Eu quero te invadir

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Eu quero te invadir, e levar comigo o seu encanto inocente. Levar para as minhas quimeras, os meus diálogos ensaiados e mostrar como sou cadente de te apresentar aos prazeres da vida.

Mulher do caminhar meigo, dos passos cautelosos, da bolsa rente ao corpo, do sorriso estendido em pleno dia nublado, das inseguranças profundas, das certezas não assentidas… Me deixa te mostrar que o amor não voa, flutua. Ele plana entre o carinho, respeito, a safadeza e a vontade de te mostrar que a vida é muito mais do que idas e vindas de um cinema e jantares com despedidas dignas de um vidro embaçado em um carro estacionado numa rua despovoada.

Quero fazer-te se apaixonar, não por mim, mas pelos conhecimentos empíricos que a vida está louca para nos apresentar. Vem comigo, me deixa deixar-te com essa mudez gostosa, me deixa sem interrupções intumescer os nossos beijos instigados por um tesão ainda insondável, e assim lhe assegurar que os prazeres íntimos aos poucos enchem a nossa urna da felicidade branda.

Não prometo mundos, nem fundos, prometo sorrisos intermináveis, todos eles sem explicações… Eles são gostosos do jeito que são, e quando, chegarmos ao fundo do poço da piedade, irei sorrir como um belo imbecil ocasional que sou, e lembrar-te que melhor chegar ao fundo, do que continuar caindo.

Frederico Elboni

Espero nunca trocar os meus amigos pelos meus amores

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As coisas se sucedem, a gente muda com a gente e com os outros. Saímos do colégio franzinos, e vamos à vida. Largamos os encontros diários das possíveis amizades, e cada vez mais os amigos viram colegas e os colegas possíveis conhecidos. Alguns casam, outros viajam, trabalham muito ou criam em si uma mentalidade de uma velha de 70 anos.

Apesar de todos essas mudanças quero continuar com os mesmos valores, os mesmos sonhos e ser imune as mudanças que sociedade tentará me impor. Prometo, pra mim, que sempre serei eu, simples, bobo e articulador de todas as minhas virtudes com um sorriso no rosto.

Espero também não ouvir de ninguém que mudei. Sei que os tempos ficam escassos, os amigos raros, as felicidades dribladas nos cotidianos cada vez mais rotineiros e os trabalhos incessantes. A gente cresce e muda de opinião, de amigos, de vivências… Mas não podemos mudar de essência. Espero ter maturidade para continuar sempre assim. Mesmo quando eu conquistar o mundo ou coração de alguma louca por aí.

Amigos, daqueles que são possíveis de contar até na mão esquerda do Lula, deixo aqui escrito um texto atemporal. Algo que tem como objetivo deixar a nossa amizade forte e intacta, e que quando eu, por um acaso ou por uma louca vestida de tenista, me desviar do que sempre fomos, venham aqui e puxem a minha orelha.

Peço desculpas pelos momentos que faltei nas viagens programadas, ou quando peguei no pé de vocês para largar a namorada pentelha e vir comigo para alguma jornada louca das minhas. Peço desculpas com as piadas bestas regadas de pouco esmero e muita sacanagem. Peço desculpas pelas ligações bêbadas durante a madrugada com histórias de pouca compreensão. Peço desculpas pelo ímpeto arredio e pela cara de bunda quando, sem motivos genuínos, não me deixavam ficar no ataque durante o nosso religioso futebol do final de semana.

Apesar dos pesares espero que as nossas desavenças tenham sido agregadoras de fortalecimento. Então, caso um dia eu não esteja mais aqui lembrem desse texto. Pois além de ser charmoso, acho que seria bem a minha cara deixar um testemunhal sensual desses. Quero poder vê-los sempre que possível para bebermos e lembramos das histórias que trilhamos juntos. E assim espero nunca trocar os meus amigos pelos meus amores. Sejam eles o meu trabalho ou as mulheres.

Frederico Elboni

A vida e seu charme

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A vida é charmosa. Como você. Você é mais safada, claro. Mas isso fica só entre nós. Juro. Sabe, que nesse emaranhado de sonhos e safadezas a vida nos guie da forma mais charmosa possível e nos ensine a transmutar de inspiração a cada beijo estalado. Que ela mude as nossas opiniões, mas não a nossa essência.

Que ela mantenha a nossa vontade de estarmos juntos, sempre safada, manhosa, cheio dos mimos sexuais e desejos estampados na cor da sua calcinha. Que ela deixe os nossos sonhos cada vez mais palpáveis. Que ela não nos deixe racionalizar o amor. Que ela enalteça cada vez mais o nosso mutuo orgulho e admiração. Mas principalmente que ela não nos deixe esquecer o quanto o amor precisa de sorrisos e esmeros diários para sobreviver nessa constante guerra de emoções.

Então nessa vida só me deixa acabar contigo, e como consequência, deixar a vida acabar com a gente da forma mais charmosa possível…

Frederico Elboni

Ela não volta

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Você quer que ela volte, mas ela não irá voltar.

Você cria esperanças, expectativas e sonha como seria se ela estivesse ali de novo. No meio de nós, forte, ininterrupta, constante… O carinho pode continuar, o tesão pode continuar, a vontade de continuar pode continuar, mas sem ela definitivamente fica difícil continuar. Com ela se vai o orgulho, o brio, a admiração e todos agregadores de um relacionamento que a sociedade define como estável.

A partir de agora cada atitude será olhada de forma contestável, cada discussão será uma retomada para os mesmos argumentos e cada vez mais a paciência de cada um vai se esvaindo ao sempre defender a mesma tese.

O tempo não volta, ela não volta, a gente não volta. E mesmo se a gente voltar, a gente não volta… E assim ela se vai, como o brilho do sol em dia de chuva. E a saudade fica, não exclusivamente de você, mas da recíproca confiança que tínhamos.

Frederico Elboni

Nos entendemos assim

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Só consigo pensar besteira, ver um filme contigo até o fim então, impossível…

São as minhas besteiras, minhas sacanagens, às vezes carinhosas, às vezes selvagens, mas com o mesmo objetivo de sempre: sorrisos ofegantes e guerra de travesseiros pós-sexo.

A troca é simples, você sentir-se mais mulher do que nunca, e eu saber que estou conseguindo fazer isso, ou pelo menos achar que estou. Talvez eu não corresponda às suas expectativas, nem você as minhas, mas que tal deixarmos essa coisa de expectativa para depois junto com as toalhas molhadas na cama e a gilete rosa no canto do chuveiro?

Você me conhece, sou meio pentelho, eu sei… Mas qual graça teria se depois de uma noite você me perguntasse se eu gostei e eu respondesse sim? Não seria eu. Então te olho com a minha cara mais sacana e respondo: já tive melhores.

Você ri e fala para eu deixar de ser idiota. Pronto, a partir desse momento você correspondeu as minhas expectativas.

E assim cada vez mais vamos progredindo nessa relação regada de safadeza, encharcada de carinho e mantida pela nossa, e somente nossa forma de nos entender.

Frederico Elboni