Corpos gêmeos

Todo mundo conhece a velha história das ‘almas gêmeas’. Elas são, segundo a crença, pessoas que nasceram umas para as outras, criaturas predestinadas a viver juntas. Tá… Mas e os corpos gêmeos?

Enquanto a idéia de almas gêmeas tem uma grandeza espiritual praticamente épica, o conceito de corpo gêmeo se mantém no campo sexual. Não são pessoas que se dão bem, nem estão prestes a viver uma linda história. Tais seres combinam apenas no sexo. Mas combinam muito. Afinam-se perfeitamente. É essa a idéia dos corpos gêmeos. As almas não têm nada a ver com isso. Sexo é coisa de carne, não de espírito.

(Observação: ok, ok, claro que “com amor é mais gostoso”, como diria – se não diz, deveria dizer – alguma velha música.)

Quando alguém acredita na idéia de alma gêmea, a crença ganha força diante do bem-estar e da paz de espírito que essa pessoa provoca, bem como a extrema e inequívoca felicidade que se sente diante do convívio. No caso dos corpos gêmeos, tudo é bem mais objetivo. Atesta-se sem grandes delongas, por meio dos intensos e infalíveis orgasmos. (…)

Não acredito tanto assim em almas gêmeas, mas tenho a mais plena certeza de que os corpos gêmeos existem. A parte bizarra nisso tudo é que a maioria (sim, a maioria) não se envolve pra valer com o respectivo corpo gêmeo. Vai entender, né? Em alguns casos, preferem a união com quem tenham a alma gêmea (ainda que “bivitelina”), em vez de se juntar com quem tenham afinidade sexual inescapável. Daí, claro, acontece aquele monte de coisa que bem sabemos. O casório “vai bem, obrigado”, mas lá pelas tantas rola uma pulada de cerca, duas, três, quatro até que ou rola divórcio ou a velha fachada.

Minha dica é a seguinte: namorem com o ‘corpo gêmeo’. Arrisquem algo realmente sério. Pode acontecer de não dar certo, e até mesmo a afinidade sexual ir pro espaço. Ou então, ora bolas!, pode acontecer de tudo dar muito certo, sim.

Nesse caso, vocês vão me agradecer.

Fernando Gravz