Marcas que o amor vai deixando

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O amor que tanto me engrandece, me envelheceu. Mas, inacreditavelmente, me sinto mais pleno do que nunca. O amor acumulou seus percalços em cada pequena fresta que o sentimento deixou aberta ao pedir passagem e o resultado deste preenchimento foi uma alma aprimorada e resiliente, que encontrou nos destroços, os pedaços de si que faltavam para completar o quebra-cabeça deste enigma chamado amadurecer. Porque o que nos torna bonitos, elegantes e desejados é justamente aquela metade avariada que a gente tenta esconder. Eu, me sinto cada dia mais lindo. Espero que vocês também. Aquela ruguinha boba no canto esquerdo da boca se apruma toda num sorriso cada vez que meu coração consegue abrir as portas para amar novamente. A idade tem dessas ternuras que talvez a gente só consiga sentir com total exatidão quando chega lá. E olha que acaso (ou sorte), a minha ruguinha combina perfeitamente com as bolsas insones que carrego debaixo dos olhos. Bagagem boa é aquela que a gente carrega de mãos dadas. Que a gente continue se encontrando nestas marcas que o amor vai deixando pelo caminho, porque se do lado de fora a gente transparece vivência, do lado de dentro fica cada dia mais próximo da eterna juventude.

Danielle Daian

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Eu não sinto o mesmo que você

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Eu não posso retribuir o seu sentimento. Simples, claro, direto e resoluto. A gente passa a vida toda esperando alguém delicadamente tocar nossa essência, despertar aquela vontade de abandonar o lugar comum, as roupas antigas, o velho hábito de sorrir sozinho e quando finalmente uma pessoa bacana cruza nosso caminho, o sininho não toca, a gente apenas não consegue corresponder. A pessoa é sensacional, você também é, o universo inteiro conspira a favor deste relacionamento, sua mãe aprova, seus amigos fazem figa, mas o brilho no olhar, a ansiedade da chegada e a angústia da despedida simplesmente não aconteceu. É difícil encarar a verdade e deixar isso claro sem magoar, ferir ou entristecer a vivência do outro. Mais complicado ainda é resolver o emaranhado de sentimentos dentro da gente que muitas vezes não consegue desapegar desta possibilidade tão esperada de amor. Sofre quem espera, mais ainda quem precisa partir.

O fato é que poucas coisas na vida são tão dolorosas quanto a expectativa de uma reciprocidade. Ser marionete do silêncio ou da omissão do outro com os nossos sentimentos é tão desgastante emocionalmente que transforma na maioria das vezes um amor tenro e bonito em uma lamentável tormenta. A falta de jeito e de coragem de abrir o jogo, colocar as cartas na mesa e dizer no grosso da palavra o que precisa ser dito faz muita gente postergar esse corte de laços antes mesmo que eles virem nós. Afinal de contas é absolutamente lisonjeiro e encantador ter por perto uma pessoa que preenche de delicadezas e permanência nossos dias. Alimenta o ego e faz cafuné quentinho no coração cansado de tanto descaso e desistência deixado pelo caminho, finalmente ser tratado com fineza. Daí a gente adia a bifurcação de travessias. Espera o apego ser solidário e devolver para o mundo um carinho que ele não pode retribuir. Contudo, quanto mais o tempo passa, mais expectativas se criam em cima da pessoa, do sentimento e do futuro daquele romance.

Infelizmente não existe uma fórmula milagrosa capaz de diminuir o vazio do “não”. Ter um sentimento não correspondido dói mesmo, machuca lá no fundinho da alma. Mas passa. Dor mesmo, no ruído ensurdecedor da palavra, é aquela que a gente sente quando descobre que está preso a uma circunstância por pura conveniência do ego do outro. Quando se percebe refém da indecisão e covardia de alguém que mantém um fio de amor enrolado no dedo por mera carência ou medo da solidão. Seja um paquera, um flerte, um relacionamento de dias ou de anos, se você não sente mais a mesma coisa por quem está ao seu lado ou por aquele que está pedindo um espaço na sua vida, o mais justo e delicado a se fazer é ser sincero com ambos os sentimentos. Soltar as amarras de um apego que não cabe na nossa vivência para permitir um encontro recheado de constâncias para as duas partes envolvidas.

Amor não é algo que se possa comprar, conquistar ou barganhar. Ou ele floresce, ou não. Simples assim. Ter respeito pelo sentimento, pela vulnerabilidade e pela fragilidade daquele que está ali oferecendo um afago tão puro ainda é a melhor forma de minimizar o sofrimento e o embaraço de uma exposição emocional tão grande. Estar do lado de lá é um ato de extrema coragem. Essa bravura a gente pode e deve retribuir na mesma moeda. Restituir de forma transparente para o universo um amor que não encontrou morada no coração da gente é abrir portas e janelas para um passarinho novinho em folha tentar construir um ninho. E o mais importante de tudo: é devolver para o outro a chance de cruzar a travessia de um coração realmente passível de reciprocidade.

