Você vive de amor ou vive de status?

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Ei, tudo bem? Sei que não nos conhecemos muito, mas olha, pode dizer. De peito aberto. Aqui entre quatro paredes ninguém vai julgar sua decisão. Você vive de status ou vive de amor? Pense antes de responder, pois a resposta pode dizer muito sobre você.

Vive de amor quem está de olhos fechados mesmo abertos, quem olha para o seu parceiro e tem a certeza de que encontrou aquela pessoa – única – para passar bons momentos juntos. Vive de status quem está sempre pensando nas oportunidades perdidas, e se sente infeliz ao sentar em uma mesa silenciosa de restaurante, onde tudo que se escuta é o barulho dos garfos tilintando na louça. Vive de amor quem ainda sente um frio na barriga mesmo após anos, e que não hesita quando lhe perguntam sobre seus sentimentos. Vive de status aquele que gagueja ao ser confrontado sobre o que sente, e sempre dá respostas automáticas e prontas. Só um lembrete, mais vale um ”eu sou apaixonado por você” num momento de reflexo, do que um ”também te amo” dito com a garganta seca. Isso também é viver de status. Vive de amor aquele que está com o outro porque simplesmente o ama, sem nenhum motivo aparente. Vive de status aquele que se acorrentou e não sabe mais a combinação do cadeado. Vive de amor aquele que é livre para partir para longe, e mesmo assim volta no fim do dia. Vive de status aquele que se tivesse a liberdade, provavelmente escolheria outro destino. Vive de amor quem tem o coração leve, sem preocupações, e sem medo do amanhã. Vive de status aquele que está sempre com medo do que pode acontecer, e planeja seus passos para que nada saia fora da linha. Vive de amor aquele que tem sempre um sorriso no rosto, e um brilho nos olhos. Vive de status aquele que já não acha mais graça nas histórias repetidas que lhe são contadas.

Vive de amor aquele que o coração palpita em uma constante.. Vive de status aquele que tem o coração indeciso, hora bate forte, hora fraco. Vive de amor aquele que sente prazer nas coisas mais simples, como pegar chuva de verão no final da tarde. Vive de status aquele que pode estar no topo do mundo, mas ainda sente que falta alguma coisa. Vive de amor aquele que não promete, cumpre. Dia após dia. Realiza sonhos ao lado do outro. Vive de status quem ama porque amar é a promessa que foi feita no início, e promessas é tudo que ele sabe fazer.

Vive de amor quem tem coragem de pular do alto de um abismo correndo o risco de ser feliz para sempre, ou morrer tentando. Vive de status aquele que se acovarda, tem medo, e sempre recua com receio do que pode acontecer. E então nunca acontece.

E aí, você vive de amor ou vive de status? Sabe, nunca é tarde para mudar.

Isabela Freitas, publicado em: http://isabelafreitas.com.br/

Frágil

04

Era só mais uma garota do coração partido. Remendado. Desacreditado. Coração desacelerado. Que dançava em uma batida esquecida, uma balada mansa, daquelas que tocam no fim da festa.

Ela era uma das muitas garotas que cresceram em meio a contos de fadas, pó mágico, e unicórnios imaginários. Acreditou até onde pode, abraçou seus ideiais, e virou as costas para quem insistisse em dizer que coisas como mágica não existiam. Como pode não existir mágica? Ela existe. Está em todas as coisas. Em todos os seres. Em todas os corações… a maioria só não sabe disso. Mas ela sabia, ah, sabia. Sabia que sua vida seria recheada de momentos únicos, inesquecíveis, e de sorrisos verdadeiros. Seria feliz como as personagens de seus livros enpoeirados. Seus pais tentaram fazer com que ela não descobrisse tão cedo, tadinha, tão pequenina. Deixe que ela acredite mais um pouco. Já podemos contar? Ainda não. Ela não está preparada. E agora? Contamos? Não sei. Ela pode não acreditar. É melhor deixar que a vida ensine…

E ensinou. A vida chegou de mansinho, pisando em ovos, armou uma emboscada em um beco do destino, e jogou ácido na cara da pobre garota. Ela sentiu aquilo arder, queimar, desfigurar o que antes era tão belo. Sentiu como se estivesse se derretendo aos poucos, e em meio às lágrimas, não entendia o que tinha feito para merecer aquilo. Mas não fiz nada, insistia. E quanto mais tentava se convencer de que não merecia o que estava acontecendo, mais dóia. Mais feridas apareciam. A vida bateu uma, duas, três, duzentas vezes. Bateu até não restar um pedaço de pele que não estivesse machucado. Com cicatrizes. Pedindo por um carinho. A garota que crescera em meio à sonhos, e esperança, hoje desconfiava de qualquer um que lhe estendesse a mão. Vai que, né…

O que antes era uma rocha, dura, resistente, convicta, e confiante, se tornou uma pequena caixa de papelão com os dizeres estampados “Frágil”. Essa era a nossa garota.

