Um texto sobre nós

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É domingo e você está na sala assistindo a um filme de três horas enquanto eu fico aqui, quietinha, ouvindo o disco novo do Tom Zé. Sempre achamos engraçado como isso, para os nossos amigos, soa esquisito. No fundo somos mesmo difíceis de compreender à primeira vista e sabemos que a esquisitice nos tempera.

Nosso escritório parece o Yin-yang. O meu lado é todo colorido, cheio de post-its, revistas, referências, canetinhas, canetões e lápis de cor. O seu acumula apenas o computador, uma foto nossa e uma caneca do StarWars que deveria juntar canetas, mas reúne pen-drives. Sua estante de livros em inglês é organizada por universos onde as histórias acontecem, a minha pelo sobrenome dos autores, que varia entre entre Rodrigues, Sá, Martins, Ribeiro. Todos brasileiros.

Eu falo alto e o tempo todo. Há quem te conheça há semanas e não tenha ouvido a sua voz. O meu sorriso abre fácil, o seu é sempre uma conquista. Minhas decisões são sempre impulsivas, as suas quase sempre racionais. Meu café é amargo, o seu é doce. Eu prefiro massa, você não abre mão de um churrasco. O seu ciúme é declarado, o meu escondido. O seu tempo é hoje, o meu é ontem e amanhã.

Mas aí, mesmo com tudo isso, a sua pele me faz encontrar a calma e a minha agitação te tira do silêncio. A gente conversa por horas sobre coisas que discordamos sem perder a calma. Porque no fundo a gente gosta é de ser o advogado do diabo das certezas um do outro. Assim nós crescemos e aprendemos todos os dias – e concordamos que os adultos têm tanto a aprender! – a respeitar o diferente. No nosso caso, ele vive, trabalha e dorme ao lado.

O sofá é o acordo de paz entre o meu mundo e o seu. Área internacional, ONU, bandeira branca. É o lugar onde estamos em dois lugares ao mesmo tempo, numa terceira dimensão só nossa. Onde, na verdade, somos iguais.

Porque sabemos que não precisamos um do outro, mas nos queremos acima de qualquer coisa. Porque as nossas frases são tão sincrônicas quanto as nossas vontades. Porque não existe companhia melhor pra fazer nada e pra estar em qualquer lugar do que você. Mesmo quando estou do meu lado do escritório e você no seu.

Porque quando, sem que você veja, eu olho para os seus livros, para a tela onde você está jogando e para a caneca que eu nunca sei se é do Darth Vader ou do Stormtrooper, eu me sinto a pessoa mais completa do mundo. Duas peças iguais não se encaixam, nem no quebra-cabeças nem na vida. Ainda bem que somos diferentes.

Marina Melz, publicado em: https://marinamelz.wordpress.com/

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Se ontem fosse hoje, eu faria diferente

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Lembro como se fosse ontem, mas tem mais a ver com querer que seja amanhã. Confundo os tempos verbais porque, no fundo, eu queria mesmo que o tempo retrocedesse – não pra viver tudo de novo, mas pra fazer tudo diferente.

Se hoje fosse amanhã, eu dançaria conforme a música. Não tentaria acelerar os compassos e os nossos passos em direção ao futuro. Dançaria dois pra lá, dois pra cá no escuro sem pensar em andar de mãos dadas na praça. Teria dividido o sorvete sem a expectativa de dividir uma casa, um cachorro e filhos. Declarado menos, sentido mais. Mesmo que seja difícil pensar em entregar mais de mim, já que quando você bateu a porta não sobrou nada. Teria te entregue o meu tempo presente, não a minha expectativa para o futuro.

Não teria me preparado tanto para ser alguém que você gostaria de ter e me preocupado menos em parecer culta, engraçada, sexy-sem-ser-vulgar. Teria sido mais eu e menos quem você procurava, porque só depois eu descobri que a sua busca era por você.

Diria mais “não sei” e menos “eu também”. Porque é nas diferenças que se descobre o mundo do outro e nas semelhanças onde estão os mais frágeis perigos. Teria lido as suas obras favoritas completas, não apenas buscado um resumo na internet para dizer que conhecia este ou aquele personagem e te impressionar.

Não teria procurado o seu nome no Google, no Facebook, no Instagram, no Twitter e até no site da Receita Federal. Teria deixado os seus gostos (mesmo os duvidosos) e caretas para descobrir na vida real. Talvez, com isso, não tivesse me sentido uma louca conhecendo alguém que eu já conhecia tanto.

Deixaria que você conhecesse a minha tristeza, já que é dela que eu gosto e nela em que eu sempre me encontro. É a parte de mim que mais me envergonha e mais me fortalece, mesmo que me faça parecer frágil. Eu queria que você me visse forte.

