Tempos de adeus

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Sentei por um momento com uma xícara de café na mão ao lado da janela do meu quarto. Era fim de tarde e eu podia ver o céu inteiro se unir numa grande escuridão em volta do alaranjado que sumia depressa.
Devo alertar de antemão que esse texto não é sobre amor e coisas bonitas da vida, é sobre momentos difíceis, momentos que temos que deixar pra trás e colocar coisas novas na frente, exatamente como o céu que eu apreciava hoje.
Deixamos um pôr do Sol pra trás pra vir a noite; então deixamos a noite pra vir o dia e assim sucessivamente.
Nesse ultimo mês do ano, nos últimos dias de dezembro, decidi deixar todas as coisas ruins de 2016 em 2016. De todos os anos que eu me lembre, esse e o anterior foram os meus piores, diversas coisas não saíram como eu planejei e passei por dificuldades que achei que fossem me destruir. Achei que não iria aguentar, mas aqui estou eu.
Esse ano tive problemas em todas as partes da minha vida, chorei incessantemente e pensei diversas vezes em desistir de tudo, em desistir de mim mesma, mas não desisti.
O que eu tenho pra dizer nesse fim de ano é que eu agradeço pelas imensas coisas que eu aguentei, passei e superei. Agradeço porque essas coisas me fizeram ver tudo de uma forma mais bonita. Passei a dar valor ao que realmente tinha valor e olhei cada problema como um propósito pra coisas melhores virem.
Nesses últimos dias de dezembro, eu deixo pra trás cada desentendimento, sofrimento, planos incompletos ou que deram errado. Deixo os sentimentos ruins e o medo.
Ouçam bem, eu não os esqueço, nada do que listei, eu apenas os deixo para trás. E por cima deles, em 2017, eu pinto um lindo dia azul com Sol, não me esquecendo das coisas que eu aprendi, mas querendo sempre um presente e futuro melhor. Porque o passado, já foi deixado.

Com amor, Ariane Moura.

 

Publicado em: https://arianemoura.com/2016/12/21/tempos-de-adeus/

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Se for pra ser, até os ventos soprarão a favor de nós.

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Eu não me lembrava ao certo da última vez que eu tinha me ajoelhado a noite para pedir algo a Deus e também não me lembrava mais a última vez que tinha chorado tanto assim.

Ontem à noite, depois de meses, depois de meses sem saber se eu acreditava se Ele ainda me ouviria, se Ele ainda se importaria, eu tentei. Eu tentei com todas as forças que restam dentro do meu coração.

Eu pedi pra Deus, pedi pra mim e por pensamentos, pra você, pra que as coisas enfim se ajeitassem. Se fosse pra ser, se fosse finalmente.

Que se fosse pra ser, que existisse sentimento de mudança para mudar tudo aquilo que estava de errado antes e que existisse muito amor, para levar a vida daqui para uma eternidade.

Se fosse pra ser, que fosse pra sempre.

Mas se não fosse, meu amor, se não fosse.. Que você não chorasse mais, que eu não chorasse mais. Que cada um conseguisse seguir sua vida e nos desprendêssemos do laço invisível que une nossas almas atualmente.

Se não fosse pra ser, que nós conseguíssemos caminhar com lembranças boas e que daqui a um tempo pudéssemos conhecer alguém legal que se adequasse a nosso estilo de vida, de pensamento e de sentimento.

Aí eu me vi chorando tudo de novo,  ao pensar que talvez não era pra ser eu me vi em lágrimas, em prantos, em desespero, porque eu quero que seja.

Quero que os ventos soprem a favor, que Deus abençoe nosso amor e que seja pra valer.

Eu quero que seja.

Mas se não for, não quero que soframos por amor, se descobrirmos que não for.

Saiba que eu quis que fosse.

Sinto muito. Eu tentei.

