Enquanto te observo

tumblr_li0td3vvRd1qgjhaxo1_500

E agora comigo aconteceu o que eu já não mais esperava. Eu sorria igual boba e todo mundo notava. O amor me laçou como boi no pasto e não tem mais como fugir.

Durante nossas noites juntos, aquele cheiro de felicidade sempre impregnava no ar, e eu só te observava viver. Ficava ali calada, te olhando de canto de olho, enquanto você sentado me contava seus casos. E como você vive bonito! Com esse sorriso no rosto e o som do riso estridente sempre por onde você passa.

Ir embora da sua casa já me faz ficar triste. Como pode você fazer morada dentro de mim? E só de fechar os olhos já da pra ouvir a sua voz. E é incrível como isso não me assusta nem um pouco.

Quem diria, mais uma vez eu me envolvi e tudo é tão reciproco. Eu já começo a sonhar, fazendo planos pra nós dois, cultivando nossas flores no jardim da nossa casa em Londres. Eu sentada na cadeira lendo enquanto ouvia o som dos seus acordes preferidos no violão todas as noites. Parece perfeito, não?!?

Quando percebi já estava envolvida, ufa! Que alivio, finalmente te achei! Agora quero fazer o nosso laço, nossos traços, nosso canto. É hora de retirar os meus tênis velhos do passado e descansar, agora tenho alguém pra caminhar junto. Parei de correr sozinha…

Carol Viana, publicado em: https://naquelefazdeconta.wordpress.com

Quando falo de saudade

images (1)

Quando falo de saudade logo lembro de Belo Horizonte, do abraço da minha avó, das risadas que dava com a minha mãe, das vezes eu que senti orgulho do meu sobrinho, do meu cachorro, de dormir na minha própria cama, dos meus amigos, de comer pão de queijo e frango com quiabo e das idas na fraternidade.

Quando falo de saudade me vem também você. Fazem quantos dias mesmo? Três ou quatro, certo? Parece que já se passaram um ano, que aperto no coração e aflição eu sinto. Todo segundo lembro a cada momento de nós dois, e que mistura de sentimentos isso me causa. Vou da raiva ao amor em uma escala rápida de tempo. Meu medo maior é te encontrar na rua ao acaso, confesso. E ficar com o coração disparado de novo.

Por mais incrível e impossível que pareça eu gravei teu cheiro e muitas vezes parece que ele está agarrado na minha roupa. Cantar todos os dias uma música para você já está sendo difícil, confesso. É difícil controlar meu tom quando os olhos se enchem de lágrimas sem que eu perceba.

Mas por que diabos a gente tem que se amar e tá separado?!? Por que diabos eu tenho que me contentar em acostumar ser uma amiga?!? Eu sou, na verdade sempre fui, mas é difícil não ter saudade.

O tempo vai dizer em qual das quadras do Leblon ou Ipanema nós vamos nos encontrar de novo, e se isso será amanhã ou daqui a dez anos. Enquanto isso nossa aflição vai aumentando, nosso sentimento vai passando. Mas só me prometa uma coisa, “fica sempre assim. Assim como? Perto.”

 

Carol Viana, publicado em: https://naquelefazdeconta.wordpress.com

Queria me enjoar de você

02

Há anos nada me preenchia. Era vazia, boneco de neve frio e apático. Abri os olhos vi aqueles cabelos compridos. Bateu. Sempre a procura de algo novo que preenchesse achei que esse momento nunca ia chegar. Enfim, meu coração foi preenchido, estava quente novamente e a neve derreteu.

Do beijo nas minhas mãos, do toque tímido e envergonhado, sorriso com sorriso, beijo e saliva. Filme no escuro, e pele que nunca havia sentido, lisa e cheirosa. Aqueles cabelos tão compridos e de um castanho tão bonito, envolviam os meus dedos que iam dançando pelos seus cachos, Sua voz grossa que cantava os Beatles e me beijava, nuca, rosto e lábios. Fazíamos uma dança perfeita onde entre um sorriso e outro haviam abraços e sempre aquele medo e frio na barriga. Tínhamos medo de gostar, sem saber que já estávamos gostando.

Envolvidos em juras, gargalhadas e carinhos, nós só queríamos continuar na nossa solidão constante e acalentadora, Dançando com o “eu sozinho” e fazendo do nosso caminho mais certeiro e menos perigoso para o coração. Queríamos, queríamos, só não conseguimos…

Os dias com pensamentos em cálculos e textos já tinham passado. Agora só pensamos em nós e nosso inteiro. O inteiro que agora era um do outro.

“Queria me enjoar de você.”

Carol Viana, publicado em: https://naquelefazdeconta.wordpress.com