Seja bem-vindo

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Quero saber tudo. Sua história, o motivo do riso fácil, qual dança molda o ritmo dos teus passos. Confesso: é que os traços no canto dos seus olhos me lembram afeto. Me lembram que eu sempre pensei em dividir um teto com uma mulher assim; de pulso, de peito e com jeito pra falar da vida, das viagens ao mar, da arte e da paixão pelo olhar humano. Parte de mim está hipnotizada e a outra encantada conforme surgem os planos. Sua visita estava sendo esperada há anos.
Seja bem-vindo, raro sentimento nomeado amor.

 

Fábio Chap, publicado em:  https://www.facebook.com/chapfabio/?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf

Assim que é a vida

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Eu não queria que tivesse sido assim.

Eu não queria. Sei lá. Que agonia desgraçada. Por um detalhe, por um mísero detalhe quebramos o elo. Por um singelo desencontro de corações. Por um momento achei que estava louco. Perdido de tudo. Aff. Eu queria é ficar mudo, mas não dá, porra. Não dá pra não pensar. Não gritar. Sim, meu grito é isso aqui. É essa palavra. Essa também. Não sou do tipo zen. Nunca fui. Devo ser parente do Cazuza. Exagero, sim. Venero, sim. Corro e me perco, sim. Te perco. Não.

Não acredito que te perdi. Aliás, não vou comprar essa culpa, não. Você que me perdeu. Não acredito que mais uma vez me vi nessa posição. O mundão tá cheio dessa gente que não perde nada. Que é só marketing, vitória e piada. Aqui não funciona assim. Minha vida não é bala de festim. É bala que fere, que rasga, que mata.

É, eu realmente não sei o que fazer quando nos imagino intensos pelos cantos. Não entendo de sós, só de tantos. Olha, nem era pra eu escrever isso. Não era pra eu contar pra ninguém. Mas contei pra um amigo. Ele sabe muito de mim e com alguém eu precisava dividir o que senti. Ah, que maravilha o que vivi no meio daquelas gargalhadas. Minha alma não estava preparada pra sua chegada; o que dirá pra sua partida. Algum idiota me falou que é assim. Assim que é a vida.

Fábio Chap

Pousa teus olhos aqui nos meus.

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Pousa teus olhos aqui nos meus. Me deixa namorar teu olhar. Eu sei que você vem de amores que maltrataram a alma. Eu sei que você anda precisada de carinho, de um blues no banho, de um beijo que arrepia a espinha. Aliás, não um. Dez. Cem danças da nossa língua.

Vem deitar aqui comigo. Descobri que faz sentido a ideia de te sentir e te querer. Te ver dormir e saber que dali alguma horas acorda a mulher que eu desenhava em devaneios. Que daqui algumas horas vai se abrir o sorriso que eu precisava ver sorrir e assim seguir a acreditar.

Ahhh um cobertor, chocolate e nós dois. Que é pra gente viver o agora e deixar esse tal tempo ruim pra depois.

Pousa teus olhos aqui nos meus.

 

Fábio Chap, publicado em: https://www.facebook.com/chapfabio

 

Cais lotado de dois

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Sua abundância de cachoeiras me iluminou os fluídos. Seus sete longos caminhos pela cintura me fizeram rastejar como cobra. Dei passos em direção à nuca e aos pensamentos. Te senti tremida por dentro, por fora e – agora – te vejo sublime. São pequenos riachos de olhar que revelam tudo. Toda magia que venta das suas mãos; todo pão que alimenta nosso encontro. Te encontrar foi o tombo no abraço apertado. No corpo entrelaçado. No cais lotado de dois.

Fábio Chap

Esqueceu o que é sentimento

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Visualiza um pá de perfil. Nunca visita uma alma;

Dá um monte de click. Não sabe quando deu o último abraço;

Compartilha todos vídeos. Nunca divide um sofá com amigos;
Comenta em tudo, mas não agrega em nada;

Acessa as últimas notícias. Segue com o coração inacessível;

Dá like em todo mundo, mas não dá liga com ninguém pois só fala infortúnios, vulgo bad vibes;
Ama as redes sociais, mas é socialmente incapaz de perceber a dor da outra pele, a pobreza, o estupro, o assédio, a homofobia, o racismo, o machismo e o abismo que é o ódio.
Sim, o abismo que é o ódio.
Posta tanta foto. Vive tão pouco o momento.

Faz coraçãozinho <3, mas esqueceu o que é sentimento.

 

Fábio Chap

Você queria…

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Você queria um amor, te sobrou o inbox nunca visualizado;
Você queria o pecado encarnado, te sobrou o Xvideos com conexão de fibra ótica.

