Eu te proponho

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Aparentemente eu não sou muito, nem tenho muito, mas se da sua boca eu ouvir um sim, talvez eu consiga ser sim, muito. Posso tentar clarear no escuro, queimar no inverno, passar sono e fome sorrindo ou nadar contra a correnteza, tudo em busca de um sorriso tímido ou exagerado que você possivelmente saberá me dar como recompensa.

Eu te proponho que me dê a mão. Para que os nossos dedos se entrelacem e que o nosso toque possa ser a conexão mais firme que já existira entre dois corpos. Eu te proponho um ombro para confortar a tua cabeça nos dias difíceis e uma mão para acariciar o teu rosto, de forma que meus dedos ásperos consigam explorar cada centímetro dessa beleza que compõe essa tua face que tanto me agrada e me encanta e me fascina e me faz admirar-te nas tardes em que passa por mim e deixa pelo caminho esse aroma insaciável do teu corpo.

Tenho azia de amor. Queima por dentro de maneira que nenhum medicamento consegue fazer parar. Mas eu te juro que com um beijo, eu fico bom rapidinho. Por você eu troco planos, refaço sonhos, desfaço os nós e até corro quilômetros. Dou-te meu braço, meu abraço e te coloco para dormir.

Prometo-te cansaço na madrugada e em seguida descanso no conforto do meu peito. Voz mansa, toque leve e sussurros. De alegria. De amor. De gratidão. Eu te proponho sorriso, apoio, respeito, perdão, amor e um cafezinho. Todos eles bem quentinhos.

Eu te proponho paz e tranqüilidade, mas também te prometo ações, sensações e situações de gelar a barriga e suar a mão. Eu te proponho nervosismo com a calmaria do meu apoio, porque é claro que eu sempre estarei aqui ou aí ou ali para o que der e vier com você, do seu lado ou na sua frente para que a sua proteção seja propriamente mais bem designada.

Eu te proponho tantas coisas boas. Coisas inimagináveis, ou incalculáveis ou inexplicáveis,porque te amar é o código mais indecifrável que já pôde ser criado dentro de mim. Eu te amo sem receio. Sem medo de danos. Sem medo de pisar em falso. Porque este querido amor que ousa pesar no meu peito é tão firme que consegue manter o equilíbrio por nós dois.

Diz que sim. Vem pra mim. Fica aqui. Eu te proponho felicidade e um amor bonito para contar para os nossos futuros netos, quando os cabelos perderem a cor e a velhice chegar.

Wesley Néry, publicado em: http://wesleynery.blogspot.com.br/

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Ela

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Hoje eu resolvi falar dela. Dela que, era para estar aqui hoje, amanhecendo diariamente do meu lado e construindo uma linda história como planejamos. Para escrever sobre, eu tomei algumas doses de whisky. Gosto do efeito meio tonto que ele me causa porque me faz lembrar que ela também tinha essa habilidade. Deixava-me tonto de amor. De prazer. De satisfação. De felicidade.

Costumo lembrar-me dela como o drama teatral mais bem escrito que já houve. Desses que vai do céu ao inferno sem perder a essência e o sentido. Confunde em alguns momentos, prende a atenção do público e no final recebe um coro de aplausos por ser único na sua forma mais intensa de ser. Ela é assim. Um drama. Um enigma. Um teatro. Uma arte.

Quando a conheci, o coração tratou logo de acelerar os batimentos. Acionou o botão suor e começou a rodar a engrenagem que ativa o nervosismo. Meu Deus, como eu estava nervoso. Já ela, livre, leve e solta. Estava completamente desamarrada de qualquer tipo de timidez. Ela estava presa era dentro da liberdade de falar o que pensava sem temer as conseqüências.

Como qualquer história de amor, depois dali tivemos inúmeros outros dias que nos proporcionaram gargalhadas e descobertas. Fomos de lanchonetes a bares, de teatro a cinemas, de bancos de praças a rodas de amigos até que por fim, nasceu um compromisso que já era merecido.

Preciso dizer que ela é a forma mais sólida da palavra maravilha. Ela sabia ser maravilhosa na fala, no sorriso, no jeito, no andar e na marra. Sabia ser maravilhosa no banheiro, na cozinha, na cama e na sala. E assim como este whisky arde quando entra, ela também me queimava por dentro com toda a entrega que me dava. Era quase uma explosão de tanto amor.

Bom, foi uma delícia, mas se fosse hoje, eu não teria tido a iniciativa de iniciar o nosso fim. Permaneceria levando do jeito que estava, porque sinceramente, estava tudo perfeito. Sem tirar, nem por. Sem explicar, nem cobrar. É que após o rótulo ‘namoro’ chegar, o tempo que não ficava chato começou a ficar. As coisas que nunca perdiam a graça começaram a perder o sal. E, sem sabermos como adicionar novos ingredientes, permanecemos como achamos que deveríamos.

Agora falando no passado como tempo verbal, ela era a mais. A boa. A melhor. A tal. A que podia tudo. A que fazia tudo. A que sabia ser tudo. Ela foi a minha história mais bem vivida até deixar de ser. E nossa, quando o final foi tomando forma, as coisas mudaram tanto. Nós mudamos tanto. Tudo se modificou de uma maneira tão estranha que eu não consigo acreditar na possibilidade de que nós fomos quem permitimos que o caos tomasse conta. Na verdade, acredito que tinha realmente que acontecer. Que o fim tinha que chegar. E que nós, no final das contas, tínhamos que nos tornar apenas lembranças um do outro.

O amor que juramos ser eterno parou na esquina. Deixou de fazer sentir e nos partiu ao meio. Poderia ter sido diferente, talvez. Mas ela era tão dos vera. Daquelas que decide sem medo. Que não espera. Com ela era vai ou fica. Não insista. Hasta La vista.

Ela deixou de ser minha no momento em que o amor deixou de ser nosso. Ela se foi, eu fiquei. O tempo passou, eu “reamei’. E remei. E nadei. E atravessei tantos rios, mas nenhuma correnteza foi forte o suficiente para me fazer esquecê-la. É que além de tudo, ela soube ser inesquecível da sua maneira mais despretensiosa e intensa possível.

Wesley Néry