Se não fosse por você, eu estaria sozinho.

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Vinha sofrido de histórias passadas. Daquelas que tinham marcado a alma e gravado a decepção tão forte na cabeça que não acreditava ser possível encontrar alguém para sorrir assim tão abertamente. Para sorrir de verdade novamente. Passei a crer – de pés juntos e cabeça baixa – que o Amor continuaria me reservando uma faceta ruim e que estava sempre fadado a fracassar.

O Amor nunca fracassa, aprendi.

Aos que acabam transformando-o no peito durante a relação, certamente ele acaba em um sentimento diferente. Aos que provam de alguma traição, há sempre o Amor na possibilidade do perdão – mesmo que se decida não olhar mais na cara da pessoa. Aos que se desiludem, o Amor acaba retornando fantasiado de uma nova oportunidade. E assim foi comigo.

Teu Carinho, por fim, se tornou o meu melhor amigo. Algo que me esquenta nos dias de inverno e que me faz sorrir mais largo nos dias de Sol. Daqueles que tece clichês no pé do ouvido e surpresas nos dias mais rotineiros. Sem dúvida levarei para sempre as cicatrizes que, por ensinamento da Vida, não preciso esconder, mas a cicatrização do meu peito vem diretamente ligada à tua presença comigo.

Se não fosse por você, eu estaria sozinho.

O mais engraçado é que, durante um certo tempo, eu lutei contra tudo isso que nascia em mim. Você vai se lembrar das negativas, dos arroubos de lágrimas e das brigas que tinha quando você insistia. Essa história de “quero te fazer feliz” não colava. Hoje eu sei que você entrou na minha história para me fazer bem mais que feliz. Você apareceu pra me re-ensinar a viver.

A gratidão acontece nos meus beijos, nos meus abraços. Me desculpa se, às vezes, eu cobro algo, se eu tenho ciúme, se eu acabo me excedendo. Ainda carrego um resto de medo, mas a cada dia a confiança vem aumentando. A cada dia você devolve o brilho; meu e da vida. E vejo que estamos dando certo. O Amor nunca fracassa, isso é certo.

Ele apenas espera para se entregar de novo.
Quando a recíproca for verdadeira.

Gustavo Lacombe, publicado em: http://gustavolacombe.com.br/

O Cheiro do Teu Cabelo

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Eu sinto falta do cheiro do teu cabelo.

De como ele grudava na minha camisa e, mesmo que longe, parecia que você ainda se aninhava no meu peito e me olhava. E, logo depois, começava as suas frases com aquele apelido que só você usava. Aí, aquela imensidão de fios caía sobre mim quando se mexia e vinha pra cima. A boca, sempre quente, se abria para o beijo no exato instante em que passava a perna, parecendo querer me prender.

Podia ser no sofá, nas almofadas jogadas no chão da sala ou na sua cama que, de tanto ranger com nós dois, teve o colchão promovido ao nível do solo. Imagina se a gente iria querer acordar quem estava no quarto ao lado, né? E, depois de todo amor feito, eu te abraçava, sentia teu calor e não me preocupava com o suor que escorria nos nossos corpos.

Quando me levantava, dava de cara comigo no espelho do banheiro. Por vezes me peguei olhando dentro dos meus próprios olhos e dizendo “você tem muita sorte, cara”. Olhava pra trás, te via de costas e nua. E, quando você virava, percorria meus olhos por toda a sua extensão. Pernas, coxas, barriga e colo, mas meus olhos sempre paravam nos seus cabelos.

Mesmo depois de analisar nariz, queixo, boca e olhos, eu ainda tinha fascínio pelos cabelos. Lugar preferido de pouso das minhas mãos (ainda que teu quadril, bunda e peitos fizessem forte concorrência). Ali, elas se embolavam e ficavam. Tal qual alguém que se embrenha num labirinto sem querer achar a saída, esse era eu nos teus lençóis, sem querer encontrar despedida.

Os dias facilmente poderiam se resumir a nós dois. Literalmente dentro de você, além da morada que um já tornara o coração do outro, vivíamos o ápice de um amor tão surrado, maltratado e acostumado a idas e vindas, brigas e reencontros, mal entendidos e explicações, mordidas e sopros, saudades e chegadas, choros e risos, acasos e o cumprimento de um destino.

Eu sinto falta do cheiro do teu cabelo.

Gustavo Lacombe , publicado em: http://gustavolacombe.com.br/

Retribuição

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Você me olha de um jeito e é certo: eu não vou parar. Continuo por conta do bem que você me faz e por tudo que tem me feito sentir. É uma forma de carinho. Você acha que vale a pena interromper nesse momento? Claro que não. E, logo depois, sei que você vai acabar falando. Vai verbalizar o que seus olhos já gritam.

Continuo porque teu sorriso me dá combustível pra encarar todo o resto. E você não sabe a delícia que é te ver perdendo o fôlego e abrindo a boca em risos e sons. Faço por isso, pra te dar um pouco do prazer que tenho por te ter comigo. Às vezes, quando estou longe, tenho a sensação da tua mão me percorrendo e fecho os olhos para aproveitar a miragem.

Agora, tão perto, não paro até que seja feito que for da tua vontade e o corpo se dê por satisfeito. Acho, às vezes, que se nos esforçássemos mais para colocar alegria na vida das pessoas que gostamos, só por compensar o presente de tê-los, seríamos seres melhores. E eu não vou parar. Continuo até que você se ria toda. Até que eu consiga te mostrar o tamanho do carinho.

Porque tudo isso que faço é mais uma tentativa de retribuir o prazer de ter você comigo.