Ariane Moura, publicado em: https://arianemoura.com 

A felicidade é um desafio individual

Man stands between boulders on summit, arms out
Man stands between boulders on summit, arms out

Nossa vida é submersa por milhares de ações e pensamentos desencadeados por nós mesmos em busca, somente, da felicidade completa. Essa felicidade ainda não é contemplada, segundo Freud, por três motivos aparentes: a fragilidade do nosso próprio corpo, saber que a cada dia nossa morte está um pouco mais perto e que estamos completamente vulneráveis a isso. À exposição desde que nascemos ao mundo exterior e ao modo como ele nos ameaça e nos afeta, sem dó, sem porquês nem poréns e nossa relação com os outros, nossa troca de informações, de sentimentos e de momentos.

Esses três motivos nos impedem de ser completamente felizes atualmente.

Desde 1930 Freud já sabia disso e mesmo hoje em dia, nós sabendo disso, ainda é triste ouvir.

Mas falando particularmente de mim, eu sempre convivi bem com o fato de que cada dia minha morte chega mais perto da minha alma e que o fim chegará para todos. Eu estava bem sabendo que eu teria que viver tudo tão intensamente e tão unicamente, porque um dia chegaria ao fim.

Eu também estava suscetível ao fato de que o mundo me afetaria de mil formas diferentes e que eu teria que me moldar e me readaptar todas as vezes que ele me afetasse, porque esse é a lei da seleção natural, os mais fortes sobrevivem, os que se adaptam melhor e mais rápido.

Eu estava ciente que em algum momento da minha vida, a minha felicidade individual não seria mais suficientemente boa e eu começaria, talvez até inconscientemente, a procurar uma felicidade interdependente. Eu estava ciente que em algum momento eu teria que me relacionar com outras pessoas, trocando informações, sentimentos e momentos, porque o envolvimento com outras pessoas é inevitável, e exatamente por isso é algo que nos causa tanto sofrimento no mundo atual.

É extremamente impossível viver sem contato com outras pessoas, porque somos movidos pela satisfação das nossas necessidades pulsionais, nossas necessidades de contato físico, sentimental ou emocional.

A felicidade é um desafio individual, ou seja, cada um deve procurar aquilo que lhe satisfaz e que lhe trás plena felicidade, pois pra cada um de nós será algo diferente.

Por isso, estou desistindo de você.

Estou desistindo de você e estou desistindo hoje de algumas etapas da minha vida, porque estou a todo momento tentando passar pelo meu desafio individual e encontrar a minha felicidade plena.

Meu corpo pode ser frágil, o mundo pode ser cruel, as pessoas podem ser difíceis de lidar, mas a felicidade não é impossível de alcançar.

Ariane Moura, publicado em; https://arianemoura.com/

Nós não éramos

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Esperei pacientemente as ondas turbulentas dentro do teu peito passarem, para assim, finalmente saber o que realmente desejava pra vida. Ajudei pacientemente, a encaixar as peças do seu quebra-cabeça que estava desmontado, fora de ordem e com muitas peças perdidas.

Eu esperei você passar pela nuvem nebulosa de tristezas, melancolias, duvidas e mudanças constantes de humor.
Tentei entender cada ponto existente e possivelmente criado dentro da sua cabeça. Mantive a paciência e segurei sua mão, em todos os encontros e desencontro que a vida lhe causou, até descobrir, certo dia, que eu tinha conseguido trazer paz pra sua alma, amor pro seu coração e felicidade para sua vida.

Naquele exato dia, em que descobri que eu morava em uma parte dentro do seu peito, foi o dia em que eu soube que estava tudo bem e que qualquer coisa a partir dali, poderia ser superada, melhorada e absorvida.

Eu estava crente que nada no mundo poderia mudar minha concepção de que a vida tinha sido tão difícil até então, porque o melhor estaria por vir e naquele instante, o melhor estava dentro de nós e mais coisas boas aconteceriam. Eu estava tão crente, que esqueci de reparar nos pequenos detalhes que faziam a total diferença.

