmo assim não saber como. É como se meu cérebro desaprendesse qualquer idioma tolo. E eu fico aqui, gesticulando vírgulas que exigem a tua presença um pouco mais.

Fica, vai! Nesta semana, você anda tão triste que me aperta a alma. E eu não sei se você sabe, mas se estivesse comigo, você seria mais feliz. Juro. Deu na TV, nos jornais, no tarô, no horóscopo, nas músicas que ouço e nos livros que ando lendo. Você gosta de ler, eu sei. Comecei a gostar do Salinger porque vi você no ônibus viajando mais rápido naquelas páginas do “Apanhador no Campo de Centeio” do que aquele motorista-ruim-de-roda que fez o veículo parecer uma montanha russa. Sim, eu estava naquele ônibus. Dois bancos atrás de você. Não, não estou te perseguindo. Mas a gente sai a mesma hora da faculdade e minha casa fica a dois quarteirões da tua. Não sei onde você mora. Mas é que você sempre desce no mesmo ponto e vai para a mesma portaria que imaginei que ali fosse a tua casa.

Eu estou falando feito um doido, sem vírgulas ou pausas, inventando assuntos quaisquer porque estou morrendo de medo do silêncio oceânico que pode surgir e você desviar teus olhos dos meus, reparar na vizinhança, naquele moço de gravata cinza ou na senhorinha dando comida aos pombos, e, talvez, você reparando no moço de gravata cinza e na senhorinha dando comida aos pombos possa pensar que já não há mais nada a fazer aqui e decida ir embora porque não gosta de cinza, nem de pombos, nem de mim. Sei lá.

Não vá. Você tá com fome? Eu tenho um par de lábios e um tanto de sonhos que podem te alimentar. Juro. Como faz aquele macarrão que você gosta? Eu posso aprender, também. Mas te amo. E amar, além de ser algo que me deixa mais confuso, nervoso e gago, deve ser aprender a ser o mestre dos desejos do outro. Assim, só para te agradar, sabe? Isso é amor. Você sabe. Ou acho que sabe. Mas, de qualquer forma, gostaria que soubesse que eu te amo. É, amor. Sem aqueles coraçõeszinhos infantis da quarta série ou musiquinha bonitinha por aqui. É amor. Ponto.

Entendeu alguma coisa? Não? Ok, perfeito assim. Se você entendesse, eu ficaria triste por ter conseguido explicar algo sem explicação. E é isso: de onde eu vim, sentimentos são inexplicáveis, mas explicam todo o resto. Amor é um sem sentido sentir e dar sentido a tudo. E este tudo, agora, é você. Juro.

Hugo Rodrigues