Bom moço com pedigree

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Faz cara de bom moço, bom marido, mas não tem uma foto da mulher nas redes sociais. Diz que é muita invasão.

Faz cara de apaixonado, mas vive de papinho com gatas no café. Diz que é trabalho.

Paga de fiel, mas paquera na cara dura quando passa da meia noite no bar. Diz que o casamento tá em crise.

Se apaixona na noite (no trabalho, no reencontro da escola, na reunião de pais), mas não consegue deixar a mulher. Diz que é amor.

Compra flores, pede em namoro, mas na semana seguinte já tem cacho novo pendurado no whatsapp. Diz que é do jogo.

Faz pose de solteiro, conta história da ex, mas em julho já pagou o réveillon pra dois. Diz que é incompreendido.

Apanha da mulher e corre pra o consolo da amante.

Apanha da amante e jura que seu lugar é ao lado da mulher.

Querido bom moço de qualquer tipo ou pedigree, deus tá vendo e nós também!

Lia Bock

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Nem tudo é o que parece

Você acorda e pensa em como seria bom passar todos os sábados de manhã ao lado daquele gato. Seus corpos se reconhecem e se encaixam. Ele gosta do seu suspiro, dos seus seios. Você almoça e pensa em como seria bacana almoçar mais vezes regados a chamegos e vinho branco. Ele gosta do seu tempero, dos seus amigos. Ele gargalha e você pensa em como foi agraciada pela vida por ter alguém como ele por perto. Ele deixa um bilhete tosco e você pensa em, talvez, propor o repeteco hoje à noite.  Ele compra os ingressos para o show e você pensa que poderia passar o resto dos seus dias com aquela pessoa.  Você não responde as paqueras que pipocam no Facebook e pensa que, talvez, vocês estejam namorando, mas, diferente de outras vezes, isso não te incomoda. Afinal, é ele. Você liga, ele não atende.  Você escreve, ele não responde. Você pergunta, só pra entender, e ele sugere que você saia com outras pessoas.  Você desmonta. Ele desaparece.

Lia Bock

Carta aos bofes

Queridos gatos da noite paulistana, não tenham medo de tratar as mulheres bem! Não fiquem apegados à ideia de que se você for gentil a moça vai se apaixonar (Zzzz). “Gentileza gera [apenas] gentileza”; amor e paixão levam outros ingredientes bem mais complicados, não se preocupe.   Elogio é sempre bem-vindo. Respire fundo, você consegue! Evite expressões infantojuvenis e, se estiver nervoso, assuma, diga com todas as letras: “Tô meio nervoso”. É melhor do que parecer um personagem do filme American Pie. Perguntas do tipo “e aê, que-que-cê-curte?” devem ficar de fora do primeiro, do segundo ou do quinquagésimo nono encontro. Mulher a gente desvenda.    Prefira sempre fazer convites dóceis e diretos, do tipo “passa a noite comigo hoje?”. Além de surtir mais efeito, é gramaticalmente bem mais agradável do que coisas como “qué subí?”.   Mas gato, se você tem um compromisso às oito da manhã, avise a moça com antecedência, nada pior do que ser colocada pra fora com o raiar do dia sem aviso prévio. Alimentar a pessoa é obrigatório. Oferecer uma toalha é de bom-tom. Se preocupar com o orgasmo dela melhora a sua pontuação na tabela geral. Se você é do tipo traste assumido, homem que está na vida curtindo um momento pombagira, pode deixar isso claro. A verdade liberta! Não tente parecer o Harry Potter se você está mais pra Charlie Sheen.    Tá achando tudo isso mimimi demais pra um primeiro encontro? Tenha em mente que essa pode não ser a mulher da sua vida, mas pode ser a mulher da vida do seu melhor amigo, sua chefe ou até a melhor amiga da mulher da sua vida. E você sabe… As notícias correm. #fica.a.dica.

Lia Bock

Vai dar tudo certo, amor.