Você não sente a mesma coisa e um dia, com o tempo, ele (a) também não vai sentir mais. A culpa não é de ninguém ou talvez seja do maldito timing que não sincronizou os ponteiros deste relógio. Que esse carinho hoje não correspondido se transforme em uma doce lembrança de um coração que poderia silenciar e aprisionar, mas, ao invés disso, decidiu incentivar o voo de um sentimento que não nasceu para viver cárcere de uma expectativa e sim livre para pousar em galhos sólidos: o amor.

Danielle Daian

Sobre o peso dos amores que ficam

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A gente nunca sabe como será o grande encontro. Pode ser que chova fininho e os cabelos levemente molhados desencadeiem uma troca de sorrisos embaixo de um mesmo guarda-chuva naquela esquina movimentada da cidade. Pode ser que o sol ardente queime as bochechas bem devagar, que é pra esconder o rubor do olho no olho. Talvez seja carnaval, dia santo ou um fim de semana aparentemente perdido num ano qualquer. Às vezes já se sabe no primeiro sorriso. Outras vezes a empatia demora um pouquinho pra se manifestar e só sai da toca depois dos primeiros indícios de reciprocidade. Pode ser que o metrô atrase, o carro quebre ou simplesmente você esteja 10 minutos adiantado para  tudo que decidiu fazer naquele dia. Quem sabe seja pra sempre, ou talvez, só talvez, dure o infinito de um breve segundo. Era ele. Era ela. Eram ambos. A verdade é que a gente nunca sabe o instante em que vai cruzar o caminho daquele (a) que vai marcar a nossa vida pra sempre. A pessoa que vai prevalecer na alma, mais do que na presença concreta. A referência emocional mais sólida ao longo de toda a nossa travessia. Sim, este é mais um texto sobre o maior clichê da humanidade: o amor. E se você não gosta de estar no lugar-comum, aconselho a deixar esta leitura de lado por aqui.

É que na vida a gente se apaixona milhares de vezes, revira os olhos outras tantas, perde o fôlego, o ar, o par em diversas ocasiões. Mas amor, amor mesmo, aquele de fazer doer o fundo do peito, esse não passa todo dia na janela de casa. Acho até que ele faz uma dança pelo salão, te tira para dançar e, se a melodia acaba junto com o compasso, ele sai pela portinha que entrou, deixando um vazio que só o tempo é capaz de preencher. Não estou falando de paixonites ou pequenos embaraços, mas sim daquela pessoa que vai modificar todo o seu conceito de amor e relacionamentos. O protagonista das lágrimas abafadas no travesseiro durante a noite que fazem a gente esmorecer feito o bicho mais acuado. A peça principal de um quebra-cabeça que muitas vezes perdeu diversos encaixes ao longo do caminho, restando apenas uma moldura abstrata de um quadro que tinha de tudo para ser perfeito. Gente que simplesmente fica. Fica na alma, na calma, na paz e no desassossego. Gente que se faz presente mesmo na mais absoluta ausência.

Ninguém passa pelas nossas vidas à toa. Algum objetivo maior o universo tem com essa bifurcação de caminhos. Não acredito em acaso. Acredito em troca, parceria, cumplicidade, merecimento. Sentimentos que criam vínculos, fundamentam histórias. Muitas vezes a lição é contínua e perdura por anos, em outras, a caminhada a dois chega ao fim muito antes do previsto, e o adeus deixa de ser despedida para se tornar recomeço. Recomeço de um amor que finda seu ciclo conjunto para se tornar morada de uma saudade. Essa pra mim é a real definição de amor dentre tantas que já foram feitas ao longo dos séculos. Amor é o que fica daquilo que não ficou. O que é verdadeiro dificilmente se vai – pelo contrário, vai relembrar sua permanência de forma nada discreta naquela manhã de segunda-feira, após uma visita até a padaria, onde aqueles olhares cheios de cumplicidade se cruzarão novamente. No melhor estilo filme mudo, em que se conhecem as falas independente da cena, tudo aquilo que estava adormecido despertará. O coração aperta, o silêncio ensurdece, mas cedo ou tarde as emoções retornam para suas respectivas “caixinhas”. Acreditem ou não, é a forma que o amor encontra de encerrar ciclos e se acomodar no coração de forma a não ser mais espinho, mas sim uma delicada flor.