Você queria uma ótima chance de abrir o coração pra dividir as agonias do viver, te sobrou ‘vamos ver de beber uma, sim’;
Você queria o fim da solidão, te sobrou o pacotão Netflix, guaraná e Whatsapp;
Você queria a chave pra se sentir atraente, sobrou o alface no meio dos dentes que ninguém te contou o jantar inteiro.
Você queria transar sem compromisso, mas continuou omisso e ela não gozou. Aliás, você percebeu que ela não gozou?
Você queria meditar pra melhorar sua índole, fazer amigos e influenciar pessoas, mas te contaram que não adianta fazer Yoga e não dar bom dia pro porteiro.
Você queria dinheiro e depois amor. Te sobrou a dor de separar umas moedas pra pegar o busão e chegar no puteiro. Hey, entrega é um processo. Ninguém se apaixona por decreto.
Você queria amar, mas sobrou o mentir. Você queria gozar, mas sobrou a punheta, a siririca, a energia desperdiçada. Você queria ser levada – ou levado – pela chuva, mas a água tava gelada demais. Aliás, suja também.
Você queria, mas não agia. Agora já era. A via da vida fechou. O tempo acabou e sua chance passou.

Fábio Chap

Meu arrepio…

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meu arrepio é lembrar teu queixo
e pelos ouriçados com seu cheiro
teu beijo na boca da minha alma
estranho não saber mais sua música favorita
o que te atrai, o que te irrita
estranha saudade que não cura
que mata e faz ressuscitar
{que é pro amador morrer de amor}

e eu não aguento mais
tudo aqui é grito e baderna
amigos brincam: ‘se interna’
dias desses entraram sem bater,
acenderam a luz; me pediram ‘vem’
e eu não quis:
‘se lá não cabe ela, não cabe eu também’
água com açúcar não me acalma
passeio nas montanhas não quero
quero é
seu beijo na boca da alma
surto com quem me pede menos intensidade
‘será que nunca amou?’ – penso eu
‘será possível que nunca suou desejo?
nunca pingou de verdade?
porque minha língua, ah
ela passeou algumas vezes
mas foram seus meus sonhos, meu jazz,
meus vinhos, minhas viagens,

meus carinhos, minhas massagens

ah, você
É VOCÊ!
foda-se quem teoriza sobre o amor
sobre dor só entende quem ama
só quem já ganhou beijo
desses que entram pela boca
{da alma}
SOME. volta. volta rápido.
vem sem pressa, não vem hoje.
vem agora, não vem nunca.
nunca mais ‘mais forte’
{no pé do ouvido}
ausência que não faz sentido
tenho me contorcido pra caber
nessa difícil arte de viver sem
um ‘ah, você’ aqui pertinho
{da boca da minha alma}
**
Fábio Chap

Aí segura

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Não chega assim, não, hein? Não chega assim que mulher com essa atitude toda me pira a cabeça. Me solta parafusos. E deixa confuso meu batimento.

Escuta aqui por um momento: não chega nesse vestido de novo, não. Por favor. É que eu tô numa fase de boa, entendeu? Sabe fechamento pra balanço, fase de reflexão? Mas se você chega nesse decote, eu só consigo pensar no bote. No poder das nossa roupas pelo chão.

Já sei um migué pra quando você chegar perto de mim sorrindo assim, linda do jeito que é. Vou falar que tô com febre. Febre altíssima e que pode piorar.

Só não me pergunta qual a temperatura. Eu vou decidir responder e aí.  Aí segura.

Fábio Chap, publicado em: https://www.facebook.com/chapfabio?fref=ts

Couple in front of wall.
Couple in front of wall.

Não fala assim. Não brinca com meu peito de novo. É sério isso? Não me joga novamente no precipício que é sentir tua falta. Fica aqui. Esquece o mundo. Esquece tudo que não seja nós. Meu amor não aumenta quando você vai; é meu peito que aperta. É a flecha da solidão que me acerta. Foram quantas viagens nos últimos anos? Dez? Quinze? Serão quinze meses fora dessa vez? Olha, eu não sei se vai dar. Eu juro que queria aguentar. Eu juro. Te quero o melhor. Te quero feliz. Mas eu tinha planos pra gente. Eu tinha um plano de vê-la contente, pulando de alegria quando chegasse o dia em que abríssemos a porta da nossa casa. Mas entendo que você, agora, vai aproveitar suas asas. Seja feliz. Eu fico aqui, por um triz de desacreditar em tudo que falaram sobre o amor. Distância é dor. Enquanto você voa, meu corpo todo ecoa uma frase só: “Você e ela viraram pó.”

Fábio Chap