Eu devo é gostar disso

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Sempre sonhei com a calmaria, com a ‘sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida’ que o Cazuza dizia e me fazia inspirar. Mas acho que eu gosto mesmo é da adrenalina daquele amor que faz mal, daquele que perturba e me deixar desorientado.

Digo não querer me descontrolar, mas a psicopatia me persegue ou eu insisto em viver um turbilhão de emoções e anseios.

Já aprendi a deixar o orgulho de lado. Deixar a insegurança pra lá e focar no amor e na simplicidade que é. Escrevo várias vezes ao mundo e a mim mesmo, para fixar o discurso, mas na prática ainda estou longe de descomplicar o amor.

Sinto aquela angustia de estar longe e aquela dor de antecipar a despedida quando estou perto. Poderia tentar não ser assim, mas não. Eu devo é gostar disso.

Acho que é isso que me faz vivo, não amar intensamente, com todas as forças, com todas as neuras e piras e problemas inventados e dificuldades construídas, sem dramas, definitivamente, não é pra mim.

Théo Borges

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Baboseiras sobre o que é o amor, o que é o amar

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Esses discursos de que, ‘se a pessoa realmente gosta de você, ela não te magoa’, ‘se fosse amor de verdade nunca teria ido embora’ e ‘só se ama uma vez na vida’, não me convencem.

A pessoa que ama magoa, fere, machuca, mas sem o intuito de isso fazer. Talvez pela intimidade tão grande que impede de ver o outro, com o outro. Pensando nos dois, como um só… Ou talvez por ser humano e cometer erros como todos os humanos cometem e isso nada tem a ver com a capacidade de amar.

O amor pode ser grande demais, e ao mesmo tempo pesar um absurdo e alguém na relação pode não suportar o peso, e ter de abandonar o fardo antes de não conseguir permanecer em pé por si.

Se fosse verdadeiro não teria partido? Então o que se viveu foi o quê?

Não há ilusão de amor. Ninguém acha que está amando, ou está apaixonado. As pessoas amam e se apaixonam. E deixam de amar e deixam de estar apaixonadas por que isso é natural. Os gostos e interesses podem mudar ou mesmo acabar, e essa não é prova de que não tenha existido sentimento.

Não se ama apenas uma vez na vida. Ama-se tudo que há para se amar, o amor não é limitado, pelo contrário, ele é multiplicador. Não se ama uma quantia, ninguém traz consigo uma meta de amor a atingir, podemos amar o quanto estivermos dispostos a nos entregar. O quanto estivermos dispostos a oferecer, perder e ganhar.

Mas enfim, essa é só mais uma opinião, mais uma baboseira como as de muitos que acham que sabem o que é o amor, e o que é amar.

Théo Borges

Contraposição a Shakespeare

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Só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo o que pode.”

(William Shakespeare)

Contudo não significa que eu deva aceitar e me saciar com o tanto de amor que me é oferecido. Não. Não posso esperar que o outro me ame, mas eu devo amar com todas as minhas forças. E ser amado é bom. É muito bom. Mas… Queria que fosse como eu amo.

O Alguém pode me amar com todas as suas forças e capacidades de amar, mas me falta. E com o que me falta eu faço o quê? Não me sobram opções. Ou disponho-me a receber essa quantidade de amor que não me satisfaz, ou deixo-o, mas não deixo de amar.

Essa não é uma escolha minha. Se eu pudesse escolher, escolheria lhe amar da mesma forma com que amo, com essa intensidade toda, esse desejo todo. Se pudesse escolher, seria você. Se pudesse escolher amar e não te ter, não saberia o que escolher.

Théo Borges