De todas as dúvidas em relação ao que eu faria diferente, só tenho uma certeza: seria eu quem sairia pela porta para nunca mais voltar. Porque você diz que faria tudo igual. E eu, hoje, reconheço de longe quem vive para brincar com os sentimentos dos outros.

Marina Melz, publicado em: https://marinamelz.wordpress.com/

Às vezes não é dor de amor, é só orgulho ferido

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O fim do amor nunca é fácil. Mas mais difícil que o ponto final no sentimento, é o ponto final no relacionamento. Não existe melhor entre “não te amo mais” e “te amo mas não quero continuar”. Todos doem, todos machucam, mas (acredite!) todos passam.

Mas há quem retire a aliança, o status no Facebook e as fotos dos porta-retratos mas siga com a mesma necessidade de controle. É aí que o suposto sentimento por quem um dia a gente amou começa a se confundir com o orgulho ferido de não estar no centro das atenções. É o primeiro passo para o sofrimento desnecessário.

Quantas vezes foi puxar papo com um amigo dele pra, sem perguntar, tentar saber algo? Quando foi a última vez que você saiu de casa sem pensar que ele pode estar naquele show – ou lembrar e verdadeiramente não se importar? Quantas vezes você entrou nas redes sociais do seu ex?

Tem quem veja provocação numa foto com o novo amor. Quem veja indireta na palavra da quinta estrofe da música que o ex postou. Na selfie com a camiseta que compraram juntos. No restaurante repetido. Toda vez que você pensa “foi pra mim”, morre um pouco da mulher decidida que você vê no espelho e cresce o monstro da insegurança no seu peito.

Menina, ele não quer te atingir. Talvez esteja apenas vivendo com olhos para o futuro, como você deveria estar fazendo. O mundo dele não gira em torno de você – e provavelmente isso não acontecia nem quando vocês estavam juntos. O fim de um relacionamento não é crime perfeito. Sobram evidências que comprovam que a história aconteceu, mas não que ela precise continuar. As roupas não somem, os lugares não implodem, as pessoas não esquecem. E qual é o problema?

Talvez esteja na hora de engolir o orgulho, sair das redes sociais pra respirar a rua, encontrar com os amigos, ver outras pessoas. Hora de andar na rua, às 18h, e perceber que todo mundo que lota a calçada tem várias histórias de amor que não deram certo pra contar. Esquecer não é um processo fácil, mas é mais simples do que parece. A gente é que complica.

Porque quando você conseguir desejar a felicidade do seu ex, de verdade, sem querer que ele lembre de você a todo instante, vai perceber que o mundo continua a girar. E que – ainda bem! – isso também acontece com você.

Marina Melz, publicado em: https://marinamelz.wordpress.com/

Procure um amor que sinta a música

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Se eu pudesse te dar um só conselho que resumisse tudo o que uma pessoa pode procurar num amor, seria esse: busque alguém que sinta a música. Não precisa ser um exímio violinista, nem conhecer bandas da República Tcheca. Mas sentir a música, se entregar para a música, viver a música.

Alguém que, ao apertar o play no rádio do carro veja, sem a menor dúvida, o volante se transformar numa bateria que Mike Portnoy nenhum botaria defeito. Ou então, que faça surgir no capô um público alucinado pela sua voz. Um amor que treine a presença de palco no banco do carro, e não ligue para o motorista do veículo ao lado a gargalhar.Afinal de contas, o seu amor tem pena de quem não sabe o que é sentir a música.

Um amor que cante. Desafinado ou com voz de barítono. Ney Matogrosso ou Iron Maiden. Até ciranda de roda vale. Mas não abra mão que o seu amor cante. Quem canta espanta seus males, quem canta transborda. Cante com ele a bossa nova do supermercado e, se de repente rolar um som animado por lá, role até uma dancinha no corredor entre as maioneses e as batatas palhas.

Um amor que não tenha vergonha de te tirar pra dançar sem saber passos arrojados, porque entende que dois pra lá e dois pra cá tem o seu valor quando servem para sentir a música dançando com quem a gente ama. Que não tenha medo de ser feminino demais porque sabe que a música transcende gêneros, que não tenha vergonha de dançar de cueca em frente à geladeira quando aquele compasso pede.

Alguém que feche os olhos quando um acorde toca fundo na alma porque quer anular a visão para ouvir melhor. Que deixe o pêlo arrepiar quando o melhor momento da atuação de um ator encontra o ponto alto da trilha sonora. Que transforme controle remoto, cabo de vassoura, garrafa d’água ou tudo o que encontrar pela frente num microfone.

