Somos todos navegadores

follow-follow-back-follow-me-girl-Favim.com-2142162

Acho suicida essa história de bater na mesma tecla danificada. Não dá. E quando não dá, a gente vai embora. Dói, é verdade, não mentiria. Mas quando dói pesando, é melhor partir porque se não a dor lá lá frente fica pior. Tudo na vida tem começo, meio e fim. Se amizade tem, imagina tais relacionamentos…

E a vida não para, viu? A gente supera. Quem sabe até aprende algo bom. Cresce. Amadurece. E o céu que era cinza, volta a ficar azul, meu caro. Se o outro não é porto, deixa esse navio partir sem impedimentos. Não há no mundo quem antepare o mar ou interdite os ventos que foram feitos para levar embora. Tudo é feito de partidas. É um ciclo, não tem como empatar. Porque, me diz, do que adianta alguém ao seu lado sob chantagens emocionais? Você só pode dar motivos para alguém permanecer. Há indecisão? Não grite, não pressione, não chore, não dê pití. Siga com uma verdade: ” Eu quero, mas o outro tem o direito de não me querer”.

Mas quando as coisas saem do eixo e na balança a indecisão tem mais peso que o bem querer, não se engane. É duro, é duro, muito duro, mas: Mova-se. Vá ser feliz porque isso ninguém vai ser por você. Tem coisas que não valem a pena ficar tentando, insistindo. E lembre-se: Nunca, jamais entregue sua felicidade nas mãos de ninguém. É muita responsabilidade fazer alguém feliz. E as pessoas são falhas. Cheias de erros. Cheias de sentimentos controversos, dúvidas, assim como você.

Seja altamente responsável por si mesmo e por suas próprias escolhas. E tenha em mente que nessa vida somos todos navegadores. 

 

Marielena Fonseca, publicado em: http://www.marielenafonseca.com/

Vezenquanto

couple-cute-happy-love-smile-Favim.com-59748

Vezenquando não se precisa muito…

Não são necessários presentes caros. Nem baratos; jantares em restaurantes chiques, declarações espalhafatosas em carros de som ou o querer mostrar pro mundo que tá namorando… Não, tem aquela hora que a gente só precisa de cuidado, entende? A gente só precisa de uma palavra de carinho, um cobertor, um filminho – se não for pedir demais, aquele chocolate de panela – e a quentura daquela pessoa…

A gente só precisa se sentir amado, seguro e na mais plena paz, nem que seja mera utopia. Sabe aquele olhar carinhoso, cheio de afeto, dedicação, admiração, apresso? Pronto, vezenquando só isso bastaria. Sabe também aquele samba de borboletas que dá na barriga quando quem a gente gosta ri, segura sua mão na frente de todos, revela sem o menor pudor seus sentimentos? Pronto, é disso que nosso coração, corpo, mente, cabelos, poros, unhas, pernas precisam.

Chega aquele momento que nada no mundo terá tanto significado como aquela mensagem na madrugada “tava pensando na gente…” ou aquela ligação que não é atendida com um “oi, alô” e sim com aquelas risadinhas que faz nosso coração dá pulinhos de felicidade, mesmo sem motivo algum. Tem hora que a gente não quer pedir mais nada, não quer falar mais nada, mas sabe que o outro vai encontrar no nosso silêncio as nossas necessidades. E aí vai compreendendo, vai evoluindo, vai gostando, gostando, gostando, amando… As coisas vão se encaixando, o mundo vai ganhando cor. E era só disso que a gente precisava…

Vezenquando, vezenquando só isso bastava.

Marielena Fonseca, publicado em: http://www.marielenafonseca.com/

Gente de paz tumultuada

tumblr_mg5zoom43n1r0p4g7o1_500

Eu estava aqui na minha, quieta, sem pedir nada a ninguém. Apesar de ter o coração meio tristinho, remendado, cheio de curativos, eu estava bem. Meus óculos escuros e minha maquiagem me faziam mais forte. Escutei de alguém que quando a gente começa a cuidar da gente o resto se renova. Eu acreditei piamente nessa conversa. E estava até me curando de todas as outras dores que acumulei, viu?