Sempre que começava a se aproximar de alguém, o corpo estremecia por completo. As feridas dóiam mais uma vez, e o cerébro insistia em repassar em câmera lenta seu coração se partindo. E repartindo. E tentando se costurar. E se machucando mais uma vez. Se partiu tantas vezes que as partículas já eram invisíveis, não tinha mais como emendá-lo. E ela optou pelo caminho mais simples, aquele caminho que deveria ter tomado desde o início da história.

Não acreditar nas pessoas.

Decidiu que não ia deixar que mais ninguém se aproximasse. Eles não entendiam o que significavam suas feridas. Não entendiam o quão frágil ela era. Não entendiam que ela só precisava de um pouco de segurança, um abraço forte, e um ”Vai ficar tudo bem” dito no pé do ouvido. Não, não entendiam. Talvez entendessem do carro da moda, da balada que iria bombar mais tarde, ou até do time que ganhara o campeonato na noite passada. Mas não entendiam nem um pouco o que se passava dentro dela, e na real, não faziam questão disso.

E por um tempo ela viveu. Quero dizer, não foi feliz, isso não, pessoas que não acreditam não são felizes. Mas não se decepcionam. Não apanham da vida. E para quem passou tempo demais sentindo a dor arder no couro da pele, isso era relaxante. Era como boiar no mar olhando para o céu azul. Calmo. Estável. Sem onda nenhuma… Sem emoção nenhuma. Talvez fosse melhor assim, talvez esse tal de amor não existisse mesmo, e tudo aquilo que ela acreditava não passava de uma baboseira sem fim.

Até que em uma quarta-feira nublada ela avistou, do outro lado da rua. Achou que devia estar delirando, talvez fosse efeito do remédio que tomara para as dores mais cedo, mas podia jurar que era real. Olhou de novo, desviou. Não, não podia ser. Sentiu que era observada. Ficou tão nervosa que deixou cair todas as sacolas de compras no chão. Enquanto ela se abaixava para limpar rapidamente a sua bagunça, sentiu uma voz por trás dela ”Ei, você precisa de ajuda?”. Se virou, e encarou. O garoto sorriu com vontade, sem entender o porque do seu espanto. E ela se convenceu de que era mesmo real. Ali, na sua frente, alguém que tinha as mesmas feridas que as suas, e os dizeres estampados na caixa que diziam… Frágil.

Sorriu de volta, e teve certeza de que poderia voltar novamente a acreditar.

O barato da vida é que por mais que deixemos de acreditar em mágica, um dia ela acontece. Por mais que você não queira, e fuja, e dê as costas, um dia vai aparecer alguém que vai olhar para suas feridas com carinho, e dizer ”Deixa que eu cuido”. Alguém que como você, já deixou de acreditar, já apanhou muito da vida, e já se cansou de se decepcionar. Mas que vai olhar no fundo dos seus olhos e ter a certeza de que vocês podem deixar de ser caixinhas frágeis, e passarem a ser um coração forte que está pronto para amar. E aí a mágica acontece…

Isabela Freitas, postado em http://isabelafreitas.com.br/

Trapaças

02

Ele é calmo e previsível, eu sou a chama que se alastra;  Ele é meigo e conformado,  e para mim nada basta; Ele é silêncio profundo, eu sou a voz do trovão; Ele persegue suas metas, eu não, quero tudo na mão; Ele é simples e discreto, eu sou o brilho e fantasia; Ele é a calma da noite, e eu a agitação do dia; Ele é cheio de detalhes,   enquanto eu vejo o geral; Ele é todo compromissos, e eu não sou nem um pouco pontual; Somos extremos opostos, mão dupla na direção, mas é dele que eu gosto, trapaças do coração…

Isabela Freitas

Estrela Cadente

03

É engraçado escrever no papel, quero dizer, com o lápis de um lado, papel do outro. Um encontro explosivo. Acho que o motivo de nunca ter gostado de escrever no papel é porque possuo um turbilhão de ideias e uma imensa necessidade de colocá-las em palavras. Parece que quando transformo sentimentos em palavras, me esvazio. E quanto mais rápido, melhor. É como arrancar um band-aid. No entanto, permita-me discordar de mim mesma, escrever no papel é dar oportunidade para sua mente mudar de ideia. Por exemplo, esse texto era pra ser sobre você e eu estou divagando sobre papel e caneta. Tentando fugir do inevitável, como sempre.