Tá difícil. Tá triste. Nossa história fez aquela curva que não esperávamos. Estamos num lugar sombrio e misterioso que até ontem parecia não existir. O seu corpo sofre e eu, uma extensão de você, sofro também. Mas não vou deixar que você desista. Por nós vou até a feira buscar as frutas que você gosta, por nós vou arrancar um ou dois sorrisos seus, por nós vou gritar quantas vezes for necessário: vai dar tudo certo, amor, prometo.  Você me olha murcho, quase não acredita que eu ainda esteja aqui. Você duvida e eu penso em comprar uma aliança. Tenho em cada poro do meu corpo a certeza de que é aqui que devo estar. Afinal, pra onde eu vou se o meu corpo mora no seu? Você chora e em cada lágrima vejo sair um pouco desse nosso caos. Chora mais? Você desconfia, mas eu anoto os afazeres, traduzo os exames e faço um drinque. Hoje somos essa pausa em nós mesmos, somos nossas vísceras a céu aberto, mas o amanhã nos espera, amor! Tem a viagem em janeiro e aquele filho que, sim, vamos ter. Tem nós dois e nossos outros tantos que nos lambem.  E amanhã vai ser a minha vez de ajoelhar fraquejando por um motivo qualquer, e você, equilibrado e sereno, vai dizer de boca cheia a sua frase preferida que eu emprestei por uns tempo: “vai dar tudo certo, amor”.

 

Lia Bock

Não me quer?

Então me larga!

 Não me quer? Acha que eu estou indo rápido demais? Que não é o momento? Então não fica curtindo minhas fotos no Instagram! Não fica retuitando o que eu digo nem me mandando carinha sorridente no gtalk! Se não tá a fim de levar o pacote todo pra casa, me deixa esquecer, por favor! Esquecer que você existe, esquecer que você não me quis e, pior, que ficou sem graça por isso.
 
Nem pense em me convidar pra sua festa. Não deixe na minha mão a decisão de estar ou não nesse momento. O que pra você é gentileza e demonstração de carinho pra mim é ferida ralando no asfalto. Deixa eu pensar que a minha presença te perturba e que meu corpinho saçaricando pela sua casa em dia de festa não é recomendável pra nenhum de nós dois? Ainda tem o meu cheiro no seu tapete e aquele meu pote de Nutela no armário. Respeite.
 
Não me importa o que você pensa de mim e se me quer na sua vida “de uma outra maneira”. Hoje, você é tudo aquilo que eu sonhei rolando escada abaixo, você é meu desejo partindo pra longe. É o fim do mais sorridente começo. Sua cara de amigo me esfola. Não me leve a mal, mas vamos deixar essa amizade pra amanhã?
 
Lia Bock

Mulheres loucas, capítulo 299.

Ninguém no mundo finge melhor a alegria do que uma mulher louca para ser pedida em casamento.

Sempre chega aquele momento em que a coisa que você mais quer na vida é um namorado (e ponto). Aquela pessoa que sabe exatamente o que e como você gosta, aquele ser que dorme com a boca na sua nuca e com quem você não precisa combinar de passar a sexta-feira coladinho, porque, claro, isso já está no pacote. Mas, como o diretor desse teatro chamado vida não colaborou com o seu roteiro, você está sozinha, em dívida com a depilação e… o pior: fazendo cara de “estou ótima!!” – assim, com duas escalações. Sim, porque quem faz cara de “quero um namorado” pode arrumar de um tudo, menos um bofe pra chamar de seu.

Nesse momento você se arruma até pra comer pão na chapa na padaria, parece sempre feliz e, claro, nunca dispensa uma noitada. Ressaca? “Não, nunca fico de ressaca.” Maquiagem? “Adoro maquiagem, já acordo de rímel.” E dá-lhe autoestima. E dá-lhe fingir que ser solteira está i-n-c-r-í-v-e-l. E dá-lhe contar onde você trabalha, onde já morou e discorrer sobre os amigos em comum do Facebook. Ah… a balada, o lugar que você vai rezando para ser o mais legal do mundo mesmo quando sonha com a sua cama e o jogo da Libertadores pra zicar o time rival. E dá-lhe fazer cara de “mulher solteira não procura!”.

