O amor medroso

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Acredito que poucas coisas sejam tão ruins quanto gostar de alguém que tem medo. Gostar de um medroso é pior do que ter um amor-não-correspondido, porque no fim das contas você sabe que o medroso gosta de você, e ele também sabe que gosta, mas não age. Mas já já eu volto nesse assunto. Primeiro, vamos falar da paixão, sentimento que antecede qualquer tipo de amor.

Vou resumir um estudo feito pela professora Cindy Hazan, da Universidade de Cornell, NY. Ela concluiu que “seres humanos são biologicamente programados para se sentirem apaixonados durante alguns meses”. A pesquisadora também identificou algumas substâncias responsáveis pela paixão, são elas a dopamina, a fenilitilamina e a oxitocina. “Estes produtos químicos são comuns no corpo humano, mas são encontrados juntos apenas nas fases iniciais do flerte. Porém, com o tempo, o organismo se torna resistente aos seus efeitos e toda a “loucura” da paixão desvanece gradualmente. É nesta fase que o casal tem que decidir. Ou se separam ou se acostumam com as formas mais brandas da paixão/amor: companheirismo, afeto, tolerância; e permanecem juntos.”

Acho interessante que no estudo esteja definido assim “formas mais brandas da paixão/amor”. É aquele momento em que uma coisa vira a outra e a gente não sabe bem onde está. Algumas pessoas – as bem resolvidas – já cruzaram a barrinha e tem certeza do que sentem: É amor! Afinal, depois de toda a convivência, os conflitos e as dificuldades, elas não conseguem ficar sem aquela pessoa. Mesmo depois de saber que ele tinha uma mania bem irritante, que o melhor amigo é uma péssima influência, e de ter perdoado uma mancada imperdoável. Fazer o que? É amor. E todos os bons momentos bem vividos e bem aproveitados durante a paixão fazem crer que dará certo.

Mas para o medroso não funciona assim. O medroso é aquele cara que some depois de ter te apresentado à família. É aquele que fica frio depois porque os amigos disseram que vocês foram feitos um para o outro. O medroso é aquele que mesmo recebendo todo o carinho e atenção de quem ele realmente gosta, prefere manter duas ou três opções na manga, para o dia em que você der um pé na bunda dele.

Sabe aquele sorriso amarelo que você recebeu depois de dizer um “eu adoro você”? Então, era a covardia perguntando ao outro se era aquilo mesmo e onde ele estaria se metendo. Essa sua inocente demonstração de afeto soou como uma ofensa, e qualquer tipo de resposta seria a declaração de uma sentença: “Game over, amigo. Você vai sofrer. Cai fora.” Ele faz com que o momento mais gostoso do relacionamento (a fase da paixão), seja destruído por inseguranças.

Enquanto isso, você já ouviu de mim ou sua melhor amiga: “Esquece. Você fez tudo o que podia. Ele não deu valor. O medo dele é maior do que o que ele sente por você. É isso mesmo o que você quer? São caras desse tipo que abandonam as mulheres no altar. Você não tem mais 15 anos. Seu relacionamento vai parar aonde? E daí que a mãe e os amigos dele gostam de você? Você quer ouvir um “eu te amo” de quem?”.

E é depois de perder todas as oportunidades, sozinho no quarto, que o medroso constata que o que ele sentia era real. Que ele queria fazer parte dos seus planos, que você era uma boa ideia. Mas infelizmente alguns só percebem isso depois de te ver marcada na foto de outro cara, com um sorriso de orelha a orelha e a legenda: “Me faz feliz”.

Jéssica Mendes

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Tudo na vida é passageiro

Outro dia, observando o trânsito pela janela da casa de uma amiga, cheguei a uma conclusão: tudo na vida é passageiro. “Pô, é mesmo Jéssica? Mas acho que já disseram isso.” Eu explico:

É como se fossemos verdadeiros ônibus rodando por essa grande rodovida. Cada um de nós tem o seu destino já traçado, já tem uma ideia de onde quer chegar e pelo caminho vamos encontrando pessoas que embarcam na nossa história.

A rodovida nem sempre tem o asfalto liso. Na maioria das vezes é esburacada, sem sinalização e de vez em quando descobrimos que estávamos indo pelo sentido errado. Nada que um retorno não resolva. Mudanças de rota são muito bem vindas. Existem também os sinais vermelhos, e se você não souber a hora de parar, pode acabar interrompendo a sua viagem ou bloqueando o caminho de outros. Melhor respeitá-los.

Mas e os passageiros? Eles são muitos. E têm o poder de transformar o seu trajeto em algo extremamente prazeroso, inesquecível. Alguns vão seguir com você até o ponto final, outros vão ficar pelo caminho e sempre vão existir aqueles que disseram que pegaram o ônibus errado, que tudo não passou de um engano. Para aqueles que já estão na estrada há muito tempo, e carregam uma certa bagagem, recomendo que você dê uma carona e ouça suas recomendações.

Não se esqueça jamais de que você também tem o poder de expulsar quem quiser do seu ônibus. E quando a viagem parecer longa demais e os olhos ficarem cansados, faça uma parada. Não é vergonha nenhuma e todos nós temos esse direito.

Gostaria de desejar a todos os passageiros, caronistas e até mesmo os ambulantes de minha vida uma boa viagem. Que possamos aproveitar momentos maravilhosos um ao lado do outro e que tornemos nossa trajetória inesquecível.

Ah, usem sempre o sinto de segurança. Com “S” mesmo. Ele pode impedir que você se esborrache por aí…

Jéssica Mendes