Por que você faz isso comigo? Me assusta. Odeio sentir sensações que não tem nome. Por mais que livros tentem defini-las, não tem como. Não existem palavras suficientes que definam o que sinto quando estou ao seu lado. É clichê, eu sei. Mas o clichê é o que há de mais belo quando verdadeiro. Será que você também se assusta ao pensar em nós dois? É um medo gostoso, desafiador. É como assistir um filme de terror, e por mais que esteja com medo, não desligar a televisão. Você precisa saber o fim. Eu preciso chegar até o limite com você, a propósito, você me faz ter vontade de rodar o mundo a 500 quilômetros por hora. Será que é assim que as pessoas se sentem nos filmes em que assistimos? Fico pensando.

As pessoas dos filmes se apaixonam rápido, apenas com olhares, palavras, ou toques. E eu sempre me perguntei se era porque o filme precisava durar algumas horas ou se o amor era assim mesmo. Rápido, repentino, avassalador. Será que era possível construir certezas em cima de pessoas que eram um ponto de interrogação? Será que era possível desejar o ”pra sempre” mesmo antes do ”agora”? Será o destino mesmo o responsável por cruzar almas que se completam, transbordam, e conectam?

Eu tive certeza sobre você no minuto em que te vi. Tive certeza quando você deu o primeiro sorriso, quando arrancou minha primeira gargalhada. Tive certeza quando você contou sobre o seu passado que tanto se parece com o meu, quando notei que você tinha as mesmas dúvidas e medos que eu sempre tive. Tive certeza quando percebi sua compaixão. Tive certeza quando escutei o seu coração e ele falava o mesmo idioma que o meu. Um idioma que até então ninguém nunca tinha conseguido compreender. Você compreendeu. Você me compreendeu. Desculpa a repetição, é que não consigo acreditar.

Era você a pessoa que ia conseguir o que ninguém conseguiu. Me encantar. Meus olhos cansaram de se encontrar pessoas vazias, e acabaram por tomar o mesmo destino, se esvaziaram. Eram tristes, sem brilho, desconfiados. E você, ah, você. Você fez com que meus olhos brilhassem novamente. Aquele brilho que só existia nas minhas fotos de criança. E então eu tive certeza. No momento em que seus olhos brilham, o coração acelera, e o universo parece parar para observar vocês… É amor. Da forma mais pura que pode existir.

Isabela Freitas, escreve para o http://www.isabelafreitas.com.br/

Talvez destino

10

Uma música. Um sorriso. Um reencontro. Um por do sol. Uma brisa gelada no rosto. Um pedido de perdão. Um abraço apertado. Olhos nos olhos. Mãos que não querem se soltar. Um perfume que nunca saiu da memória. Aquele nó na garganta. Palavras que se recusam a sair. Engasgam na garganta. Pensamentos que gritam. Um silêncio que diz tudo. Borboletas sobrevoando o estômago. O horizonte. O barulho do mar que insiste em lembrar daquele verão. Ah, o nosso verão. A paixão é engraçada às vezes. Chega sem pedir, parte sem se despedir. Uma espera que durou mais do que deveria. A saudade que corta o peito. Um orgulho que escolhi deixar no passado. Um momento que se congela no espaço. O universo conspirando. O calor do seu corpo junto ao meu. As palavras que tanto sonhei saindo da sua boca. Suas mãos no meu cabelo. Um carinho demorado. O meu discurso previamente planejado que nunca consegui concretizar. O celular que guarda declarações nunca enviadas. Anos que separam e distanciam. Um sussurro no pé do ouvido. Um arrepio na espinha. Seus lábios junto aos meus. Minha alma pedindo a sua. Os problemas que escolhemos deixar para trás. Não sei como definir. Talvez destino. Vidas que se cruzam, separam e se reencontram. Eu e você e mais nada.

Isabela Freitas

Me amar x Me entregar

05

Me amar ou me entregar? É a frase clichê para quem pratica a lei do desapego, vai dizer que não? Eu havia decidido guardar o amor para a única pessoa que realmente vale a pena, eu mesma. E olha, até que estava levando isso a sério. Até te conhecer.

Nunca criei expectativas ou esperei algo vindo de você. Até porque não passava de uma mera distração, diversão, ou melhor dizendo, mais um dos meus “caprichos”. Nós mulheres gostamos da emoção do difícil e porque também não dizer do errado? Te ver ali sempre rodeado por várias garotas aguçou um pouco minha curiosidade, me fez querer saber mais de você. O que ele esconde? O que ele quer?  E foi assim, que sem perceber meio percebendo, entrei no nosso ”jogo”.