Mas quem disse isso esqueceu de avisar que quando a cura começa a fazer sentido, os outros sentidos se aguçam e atraem essa gente que pede pra ser amada. Eu não pedi, você diz que também não. Estávamos só por aí, vagando, batendo os quatro cantos do mundo e abrindo sorriso pro vento, fingindo ser feliz, preenchendo o coração de coisas leves…

Mas uma hora a gente sabe que uma coisa pesada tem que entrar, puxar a cadeira, pedir um chá e conversar. Matar nosso tempo, pedir pra ficar. Você, sabe-se lá como, bateu na minha porta e por ironia do destino encontrou-a aberta. Sorte ou azar, entrou sem pedir licença, anarquizou minhas emoções. E não pediu pra ficar, simplesmente se instalou. Habitou o que antes era vazio, sem graça, disforme, branco. Trouxe cor.

Sabe essa gente que balança nosso mundo sem tirar a mão da cintura? Talvez finalmente eu tenha encontrado alguém assim. Simplesmente ancora minhas pressas e freia minhas desilusões. Eu não pedi. Nem estava a fim. Mas sabe essa gente que traz uma paz tumultuada? Sabe essa gente que traz um vício brando pra nossas vidas? E faz da gente dependente, sempre querendo mais. Talvez eu nunca entenda, talvez você nunca tenha paciência pra me explicar, mas quando a gente encontra 50% de cura num abraço, o resto do mundo pode se danar, a gente só quer amar.

E, apesar não ter te escolhido, a espontaneidade dos nossos corações desordeiros nos uniu. Você amarrota a camisa da sanidade e faz morada na minha mente. Ainda bem que você não pediu pra entrar, porque eu não deixaria. Ainda bem que você não me convidou pra dançar, porque eu não iria. Ainda bem que você percebeu a minha esquizofrenia e simplesmente chegou, ficou, me pirou. Você é dessa “gente” que invade e ganha a causa sem dar uma palavra.

Marielena Fonseca, publicado em: http://www.marielenafonseca.com/

Vou cuidar do meu espetáculo

tumblr_m4ia3ptHuq1rn38el

Hoje quando entrei no ônibus fui invadida por uma sensação de estar esquecendo algo. Rezei pra que fosse você. Sempre fui muito convicta das coisas que não queria aceitar e uma delas é essa metamorfose que pensávamos ser amor. Sabe, coisas importantes na bolsa, o resto, fora do coração. Apaixonar-se por você sempre implicou um retrocesso amoroso e disso, eu juro, não tô a fim. Já chega desse amor milimetricamente medido com a fita métrica do seu egoísmo. Já chega de tentar lidar com sua natureza entrópica e desastrada. Chamativa e arruinada. Eu não aguentaria sozinha o peso de te consertar. Já chega de alimentar essa utopia que criei de você, afinal, tenho esse defeito de ver em você uma pessoa que você não chega nem aos pés de ser. A gente se engana muito na vida. Com tudo. Não seria diferente com as pessoas. A gente costuma enxergar diamante em bijuteria. Você brilhava, menino, mas era um brilho tão barato quanto suas desculpas esfarrapadas. Eu queria de você um amor que você nunca seria capaz de dar. Em troca você me exigia uma vida desproporcionalmente instável. Você fingia estar tudo bem e eu ia, covardemente, empurrava as suas faltas com a barriga. Mas sabe de uma coisa? Como eu disse: coloquei na bolsa o que importa. O resto? Fica pra próxima. Seguir o rumo certo agora é mais importante, a gente que, às vezes, não enxerga. Uma mão no terço, outra na liberdade, porque viver incompleta desse jeito é pra parte de mim que ficou no passado. Em você eu não me encaixo porque sou grande demais e transbordo amor. Que se dane o seu brilho falso! Eu quero mais é cuidar do meu espetáculo.

Marielena Fonseca, publicado em: http://www.marielenafonseca.com/

Essa metade não era você

beautiful-brunette-cris-barros-fashion-h3rsmile.tumblr.com-lace-Favim.com-62956

Olha, eu preciso falar! Tenho uma necessidade extrema de abrir o coração pra você. Queria deixar claro que eu sei muito bem que isso pode dar em merda e que você pode achar que sou uma louca. Também sei que eu já estou sendo bem maluca por aparecer do nada e te escrever assim… Mas eu preciso falar e por favor não me interrompa!

As coisas andavam meio cruéis pra mim… O coração estava meio aperriado, a vida estava meio desajeitada. Estava tudo “meio”, sabe? Eu escutava minhas amigas falarem que uma hora eu ia dar a sorte de encontrar uma outra vida “meio pela metade” e as coisas iam se encaixar como, quem sabe, uma laranja. Mesmo que algumas podres descansassem debaixo da minha árvore, eu encontraria. Eu sei que você está pensando que vou falar que essa “outra vida” era você.