A verdade inconveniente é que todo mundo tem um alguém particularmente especial que vai levar para sempre dentro do coração. Seja pela história, parceria, entrega ou até mesmo pela vírgula deixada no final de um parágrafo que merecia um ponto final. Amor mesmo, no grosso do sentimento, permanece enraizado nem que seja escondido debaixo de um monte de sentimento mal resolvido. Felizmente, a maior dádiva da vida é que ela continua. Você se depara com outros grandes encontros, pessoas, novas histórias e com outras facetas do amor que talvez você nunca chegasse a conhecer se não fosse toda a experiência transformadora que viver este sentimento proporciona.

Não existe nada sobre o amor que já não tenha sido dito, escrito, cantado, cifrado ou assinado em lágrimas. Acho até que se existisse um manual sobre isso, sobre tudo que aconteceria no decorrer e após a passagem do furacão, talvez fossem poucos os tripulantes desta embarcação sem rumo. Poucos os que conseguiriam suportar a calmaria após a doce tempestade. O segredo para continuar navegando? Aprender a conviver de forma saudável com esse pedacinho de memória que pulsa no coração da gente. Se permitir vivenciar todas as fases desse sentimento para que a transição “passado-futuro” seja bem confortável. E amar sempre e muito, porque amor correspondido é o laço de fita que enfeita o presente, desata os nós, traz o sonho de um amanhã mais doce e guarda lembranças tão gostosas que terminam sempre na ponta solta de um sorriso sincero.

Danielle Daian

Sobre o medo de amar de novo

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Olhando assim de longe, com olhos mirando o sorriso, a leveza dos passos acompanhando as horas, a delicadeza ao esconder a franja atrás da orelha, mal se sabe da bagagem muitas vezes pesada, que nos acompanha na travessia. O amor costuma deixar rastros, pegadas, marcas duras que sobrecarregam a singela malinha reformada em vivos tons florais que levamos no entrelaçar dos dedos, ao longo da vida. A gente pega tudo aquilo que um dia doeu, machucou, feriu, negligenciou, e coloca ali, naquela mala cheia de flores radiantes, que é pra lembrar que até na dor se consegue algum perfume.

Nos bares, na balada, no cinema, no jantar com as amigas, lá está ela, nossa doce pintura floral recheada de medos, receios, lágrimas, despedidas, resquícios de chegada, beijos que selaram partidas, a nos lembrar aquilo que os grandes poetas já previam, o amor pode vir  bem de mansinho a nos dilacerar de novo.

Penso nos passarinhos que nos cortejam com a sinfonia do amanhecer mesmo ainda de janelas fechadas, pois sabem que o dia chega para todos, mesmo que a noite seja um pouco mais longa para alguns.

E como as melhores coisas da vida, surgem assim, em acasos afortunados, a mocinha da padaria retribui seu sorriso na fila do pão, o cara do elevador resolve te auxiliar com os milhões de papéis ou simplesmente aquele gato/a da rede social da sua irmã te envia uma solicitação de amizade acompanhada de um convite para o jantar de quinta feira. É o amor pedindo passagem. É o amor com uma pá, uma vassoura e uma chave pra destrancar o cadeado dessa bagagem tão friamente lacrada a cada ida e vinda.

A mão se estende acompanhada de um inquestionável sorriso no olhar, mas logo o braço recua. É que dá um medo danado se apaixonar de novo. No meio de um monte de cacos, estilhaços, mágoas, dores, aparece alguém com uma “super cola”, um sorriso lindo e diz: levanta menina! Um milhão de decisões equivocadas, atitudes impensadas e impulsos desconexos passam pela nossa cabeça e você hesita. Hesita, porque cicatriz de amor é uma das coisas mais difíceis de se carregar na bagagem. Não tem roupa, cachecol, colar ou armadura que esconda a marca eterna daquilo que não ficou. E a iminência do amor, traz também muitas vezes, o presságio de uma nova ferida.

Daí a gente olha para o lado e tem a amiga traída pelo namorado, o rolo inconsistente da mesa ao lado, o beijo sem sentimento do cara balada, todos os sms não correspondidos e pensa: não seria emocionalmente mais prudente caminhar sozinha?!

De fato seria. Mas ai tem também aquela amiga radiante com os preparativos do casamento, o pedido inusitado de namoro de dois desconhecidos no corredor da faculdade, a troca de olhares amorosos do casal de amigos no bar, e todo o medo que motivava o receio some, como num doce passo de mágica. Os pequenos requintes de delicadeza como o gorjeio de um bem-te-vi pela manhã, nos fazem lembrar a parte mais importante do amor: aquela que não dói.

É verdade o que dizem por ai: amor é coisa de gente corajosa, amor é coisa de dois. Talvez por isso seja tão absurdamente difícil criar vínculos com alguém. Não basta haver oportunidade, tem que existir troca, predisposição. Tem que existir parceria. Aquela que você troca sua bagagem pela do outro por livre arbítrio e juntos, libertam para o mundo todas as pétalas mortas, daquela flor, que um dia foi um suave buquê. Ao invés de bagagens, mãos dadas. Ao invés de peso, leveza. O amor antes um pássaro engaiolado, agora, permite-se ser livre.

