O que vem depois do eu te amo?

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Eu te amo é lindo, mas sempre achei mais bonito ele dito de outro jeito.

Desde pequena, me sentia incomodada em ter que dizer as três palavras que todo mundo fala também. Se cada um sente de uma forma, porque temos que dizer igual? E quando passa do eu te amo? O que vem depois e mais forte e mais intenso que ele? É tudo confuso. Nunca consegui inventar uma palavra nova, justo eu que sinto o depois. Queria poder dizer “eu te amo mais do que o eu te amo”, mas só de tentar me expressar assim, já falaria eu te amo duas vezes.

As três palavras sempre foram pouco pra mim, costumam ficar agarradas na garganta. Quando saem, escapolem só porque precisam. Saem porque as pessoas querem saber que são amadas, porque precisam se sentir seguras. Para quem não leva jeito para falar o “eu te amo” da maneira mais romântica possível, essas palavrinhas aparecem nos piores momentos.

Geralmente quem ama depressa, é o primeiro a dizer. Todo mundo está propenso a ouvir como resposta “obrigado” ou “também te acho legal demais”. Acontece. Lembro de uma vez que disse “eu te amo” porque fiquei sem assunto.

O silêncio me incomodou tanto, que eu o preenchi assim. Eu realmente gostava da pessoa mais do que o “te adoro”, mas não chegava a um “eu te amo”. Não sabia o que dizer e de repente foi. Depois disso, cheguei a conclusão que precisam logo criar uma palavra para o quase-te-amo. Já que nos é exigido em palavras o que sentimos, que façam logo o “eu te amo do meio termo”.

Uma vez perguntei para uma amiga se o “eu te amo” que ela dizia para o namorado sempre, no final de toda conversa, era tipo um “câmbio, desligo”. Ela achou engraçado, mas eu estava falando sério. O “eu te amo” era falado o mesmo tanto de vezes que eles diziam “alô” e “tudo bem?”. Quem sou eu para entrar no meio da história dela, mas, dito tantas vezes, não perde a força?

Dentre todos esses sentimentos que passaram e estão em mim, todas essas dúvidas que vocês também podem ter, posso contar que em toda a minha vida, já ouvi eu te amo assim: Ouve essa música. Tô com saudade. Você sumiu. A gente se vê mais tarde? Você ficou linda. Preciso de você. Posso ir com você? Saudade. Pensei em você. Eu me importo. Vem cá. Já consegui dizer “eu te amo” de N formas. Até mesmo quando disse “não quero te ver mais”.

Marcella Brafman, publicado em: http://chatadegalocha.com/

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Gosto até de seu defeito

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Ele odiava o jeito que Flávia enrolava o cabelo o tempo todo. A maneira que ela esperava o telefone tocar três vezes antes de atender. Todas as vezes.

Flávia achava um saco quando ele demorava meia hora no banho. Ela sempre ficava pronta antes. Ficava brava quando ele dirigia rápido. Pra quê pressa, Diego?

Diego sabia de cor todas as pintinhas da barriga de Flávia. As três primeiras, bem embaixo do peito esquerdo, formavam o cruzeiro do sul. Nunca disse isso alto, por ser durão, mas era sempre o que pensava quando ela trocava de roupa.

Flávia esquecia de responder mensagens, nunca checava o e-mail e era avessa as redes sociais. Diego era viciado, marcava ela em todas as fotos. E ela nem curtia. Em compensação, escrevia para Diego um monte de cartas, deixava bilhete embaixo do travesseiro e gravava mixtape para colocar no som do carro. Ele gostava de mostrar, ela preferia demonstrar. É que cada um tem o seu jeito.

Com o tempo, Diego se acostumou com o gosto dela por MPB. Com o tempo, Flávia parou de abaixar o volume do punk rock. Faziam as pazes nos filmes. Assistiam três por final de semana e concordavam em todas as críticas. Um afeto compensa o defeito.

Já pensaram em se separar. Ela e ele, mais de uma vez. Já prometeram que “não dava mais” e que “eu não aguento mais quando você faz isso”. O amor é muito exagerado. A verdade é que eles ainda aguentam mais, muito mais. Na última briga ficaram três dias sem se falar. Flávia até fez um Facebook. Diego chorou ouvindo Marisa Monte.

Como é mesmo que dizem? Quem ama a rosa, suporta o espinho. E outra: o amor sem sacrifício é mero sentimentalismo.

Marcella Brafman, publicado em: http://www.semcliche.com.br/

Não sei nada de amor

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Amor para mim é uma busca eterna. Ele nunca vai vir completo e perfeito. Atenção: nunca.

Tento entender alguma coisa do que os outros sentem e do que sinto. Com esse pouco que sei, não consigo dizer “sim” para todos os questionamentos da imagem. O ponto de vista é muito interessante, mas eu preferiria que isso não fosse o que realmente acontece com a gente. Depois de tanto escrever sobre o assunto, tenho a minha própria forma de pensar sobre relacionamentos. Acredito em várias coisas, desacredito em outro monte também.

Acredito que nos refazemos a cada desamor, a cada decepção, a cada deslize e a cada fim. Quem escreveu que “um amor cura o outro” foi um gênio. É bem assim que acontece, não podemos negar.

É impossível esquecer do que passou se não sofremos de amnésia. Mas, é possível sim colocar as lembranças em stand by, numa caixa que temos no cérebro igual a essas que ficam encostadas na garagem. O acesso a ela é livre, só que não acontece com tanta frequência. Principalmente se estamos vivendo o presente, desencaixotando coisas novas.

Eu discordo que buscamos a mesma pessoa repetidas vezes. Ou não existiria nada mais gostoso do que poder se apaixonar de novo, se redescobrir com alguém que nunca esteve na sua vida. É difícil se abrir para a ideia de que o próximo pode ser totalmente diferente. Nós somos tantos por dentro, que muitas vezes é preciso um impulso para sermos isso tudo por fora. É assim que do nada alguém vem e te redescobre. Acho isso incrível.

Sigo a linha de que a vida é realmente uma só, e amar sem limites, duas, três, setenta vezes, é um presente de estarmos aqui. Seria muito chato se apaixonar por alguém exatamente igual duas vezes. Prefiro uma vez só. Uma única vez intensa e sincera. E se por acaso, um novo amor me lembrar um amor antigo, tomara que seja só nas coisas boas.

Desacredito no amor que não é recíproco e machuca. Aquele que faz mais mal do que bem. Esse amor toma tempo de vida e dá nó no estômago. Desacredito em quem não quer verdadeiramente estar junto e faz papel de figurante. A dor pode ser desafiante no começo, mas para quem já se acostumou com ela, amar vira uma bola de neve. Às vezes, é um Amor que nem é Amor. Nesse, eu não acredito de longe.

O Amor é sempre mutável e eu não sei nada sobre ele. O que eu quero mesmo é que seja sempre bonito de viver. Amém.

Marcella Brafman, publicado em: http://www.semcliche.com.br/