Bom, desculpe decepcionar, mas não era. Às vezes a gente se engana, é verdade. Eu queria dizer é que se as coisas já estavam pela metade você fez o favor de esvaziar todo o resto. Achei bonito o egoísmo já que, de certa forma, seu pensamento mais intrínseco sempre foi: “Te encher de mim pra matar a ti”. E matou. Valendo. Cada átomo. Mas vou te contar um segredo: Eu já nem tinha mais tanto medo assim. Foi quando me perdi, percebi que não havia mais nada a temer. Pra que ter medo de perder o que, talvez, nunca tive?

Eu sei que você está aí achando também que sua ida vai me marcar pelo resto da vida. E marcou mesmo, fazer o que? Mas não pra sempre porque aprendi a te deixar ir e carregar para si cada ferida. Com o tempo cura. Com o tempo fecha. Com o tempo camufla.

Eu sou só mais uma nas estatísticas, só mais uma apaixonada por expectativas. Veja bem: por você não, pelas expectativas. Tenho lá minha culpa por me apegar ao meu próprio desejo de ser feliz e também por idealizar uma pessoa que ninguém nunca chegará aos pés de ser. O problema é que andei me procurando demais nos outros. E isso, convenhamos, você nunca chegou perto de suprir.

Como eu disse, você até esvaziou o que, em mim, sobrou. Mas não se preocupe! Nem olhe pra trás! Lembrei que, lá dentro da gente, tem uma coisinha que nos faz se encontrar, se amar, se preencher… Pois é, dá um oi pra meu amor-próprio!

Marielena Fonseca, publicado em: http://www.marielenafonseca.com/

É dádiva

images (1)

Talvez a gente concorde que, no tilintar dos sinos, não tínhamos mais som. Aquele som que sempre nos trilhava, de olhos vendados, a voltar um pro outro. Já senti muita falta de nós, mas nem essa “falta” persiste sozinha, vagando aflita dentro de um só. Aliás, ela quase nem existiu, porque pra “sentir falta” de alguém, essa pessoa precisa, primeiro, ter estado. Ela precisa ter trazido sentimentos bons e mais uma porção de coisas que, cá entre nós, falando baixinho, você nunca trouxe. Essa vida cheia de percalços nunca me agradou. Meu andar descalço é incompatível com essa rota. Foi uma sucessão de esforços, devo admitir. Suas tentativas de me desprender de você nunca foram isoladas. Sempre acompanhadas pela mais covarde das atitudes: ca-na-lhis-mo fanático pra te tirar do tédio. Que bonito, ein? Se você espera que agora eu te peça pra ficar, não vai rolar. Acho que, de fato, o problema é que o melhor assunto que eu conhecia, se tornou minoritário. Você foi passando e não fez questão de voltar. Não vejo anomia no ato de não querer ficar, pior é fingir. Então, por isso, dessa vez, verdadeiramente, obrigada. Não perder mais tempo com o errado, pra mim, é dádiva. E não consigo conviver com a sensação de estar perdendo até os ponteiros com você.

Marielena Fonseca, publicado em: https://www.facebook.com/MarielenaFonseca?fref=ts

Meu amigo inconsciente

58847-Elegant-Mirror

“Você se apega demais àquilo que é pra deixa passar”. Essa foi a frase que mais escutei de meu amigo mais próximo: O Inconsciente. Ele não está errado, vale ressaltar. Mas sempre preferi achar que isso era o natural. Até o dia em que percebi que eu sou muito o reflexo dos amores que passam por minha vida. Não que tenha feito muita diferença até hoje, mas percebo que as poções que tomo – mais perigosas que as combinações de Medeia – com cuidado, a conta-gostas, de cada um, é essencial pra manter a coisa em uma distancia segura de mim, afinal, polos iguais acabam por se repelir. Era mais fácil deixar passar, é verdade, meu amigo Inconsciente sempre me lembra isso. Mas prefiro utilizar as balas alheias pra minha autoproteção. Masoquismo? Não. Mas, uma vez que surgem, que deixem em mim, pelo menos, uma parcela do cinismo e da avareza sentimental que distribuem sem pudor por aí. Tem gente que traz na mala amor de licor. Outros, sentimentos nublados. Outros me aparecem com o gene de “mentiroso descarado”. Pois é, hoje tô aprendendo a lidar com os que economizam pra amar. Desaprendi faz tempo a conjugar esse verbo. E vou logo dizendo: isso aconteceu depois de eu tanto querer me dar. Agora não! Sou um reflexo dos amores que passam por minha janela. Esses sim, refletem o elixir que preciso pra não abrir mais as feridas, pra sarar as escondidas, pra cicatrizar as abertas. Me apeguei demais a essa mania de cobrir a cara e levantar a saia. Cultivei muita força nas experiências e muito descaramento nos sentimentos. Antes de reclamar, vale ressaltar: eu sou apenas um reflexo dos que já passaram por aqui.