Enquanto isso, no boxe, a pessoa chora desolada. Bloqueia e desbloqueia os bofes num ato desesperado de autoproteção. Sorri cinza, sofre, mas segue fingindo de forma maestral. “Eu? tó ótima!”. Ninguém no mundo finge melhor a alegria do que uma mulher louca para ser pedida em casamento, para fugir dali para qualquer lugar onde sejamos apenas dois. Namorado? “Pra que namorado? A vida é boa de viver assim, sozinha, livre.”

Ô meu Deus, por que fizeram a gente assim? Alguém explica?

Lia Bock

Boy magia?

Homem estiloso, cheiroso, sensível, educado e que faz café pra você? Homem gentil, sincero, que não te enrola, responde as mensagens e te elogia? Homem que te come com vontade? Sim, pode agradecer o roteirista da sua vida, Deus ou aquele amigo que te apresentou o bofe. Pede em casamento, vai pra Caraíva, mas não chama o sujeito de boy magia. Por favor! A não ser que ele seja aprendiz de David Copperfield, claro.

O adjetivo é feio, americanizado e, pior de tudo, tem uma aura de coisa rara, o que é um desserviço para a comunidade masculina. Sim, porque, veja bem, se o cara é tudo aquilo que a gente acha que um cara deve ser, ele é… apenas um cara. Não?

Além do mais, desconfie sempre de perfeições. Se não tem defeito é porque… está mentindo. Então, colocar o sujeito nesse pedestal é pedir pra se decepcionar dois capítulos adiante! Deixemos os homens serem… homens. Namorados, casinhos e potenciais ex-maridos.

Homem tem que ter alguma coisa errada, algum jeito que não encaixa, uma malandragem, um mistério, uma bossa. Mas e se ele for mesmo perfeito? (medo.) Mas nesse caso, que tal deixar ele ser apenas perfeito? Sou do tempo em que boy era um moço de gel, mocassim e polo com cavalinho e magia era mais ou menos o que acontecia com a Monga. Boy + magia? Passo!

P.S.: nunca ouviu essa expressão? Sorte a sua!

Lia Bock

Leais, loucas e lisas

É impossível não amar as mulheres. A complexidade apaixonada. A objetividade sensual. Uma fofura que arranha… Musas choronas. Deusas mimadas. Com a mãozinha na cintura, dando bronca calada ou fingindo que nunca dói. Quem, se não elas, diz que está tudo bem engolindo o ódio? Quem, se não elas, se desespera e chora por causa de um sapato?

São invertidas, são lisas, tão doce quanto mentirosas. Leais e venenosas. São cínicas, todas gordas e facilmente contornáveis com um enlace de um abraço. São mudas quando querem gritar e gritam quando deveriam estar mudas. É fofo o jeito como se enfeiam ao se arrumar e é muito lindo o jeito como se embelezam ao desnudar. Como não amar?

Conturbadas e falantes, plenas de uma insegurança crônica. Parceiras sorrindo cúmplices pela primeira vez, ou gargalhando junto dez anos depois. Mas sempre loucas e sem nexo. Absolutamente irrecusáveis. Absurdamente contestáveis. E, muito provavelmente, irreparáveis.

Lia Bock

Mentiras que os homens contam

… Essa saia é meio curta, né?

… Diferente esse vestido… Parece que está faltando um pedaço.

… Bonito o casaco. Você fica tão séria…

… Esse sapato parece meio de circo. Engraçado.

… Tá linda. Mas… precisa o penacho na cabeça?

… Ficou bacana, mas não tinha preto?

… Fina essa maquiagem. Faz o estilo drag queen.

… Muito bom esse seu cabelo curto. Pena que não dá pra pegar, né?

… Você vai assim mesmo? Ah… Só pra saber…

Queridos Homo sapiens sapiens do sexo masculino, anotem: engraçada, diferente, séria, de circo e afins não se encaixam na categoria elogios.

Lia Bock