Um amor que faça “shhhh” quando está tocando uma música bonita na trilha sonora da novela – que, tudo bem, vai, ele pode odiar, mas sabe valorizar a música que está tocando. Alguém que não se importe em estar num baile funk, numa festa indie, num samba de escola ou numa apresentação da sinfônica desde que por lá tenha música.

Não importa se ele não sabe o compositor ou confunde Baden Powell com Vinícius de Morais. O que importa é que quando ele escuta Samba da Bênção e ouve “a tristeza tem sempre uma esperança de um dia não ser tão triste, não”, ele sinta aquilo de verdade e sorria.

Procure um amor que sinta a música. Porque quem vive como se fosse uma canção, pode até não te fazer feliz pra sempre, mas vai te fazer feliz de verdade.

Marina Melz, publicado em: https://marinamelz.wordpress.com/

Toda mulher é plural

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Qualquer palavra que complemente a frase “ela é…” é enganosa. Nenhuma mulher é só, nenhuma mulher é isso. Todas somos muitas. E, por mais que se tente resumir em uma expressão, nem 20 isso seria possível.

Toda mulher é o amor da vida de alguém: ela mesma. É pra ela que decide a melhor cor de sombra ou solta os cabelos volumosos. É pro espelho que troca as melhores caras é nele que se vê, é com ele que se entende.

Toda mulher é sexy. Mesmo a carola (exatamente porque carola?). Mesmo a chefe séria, mesmo a colega de trabalho tímida, mesmo quem catequisa para o resguardo. Todas têm um sex appeal, todas têm um estilo de lingerie e um jeito único de tirá-la. Absolutamente todas as mulheres têm um olhar de tesão que destinam ao seu homem (seja seu por um minuto ou uma vida inteira). Toda mulher é um vulcão.

 Toda mulher é mãe. Tem sentimento maternal com os amigos que vivem desilusões, com os namorados doentes precisando de cuidados, com o querer receber bem quem nos visita e querer que todos saiam satisfeitos (pra não dizer embuchados).

Toda mulher é um pouco viúva dos amores que morreram e um pouco órfã dos que não viveu. Consegue ver nas entrelinhas de um poema motivos para lembrar de que não lembram, sofrer por quem não devem. Toda mulher é exagero.

Toda mulher é super-heroína que vence diariamente os seus medos e a sua insegurança para estar mais perto de si mesma. “Toda mulher é uma laranja inteira”.

Toda mulher não é uma. Toda mulher é plural. E é exatamente por isso que não há como prever as reações, julgar as decisões ou querer mal a uma mulher. Porque uma delas, essas tantas que vivem em cada uma de nós, é exatamente quem você procura. Ou de quem foge.

Marina Melz, publicado em: http://www.entendaoshomens.com.br/

Amor não tem passado nem futuro

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Ninguém é o mesmo depois de amar. Há quem ame depois de uma longa amizade, há quem sinta o maior amor do mundo no segundo em que os olhares se cruzam, há quem ame intensamente por uma noite e acorde indiferente. É tudo amor. É tudo pra sempre.

O amor acontece quando os caminhos se encontram. Se eles vão permanecer juntos por quilômetros, alguns passos ou só um atalho, não importa. A união aconteceu. A entrega aconteceu. O amor, ah… o amor aconteceu. Se esse amor, louco amor, vai durar um beijo, uma noite, uma saudade ou uma vida inteira, é assunto pra depois. E o amor não tem depois. Não tem passado, nem futuro. Se fosse verbo, amor só se conjugaria no presente. 

O futuro do amor é a lembrança. É a certeza de que valeu a pena, de que a entrega aconteceu, de que não foi em vão. Nenhum amor termina. Todo ele se transforma. Não há resíduo, não há sobra, não há lixo. O amor é energia pura, limpa. Todo o amor metamorfoseia em lembrança e a partir daí é feliz pra sempre. 

Só quando quem ama pára de tentar mudar o amor e entende que ele vai – leve, devagar, sutil – se transformar numa lembrança bonita, ele deixa de doer. O amor não foi feito pra machucar. Foi feito para viver. Dure ele um segundo, um minuto ou uma vida.

 

Marina Melz, publicado em: http://marinamelz.wordpress.com/

As coisas tão mais lindas

07

Me carinha as costas. Teu sorriso de cansaço é tão lindo que eu queria te fotografar. É a imagem mais bonita do mundo. Não sei onde começam meus braços, nem onde começam os teus. O mesmo calor que me amortece as pernas é o frio que me arrepia os braços. Chega mais perto, fica junto de mim. A cama é grande. Deixa minha solidão dormir ao nosso lado, abraçada com a tua: sei que posso tocá-la, mas não preciso: me bastas.