Marielena Fonseca, publicado em: https://www.facebook.com/MarielenaFonseca

 

Sobre desapegos

18

Tô desapegando das manias. Mania de guardar gente desnecessária aqui dentro, como se fosse lixo acumulado. Mania de querer sempre ver o melhor, o mais incrível de alguém quando, sinceramente, nunca tem. E a pior, então, é essa mania sorrateira de entregar de bandeja o coração nas mãos de quem não presta (E não presta mesmo! Eu, que brinco de amar demais, só me deparo com gente que leva a sério essa ideia de brincar com os sentimentos alheios): tô quase saindo dela. Sabe essa mania de querer fazer do amor meu fantoche? Tô desapegando. Porque amor não obedece ordem lógica e manipular sentimento é coisa de gente que sente saudade de si mesma. Tô desapegando dessa mania de ancorar a minha vida em almas capengas. Tô obedecendo mais a minha natureza: eu sou ser de ausência, de êxodo, de saudade. Não preciso ficar em ninguém, eu só preciso, vezenquando, voltar pro abraço de alguém e seguir. Nada mais justo. Sabe essa mania de duvidar demais de que, depois da tempestade, tem arco-íris? Tô desapegando. Mesmo com minhas dúvidas, apesar das minhas críticas, o Sol continua nascendo. E a mania de achar que o mundo não pode ser o mesmo sem mim? Desapeguei. Mesmo depois de esconder o galo embaixo da cama pra que ele não cante e o dia não raie, o Sol entra pela janela, o dia continua florindo. Com galo ou sem galo (comigo ou sem mim) o dia continua nascendo. Tô preferindo fazer o melhor que posso hoje, sabe? Sem essa mania de ir deixando pra depois, pra mais tarde, pra só quando Deus sabe! Tô me lavando com água de realidade e me esfregando com a bucha da renovação pra me limpar dessas manias de ficam na gente como sujeira… Elas já não me servem, não se encaixam. Não me culpo pelas manias egoístas que tinha – a gente se acostuma com certas utopias – mas sei que hoje eu prefiro desapegar do que não me engrandece a alma!

Marielena Fonseca

Tamanho M

15

Quando ele trocar de roupa, é bem provável que tenha levado pro cesto de roupa suja, também, o último romance. E preciso dizer: você é excelente no que faz! Admiro muito sua desenvoltura pra se livrar de tudo: do dinheiro, das chaves, do peso, de sutiãs, de sentimentos. Que vida preguiçosa, essa sua…

Já me disseram que quando a gente tem preguiça de reciclar as coisas, de renovar as energias, de amar ao próximo, a gente simplesmente joga no lixo. E sua lixeira já deve estar atulhada de tanto amor em vão, tanta feminice a beira da loucura pra te conquistar. Porque pra você é sempre muito fácil: perder as chaves e encontrá-las debaixo da mesa; esquecer a carteira mas estar com um cartão reserva… Muito fácil! Mas e quando se esquece o amor atrás da porta, com fome, com frio, com medo? Talvez ele nem faça mais tanta questão por você.

Eu sei que tenho me arriscado a viver sozinha por sempre achar que você vai ser só mais um passando por aqui, pendurando a gaiatice no meu anzol, afunilando minhas esperanças e indo embora. Como todos os outros uma hora você ia ter que se despir de todas as joias que eu costumo pendurar no pescoço de quem só conhece bijuteria. Tenho estado muito próxima dessa vontade absoluta de sentar no sofá e nunca mais querer esperar, simplesmente assistir um filme sozinha e se for pra esperar, que seja pela pizza…

Mas é que me incomoda demais viver achando (e você nunca ‘desafirmando’) que eu serei só mais uma roupa de bom corte no seu corpo e quando você suar, desatinar e enjoar, me jogará no cesto. Me recuso a ter que viver assim porque sempre achei que nasci pra ser a segunda pele e essa não se joga fora, porque a nudez que se apresenta é fora de realidade. Mas que se dane, menino! Quem vai ficar com frio é você. Aliás, quem perde é você. Porque agora quem cansou de tentar te en-cobrir, fui eu. Agora só existo pra tamanho M: M de Melhor que você.

Marielena Fonseca