Liberte-me

01

E eis que, de repente, ela se depara com uma vida repleta de altos e baixos, incertezas, histórias escondidas e fatos que começam a se ligar e fazer sentido. Ela se vê seguindo caminhos que não foi ela quem escolheu. Ela percebe que há tempos tem deixado de viver momentos, um tanto quanto especiais para ela, por causa de padrões e regras fúteis que são lhe impostos. Alguém, por favor, manda essas regras à merda? Quem é o  infeliz responsável por elas? Mas que título é esse que concede a honra de comandar a vida de alguém já maduro o suficiente para escolher o que quer? Regras e padrões são para o trânsito, para a educação, para a política, para o futebol… E não para situações que envolvam sentimentos e, principalmente, quando se tem a felicidade alheia em questão. Não há fórmula para a felicidade, cada um segue um caminho para ir em busca da sua. Conselhos, palpites, sugestões e críticas são bem-vindos, mas ainda assim coletando dados, no final das contas, só um pode fazer as próprias escolhas. E mais ninguém.

Débora Oliveira

De ser feliz, sem medo.

02

Ela sempre tão segura de si, começou a sentir o incômodo do medo e da insegurança. Sentimentos antes que, dificilmente desfrutava, agora a assombram a todo tempo. Com ele, ela não consegue agir friamente como fazia de costume. Com ele, ela só age com o coração. Não alisa o cabelo e pinta as unhas de vermelho pra demonstrar que está ótima. Se não está, realmente não está e não finge nada. Não faz joguinhos ou é difícil pra tentar ser mais interessante. Se é pra se interessar nela, que seja de verdade. Não liga para o que os outros vão pensar, o que os outros vão falar, o que a sociedade impõe ou o que é correto numa cabeça machista. Ela faz o que o coração diz e o que a faz sentir feliz. É um sentimento tão incrível que ela nunca tinha vivido antes, que trouxe também a experiência desse tal medo de perder. Mas ela só quer poder segurar na mão dele, esquecer tudo que os impuseram durante a vida e mergulhar de cabeça, juntos,  nesse sonho que têm, porque só assim ela poderia voltar a ser sempre tão segura de si, agora que encontrou a peça que faltava no seu quebra-cabeça: ele.

Débora Oliveira