Que vida fraudulenta, não?! Eu estava tão cega pelo que éramos e muito mais pelo que poderíamos nos tornar nos próximos anos, que esqueci de perceber que você não sorria mais quando eu entrava pela porta. Que a intensidade do amor tinha mudado, junto com as palavras carinhosas que tanto proferíamos um ao outro meses antes.

Eu esqueci de ver que já tinha acabado. Que você tinha abandonado tudo, o amor, o querer ver bem, o respeito, carinho, simplicidade e o futuro.
Tínhamos um fim, dentro de um presente, que fazia nosso futuro jamais existir.

Eu esperei e pedi, incessantemente, para que as coisas fossem melhores e prosperassem como flores em uma primavera. Mas tem coisas, que não são pra ser.

Nós não éramos, apesar dos esforços, não éramos.

 

Ariane Moura, publicado em: https://arianemoura.com/

Permita-me ser sincera

Young couple sitting on bench outdoor.
Young couple sitting on bench outdoor.

Acordei com vontade de faltar no trabalho e me entregar aos teus braços. Dane-se o universo, se eu poderia ter um coração para morar, olhos para admirar e boca para me perder, pra que viver nesse mundo que só sabe me reter?
Eu poderia bater na sua porta, ou já ir entrando e descobrir que você ainda não acordou, deitar ao teu lado e ficar lá até o anoitecer.

Me esquecer de trabalhar, comer ou ligar o celular. Me esquecer de levantar ou respirar, porque você tira o meu ar e faz-me querer desligar do mundo só pra deliciar o sabor da tua companhia.

Acordei com vontade de tomar um café, sentar em um lugar qualquer e desfrutar da sensação de olhar teus olhos e conversar. Conversar sobre o tempo, a vida, música, filme, pessoas ou apenas manter o silêncio e sorrir ao perceber que nossos olhares se cruzam a cada gole.

Acordei com vontade de ser aquele casal feliz. Que não tinha um universo de coisas para enfrentar ou obstáculos para superar, que não tinham tomado rumos diferentes ou tomado decisões inconsequentes.

Queria acordar e ver que ainda é primavera, as flores cresceram e se encaixaram num buquê destinado a mim e que pra retribuir, meu coração destinou-se a você . Ou que é sábado, você ainda dorme, eu te olho franzir a testa como se o sonho não estivesse bom e faço cafuné pra afugentar o pesadelo, você sorri e volta a dormir.

Fazendo-me aconchegar mais pertinho dos teus braços até você me envolver neles e dormir. Porque ainda tá cedo, a gente pode dormir até mais tarde.

Ainda tá cedo, mas o tempo passa voando meu amor. Enquanto ele passa, eu passo a ser sincera em dizer que quero a primavera, você, mais e mais tempo. Pra dar tempo de viver, sem deixar de desfrutar cada sabor do seu amor.

Ariane Moura 

A garota na teia de aranha

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Ela parou de se olhar no espelho por dias, seu reflexo era inaceitável, tinha vergonha de olhar seus próximos olhos, lábios e expressões, tinha vergonha não por falta de beleza, porque isso não lhe faltava. Tinha vergonha de se olhar por ter deixado alguém a afetar tanto. Por ter deixado que alguém tirasse a luz dos olhos ou o sorriso espontâneo. Teve vergonha dela mesma, por ter deixado tanto tempo, tanta coisa acontecer e não ter impedido nenhum momento.

Ela tomava banhos para lavar o corpo, mas com esperança de que aquela mesma água também lavasse sua alma. Levasse seus pensamentos e acontecimentos embora pelo ralo. Esperava sair de lá como nova. Mas só saía com olhos vermelhos, como sempre.

Ela esperou por mudanças até o momento em que decidiu ser a mudança. E ela mudou. Ela melhorou.

Ela sabe, que viver andando pra frente, mas sendo puxada para trás, não é viver. Ela aprendeu que estar mais pra baixo do que pra cima, não é viver.