Penso nos passarinhos da janela, na saudação do bem-te-vi, em primeiras, segundas e terceiras chances, penso em passarinhar.

Se o passarinho vier: dê passagem, ofereça sua bagagem e abra os caminhos. Porque amor de verdade se a gente deixar, muda a vida da gente. Passarinhe, aninhe, ame por aí…

Danielle Daian

Timing

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Deitada na cama, mirando o relógio tiquetaqueando sobre a prateleira logo a frente me pego a pensar um pouco sobre a imensidão de possibilidades que envolvem cada segundo que move o ponteiro daquele objeto. Mais precisamente, penso sobre timing.

A definição de timing seria mais ou menos como ter o seu momento, cada coisa em seu devido lugar, no seu preciso espaço de tempo. A base do timing é o livre arbítrio, e como não poderia deixar de ser, cada um tem o seu e faz dele o que bem entende. E se existe uma coisa na vida que não tem como moldar é o poder de escolha do outro.

Somos feitos de um barro único. Cada pessoa no mundo tem sua carga de medos, receios e a bagagem mais pesada que existe: expectativas. E o engraçado disso tudo é que expectativa é uma coisa tão nossa, fruto de vontades tão individuais que a gente teima em cometer um erro gravíssimo, que é justamente depositar sobre os ombros alheios desejos que são muito pessoais. Daí a gente começa a cobrar, exigir, demandar atitudes que na maioria das vezes o outro simplesmente não está preparado para corresponder.

Na vida a gente vem por um caminho, o outro vem por um diferente. Os dois podem ter chegado a uma mesma trincheira, numa mesma volta do relógio, mas se você veio por um atalho no bosque e o outro por uma longa estrada no deserto, isso muda completamente a forma como ambas as partes decidem continuar a trajetória. Mas entender o tempo do outro e ter paciência suficiente para esperar aquele momento precioso em que os dois estão pisando com o mesmo pé, com a mesma força, na areia da mesma praia, é um esforço quase tão difícil quanto entender que amar alguém não necessariamente implica em ser amado de volta. A base da compreensão do timing é a mesma do amor: nada na vida é barganha. Não dá pra querer pelo outro.

Então não interessa se vocês namoram há 10 anos, 7 meses, 2 dias e 14 horas. Não interessa se você deixou de ir a chás de panela para marcar presença em chás de bebê. Não interessa se o tempo está passando e você sente necessidade de algo mais para preencher o buraco que a expectativa criou. Se ele/ela ainda não se sente preparado para morar junto, noivar, casar, ter um filho que seja, nada no mundo será capaz de fazê-lo mudar de ideia.

A mesma história fica evidente quando a gente conhece uma pessoa legal que por algum motivo age como um completo idiota. Acredito firmemente que existe uma grande diferença entre pessoas sem caráter e pessoas com passado. Infelizmente (ou não) aquela história de “seu passado te condena” é a mais pura verdade. O que somos hoje, é fruto e reflexo direto de todas as experiências boas e ruins que já vivemos na vida. Então não adianta querer um relacionamento sério com um cara que acabou de terminar um namoro de anos. Ele, assim como todo mundo, precisa de um tempo para processar certas perdas, recolocar as roupas velhas no guarda-roupa e abrir as janelas do coração outra vez. Da mesma forma, não adianta querer convencer uma mocinha que teve seus sentimentos drasticamente negligenciados por alguém a se entregar tão prontamente ao amor novamente. Cada pessoa tem seu próprio tempo de cura, cada um sabe quando é tempo de dar mais um passo adiante ou quando é hora de parar e esperar uma brisa mais agradável para proceder com a caminhada. O seu timing pode não ser o do outro.

Ou a gente aceita, coloca um banquinho do lado da porta e espera o outro entrar, feliz e satisfeito com isso. Ou a gente aceita, coloca um banquinho do lado da porta e deixa o outro sair, igualmente feliz e satisfeito com isso.

Expectativa é bom até o limite em que ela ultrapassa as gostosas borboletas no estômago para virar caraminholas na cabeça. Melhor do que ter sonhos com alguém, é saber que esse alguém tem os mesmos sonhos com você porque ele simplesmente assim deseja e não por uma mera convenção social.

O relógio sob a prateleira, ruidosamente caminhando pela casa dos segundos, me fez entender que assim como as pessoas, o ponteiro tem o tempo certo de correr pelos minutos. Paciência para que os relógios parados comecem a se mover, para que os ponteiros se afinem, para que o tiquetaque da vida seja agradavelmente o mesmo. Ou simplesmente coragem, para abandonar o velho relógio de prateleira e deixar que o primeiro raiar de sol nos diga quando é hora de acordar.

Danielle Daian