Ri da minha cara, brinca com o meu nariz. Me abraça. Faz frio aqui dentro: me esquenta. Deixa eu sentir teu peito nas minhas costas, teu braço entre meus seios. Deixa eu sentir as pontas dos teus dedos pintando meu rosto de uma felicidade que só tu me poderias oferecer. Escolhe as cores. Escolhe uma música pra ser nossa. Canta. Baixinho. Sussurra já que és canção.

Desliga o celular, apaga a luz. Tua energia é mais forte e mais brilhante. O teu azul não é mar revolto: é céu de inverno. Enrosca teus pés nos meus, me beija de leve o pescoço. Não me deixa tentar entender porque eu não quero conseguir. Faz piada, deixa meu sorriso se espalhar.

Me beija a boca com paixão e a pálpebra com ternura. Deixa o dia nascer, deixa o sol se pôr. Deixa o mundo. Só não me deixa.

Perde teu tempo pra me ganhar. Me abraça a cintura e deixa meus dedos se perderem nos teus cabelos. Escuta meu coração batendo leve, porque tua suavidade me encanta. Beija minha barriga, morde minha orelha, coloca a mão no meu pescoço. Me arrepia, me faz careta.

Dorme e me deixa com a paz do teu sono. Me deixa ser teu sonho. Deixa eu me perder nos teus olhos fechados, deixa eu te invadir. Deixa eu sorrir e sentir pena de tudo que há do outro lado da porta e não pode te ver.

Me acoberta com o jeito de viver o amor por uma hora, um dia ou uma vida inteira. E só não é mais eterno do que o toque da tua pele na minha que fervem a alma e congelam o tempo.

Não levanta, não vai. Deixa eu fazer manha, ser tua manhã. Deita, deita. Fica que eu já volto. Deixa as roupas no chão, não arruma a cama. Me abraça. Me carinha as costas. Sente o nosso cheiro: o café ficou pronto.

Marina Melz

A não história

04

A música que você não fez sobre o nosso amor que nunca existiu foi minha trilha sonora todo o dia. Senti uma saudade quase louca de todas as noites que eu não passei olhando você dormir e da sensação de paz que nunca senti ao teu lado. Vi as fotografias que não tiramos das viagens que não fizemos e senti saudades do cheiro da sua nuca.

Lembrei daquela festa bacana que nós não fizemos. Os amigos que não tivemos, o som que não ouvimos juntos e os cafés bacanas que nunca concretizamos. E aquele casamento? Acho que a festa do casal de melhores amigos que nunca tivemos foi a festa mais divertida da nossa falta de história. Sua gravata e meu vestido, que nunca existiram, combinavam tanto quanto o seu gosto musical e o meu.

A cara que você não fez no primeiro dia que você acordou na minha casa que nunca existiu não poderia estar de fora dessas lembranças. Aquele dia das horas se espreguiçando que nunca existiram, da guerra de travesseiros que não tivemos e da decisão que não tivemos de assistir um dos filmes que nunca compramos comendo um dos brigadeiros que você nunca fez.

Impossível esquecer também aquele show que você não fez. A sua declaração de amor de que nunca existiu seguida dos versos que você nunca cantou e o público, aquele público que nunca esteve em lugar algum, aplaudindo quando eu disse sim ao seu pedido que não existiu. Aí eu lembrei sabe do que? Daquelas pegadas que não ficaram na areia no dia que nos não trocamos alianças do nosso jeito, sozinhos e com todo amor do mundo, que nunca sentimos.

Eu lembro perfeitamente da nossa casa que nunca existiu. Os quadros que nunca tivemos dos nossos ídolos misturados com os discos, filmes e livros que eu nunca soube se eram meus ou teus, e que no final nunca foram de ninguém. A nossa vontade que nunca existiu de aproveitarmos o nosso final de semana em casa recebendo amigos, comendo pizzas assistindo as comédias nacionais que nunca vimos.

E aí, quando me bateu um medo violento do mundo, seu abraço que nunca existiu era o único capaz de conseguir me fazer acreditar. O jeito intenso de me fazer perceber que você sempre estaria ali nunca foi sua marca mesmo. E eu levava o computador para a cama grande que nunca tivemos e nós escrevíamos juntos aqueles textos bonitos que nunca existiram.

Lembro exatamente do dia em que eu não descobri que você seria o homem perfeito pra mim. Quando eu não peguei na sua mão, nem olhei no fundo dos seus olhos que não pareciam ainda mais azuis, e não disse que te amava. De quando você não me pediu perdão por ter medo de amar, mas não falou que mesmo assim não queria mais viver longe de mim.

Nossa história é aquela que nunca existiu. É uma quase não história. Mas eu vivi na cabeça tantas vezes cada um desses momentos, que eu até esqueço que só aquela que eu não fui, acompanhada daquele que você nunca foi, seriam capazes de viver um conto de fadas de verdade.

Marina Melz