Ela aprendeu a precisar dela mesma, e amar ela mesma, pra não precisar amar ninguém um tanto demais.

Ela cresceu. Amadureceu. Floresceu.

Ariane Moura, publicado em: http://arianemoura.com/

Primavera

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Passam-se dias e meses
Passam-se anos
Mas a primavera sempre vem pra fazer seu papel

Deixar que as flores mais bonitas floresçam
Primavera me faz lembrar seu amor
Que desabrocha dentro de mim como uma bela rosa
Esperando para ser exposta ao sol e balançada pelo vento

Algumas flores por não terem água, sol ou vento o suficiente
Mal nascem e logo morrem
Mas seu amor dentro de mim não
Ele é regado, cuidado e amado
Por cada parte da sua alma
Que insiste em se juntar com a minha
E fazer dentro de mim
Um jardim para se perder

Se perder num mar de flores
Num mar de amores
Que formam ondas toda vez que meus olhos cruzam os teus
Que formam flores que florescem toda vez que toco sua pele

Você em mim age como a primavera num jardim
Floresce e cresce, colore e revigora, tudo em amor.

Ariane Moura , publicado em: http://arianemoura.com/

Sensações

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Sorriso atraente, que logo sinalizava problema.

Ombros largos. Alto. Olhos atordoantes, mais vivos e brilhantes que a luz da lua, ou qualquer luz existente. Brincadeiras sutis, mas encantadoras.Romantismo saindo pelos poros, chamando quem estivesse perto. Cada movimento era estratégico.

Como se ele lê-se meus pensamentos, olhou diretamente para mim, como se nada mais estivesse ao nosso redor. Ele era bem reservado, não demonstrava abertamente seus sentimentos e não era legivel, eu por outro lado, era transparente como cristal.

Não conseguia esconder ou ao menos disfarçar, o quanto aqueles olhos me afetavam, o quanto nossos corpos agiam como ímãs. Tudo em nós combinava, inclusive um sentimento nos unia e brincava dentro de nós quando nossos olhares se cruzavam. Parecia ser estranho sentir isso, com toda a intensidade que tinha.

Independente de todas as circunstancias que nos envolviam, algo dentro de nós, lá no fundo, nos dizia que o importante era nos sentirmos bem, o resto era possível superar. Juntos.

Ariane Moura, publicado em: http://arianemoura.com/

Quando os pensamentos são maiores que os espaços destinados á eles.

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Pela primeira vez eu achei que as coisas fossem caminhar vagarosamente, sem problemas ou pensamentos inquietantes, mas eu estava enganada.

Você é um enorme quebra-cabeça, daqueles que nem o próprio autor saberia montar com facilidade. Você tem suas dúvidas, suas crenças e traça milhares de rotas que poderia, quer e vai seguir. E isso sinceramente me assusta, me assusta pelo fato de que tudo à minha volta, por muitos anos, ter sido uma completa desordem. Eu nunca soube o que queria, o que faria e onde eu gostaria de chegar.

Mas um dia a gente acorda e vê que o “talvez” é tão pouco habitável que precisamos de um lugar concreto ou ideias concretas pra viver e se basear. Um dia a gente acorda e percebe que viver na corda bamba não é viver, é sobreviver. A gente quer um chão pra pisar, mas a cabeça ainda pode sonhar.

Eu passei anos na corda bamba, hoje eu quero ter a certeza que eu vou acordar amanhã e ainda compartilhar sentimentos e reviver momentos em prol da felicidade.  Quero acordar e ver que você quer estar aqui e quer permanecer aqui. Quero por um instante, e assim talvez, uma vida, viver num mundo de certezas e verdades. Onde meu coração possa habitar sem medo de ficar, e tudo volte a ser flores onde agora é furacão.

Se for pra ser, que seja concreto.

Se for pra acontecer, que aconteça com amor.

Ariane Moura, publicado em: https://arianemoura.wordpress.com/