Histórias de amor

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Adoro histórias de amor, só que com o passar do tempo estou acreditando que nasci para falar dele e não o viver. Minhas amigas ou namoram, ou passam a maior parte do seu tempo apaixonadas por um cara. Quanto a mim? “Ah, esse não! Mds, como ele escreve errado”, ou “Olha o gosto musical dele, não rola mesmo”. Sou a da turminha que sai para não pegar ninguém, sabe? Não que eu queria pagar de Madre Tereza de Calcutá, loooonge de mim, só que nunca acho ou dificilmente acho um cara que se adeque ao meu perfil.

Para alguns posso ser a rabugenta idealizadora, porem me vejo sendo a que não aceita qualquer coisa. Minhas histórias de amor são todas uns fiascos, que terminam com um fim trágico para a mocinha, no caso eu. Meu primeiro amor me dispensou porque eu era gorda, meu último amor me traiu. Se eu te contar os amores que aconteceram entre o primeiro e o último, você chora ou ri litros, caso goste da miséria alheia.

Na realidade chamo de amor para ficar algo mais poético, porque nenhum foi amor, talvez tenha sido enquanto durou, ou até mesmo antes de começar a existir propriamente dito. Acabei de sair de um relacionamento, que deveria ter me deixado traumatizada, talvez tenha me deixado desequilibrada, mas aqui estou eu, pronta para recomeçar. Acho que estou ganhando maturidade e até uma certa proteção emocional, caso isso seja possível.

Não que o meu recomeçar signifique entrar em um novo namoro, não! Quero um tempo de compromissos, meu coração precisa ficar um pouco livre, acordar alguns dias se lamentando por ser sozinho e outros festejando o mesmo motivo. Não que eu transfira a culpa de todas as canalhices que fizeram comigo, para mim, porem acho que os caras que fizeram isso comigo não são tão malvados assim, devem ter aprendido a ver o amor dessa mísera forma, enquanto eu, esperava que fossem parecidos com algum personagem de um livro pelo qual me apaixonei.

Peço desculpas a todos por essa traição, de identidade ou sentimentos. Tudo que aprendi do amor veio de um bom livro de romance ou dos meus desastres amorosos. As vezes quando minhas amigas me chamam para sair e digo que estou indisposta ou que ninguém lá vai me interessar, elas alegam: “Quem te garante? O amor de sua vida pode estar lá”. Sim, por um tempo isso me convenceu, sou crente fiel do acaso, e tenho muito amor por ele, sempre me apego mais ao que encontro por acaso, seja lá um objeto qualquer ou uma pessoa muito importante.

Enfim, voltando ao amor da minha vida, acho que nesse exato momento ele pode estar em casa, deitado na cama, cheio de coisas para fazer, mas escrevendo uma crônica me idealizando, assim como estou fazendo agora, não acredito que vá encontra-lo em uma festa, a não ser que esteja na fase de acreditar que precisa dar uma chance as festinhas e bebidas, fase da qual já sai, com um baldaço de agua fria, mas sai.

Certa vez me falaram que tenho cara de quem vai encontrar o meu príncipe em uma biblioteca ou em algum parque num fim de tarde, e eu fiquei feliz, porque assim irei saber que em um domingo preguiçoso está comigo e um livro será o seu programa predileto e que a preguiça de gente efêmera vai reinar entre a gente.

Só que não posso esquecer que a vida é uma caixinha de surpresas e talvez o cara que vá roubar meu coração seja aquele boçal que sinto tanta preguiça. Estou aprendendo que a imprevisibilidade é a melhor parte do amor.

Mailin Carvalho

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