Jogo é a palavra que mais chega perto de definir nossa relação. Jogo no qual joguei a moeda para o alto, você escolheu o campo, e eu fiz questão de rolar a bola. O que você não contava é que eu era uma ótima jogadora, conheço bem cada um dos seus truques e artimanhas, para falar a verdade, eles já estão até meio batidos. Sei me defender. Como qualquer jogo, nesse jogo também há torcidas. A torcida contra insiste em me dizer que este é um jogo perdido, e que eu deveria me dar por vencida. Aposto que eles dizem o mesmo a você. Mas será que devemos dar tamanha importância? Acho que não, afinal, somos jogadores profissionais e não vai ser esse o primeiro jogo no qual desistiremos.

E os jogadores do seu time? Que tanto insistem em tirar sua atenção de mim? Devo dizer de antemão que não adianta, é impossível que você deixe de prestar atenção na única pessoa que é capaz de te desafiar.

O juiz apita o “intervalo”, e a paz reina entre nós dois durante 15 minutos. Você tira a famosa frase da minha cabeça e me faz balançar, levitar, suspirar. Seu toque me trás arrepios, e sua voz borboletas no estômago, mas não. Jurei que não iria me entregar tão facilmente, eu não posso. Não posso.

“Inicio do segundo tempo”. Novamente vamos para lados opostos do campo e retomamos nossa batalha de egos. Eu contra esse sentimento que estava nascendo, e você contra o meu medo. Eu estava decidida a terminar de vez com essa partida, era muito simples. Eu ganharia, e você seria igual a todos os outros. Iria embora com todas suas mentiras, carinhos, e com a possibilidade de me vencer e convencer. Eu? Bem, eu ficaria apenas com as memórias criadas pela minha mente de como seria se ficássemos juntos, se nos permitíssemos. Enquanto planejava meu próximo movimento, escuto o apito. PENALTI!

Agora a decisão está em suas mãos. Só você pode acabar com esse jogo de uma vez por todas. Ficar para sempre ou ir embora sem olhar para trás? Decida se você quer rasgar a camisa do seu time e vir de encontro ao meu, me pedir que eu largue essa mania de jogar todos os fins de semana, e me convencer de que a vida não é só mais um jogo. Você prefere uma vida de disputa ou uma vida compartilhada ao meu lado? Sei que sou uma ótima adversária, mas te garanto, como companheira para a vida sou melhor ainda.O juiz apita. Fecho os olhos. E aí, devo me amar ou me entregar?

Isabela Freitas

A despedida

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Ninguém quer ser aquela pessoa que diz adeus. Que diz que as coisas estão complicadas demais para que tenham futuro. Que empacota a mobília e bate a porta sem olhar para trás. Que escolhe um caminho sem medo de que o passado volte a assombrar. Que toma decisões sem se arrepender. Eu nunca fui essa pessoa. Você já foi?

Eu sempre fui aquela que deixa a água passar debaixo da ponte. Que espera que as coisas se ajeitem. Que o sorriso volte, que a lágrima seque. Eu sou aquela que engole o problema para não ter que cuspir decepção. Sempre acreditei que o destino fosse se encarregar de trazer o melhor para mim. Sabe, tenho pavor de despedidas. Não consigo dizer adeus com a certeza de que não terei vontade de um reencontro. Eu sou indecisa. Não consigo escolher. E escolher entre um nunca mais e um pra sempre é assustador demais. Só quem já se deparou com essa dúvida sabe como eu me senti.

E o pior de tudo é que essa indecisão me acompanha desde pequena. Não conseguia sequer escolher um sabor de sorvete na sorveteria. Será que gosto mais de morango? Nossa, chocolate é tão gostoso. Nunca experimentei o de creme, será que é o melhor de todos? O problema da indecisão é que ela não nos deixa escolher. Eu não gosto de perder. E as escolhas, bem, as escolhas são renúncias. E eu não sei se consigo renunciar a algo. Quero conhecer e provar todos os sabores para um dia poder escolher o meu preferido.

E foi por isso que eu nunca tive coragem de me despedir de você. Eu não disse aquelas coisas que as pessoas de filme dizem. Não disse o quanto você era incrível e o quanto me doía ter que partir. Eu nunca te disse adeus. Covarde, confesso. Apenas soltei da sua mão e deixei que o vento te levasse pra longe de mim. Ninguém quer ser aquela pessoa que diz adeus. Porque, geralmente, ela é a primeira a se arrepender.

Isabela Freitas