Gustavo Lacombe, publicado em: http://gustavolacombe.com.br/

No meio da tua bagunça

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Morro de vontade de saber da tua confusão.

Me perder nos teus detalhes, tuas vontades malucas, teus segredos. Me embrenhar sem medo algum pelas avenidas de indecisões, desviando de “sins” e “nãos” e muitos “quem sabe”. Toparia com seus “hum”, seus “oks” e levantadas de sobrancelhas que já me diriam tudo sem palavras. E já cogitando voltar por vielas de surtos de “quero-viver-tudo-agora” em que você sai batendo a porta e mal olha o que ficou sem arrumar, não teria medo de ficar ali quietinho esperando a sua volta.

É confusão atrás de confusão em ti, eu sei.

Fico imaginando se, depois de você rever um lance aqui e ali do seu dia antes de dormir, me encontrasse te olhando com essa minha cara de bobo de sempre. Sabe aquilo de quem tira uma blusa de cima da cama e acha algo que muito estava precisando só que não conseguia encontrar? Seria eu, de repente na sua frente. Ali, entre todas as tuas coisas, seria apenas mais uma delas. Logicamente seu.

Nem ao menos desejaria a pretensão de ser a mais importante. Me tornaria fundamental aos poucos, se assim fosse possível. Morro de vontade de ver tudo isso de perto, vivo no desejo de ser tudo isso, de certo. Já imaginou isso tudo? Eu já. E se você ousar insinuar que no meio de todos os seus pensamentos e devaneios eu me tornaria mais uma das coisas perdidas, permita-me dizer, meu bem, que a gente sempre se acha no meio da nossa própria bagunça.

E eu sempre quis ser seu ponto de encontro nela.

Gustavo Lacombe, publicado em: http://gustavolacombe.com.br/

O que é verdadeiro persiste.

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Às vezes, abre mão e desiste, mas entende a diferença entre o que existe e o que meramente insiste. Dos sonhos a simples esquisitices – essas vontades fora de hora, vigora aquilo que no peito aflora. E, ainda que seja ignorado por ora, volta e meia se revolta e mostra que ainda resiste.

Já tentou jogar fora alguma coisa e, no dia seguinte, viu que tudo estava ali de volta? Maluquice, eu sei. Mas adianta brigar com o que já criou raiz? Segue feliz, amigo. Não liga. O que é pra ser tem mais força do que a gente pensa, mas tudo também vai depender de como a gente pensa.

Sei que, sim, o que é verdadeiro persiste.

Às vezes, persiste como dor, outras, como uma simples saudade. Pode se passar por cima. Pode ser que encontre mais um motivo qualquer – para esquecer ou lembrar – na próxima esquina, mas o que é verdadeiro é uma praga. No final das contas, é aquilo que essa gente tonta repete à torto e direito nos ouvidos de quem sabe que carregar tal coisa não é defeito.

É apenas o que se sente. E o sentir é para os fortes. Só eles entendem que essa persistência é a virtude de algo maior que o entendível. É que o verdadeiro insiste. Não, calma. Existe. Péra. Persiste. É, isso aí mesmo. Sabe lá o que cada um faz dele, mas o verdadeiro tem uma força além do entendível. Incrível.

O verdadeiro persiste sendo não perecível.

Gustavo Lacombe, publicado em: http://gustavolacombe.com.br/

Tudo que aprendi sobre ela

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Acumulei mais conhecimentos sobre ela do que matéria vista durante os anos de colégio. Talvez o ano que passamos juntos tenha me servido de laboratório pra ser uma pessoa melhor. Como aturar alguém, como respeitar a privacidade, como fazer feliz. Disciplinas elementares na convivência com outra pessoa. Diversas outras lições entraram na ementa, mas tudo acabava voltando para um único tópico: nós.

Cheguei à beira da repetência por diversas ocasiões e, em uma delas, só mesmo o conselho de classe de uma garrafa de álcool foi capaz de nos buscar de um torto caminho e nos colocar no rumo de novo. Fiz faculdade nas suas caras, que aos poucos se tornavam decifráveis. Emendei com um pós na sua boca, em que me demorei de propósito. Me tornei mestre nos seus sorrisos.

Nossos abraços não precisaram experiência prévia. Parece que nascemos sabendo como abraçar um ao outro.

Era como se tivéssemos sido destinados a nos encaixar. Antes e durante muitas dessas aulas eu acreditei no pensamento de que o amor nos faz não querer estar junto, mas dentro. Depois dela, entendi que por mais bonito que algumas situações possam parecer, é essa mesma coisa de querer estar dentro que sufoca o outro. Espaço, anotei. É preciso saber dar espaço para outros.

A minha falta de hipocrisia não me deixa dizer que nunca pensei no término do curso. Ainda assim, sempre disse pra mim mesmo que isso seria um problema pro futuro. O meu eu que estivesse lá saberia administrar a situação e se sairia bem sem dúvida. Mas que qualquer fim demorasse a chegar ou que se perdesse no caminho. Que vivêssemos um eterno ciclo, mas juntos.

Não houve formatura, apesar da data exata de conclusão. Não houve parabéns, mas o pesar por ter concluído tudo. E o que eu faria com tanta coisa sabida sobre ela? Não há meio de usar com outra. Eu sei o jeito dela, os gostos dela. Não quero começar tudo de novo. Me graduei no corpo dela e nem ao menos quero diploma.

Quero só continuar aprendendo a viver com ela.

Gustavo Lacombe, publicado em: http://www.casalsemvergonha.com.br/