Carta de uma mulher ao seu amor

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Não sei se você existe, a não ser dentro de mim, onde me encanto com sua calma, que me faz te sentir forte, como se eu pudesse me perder em meio às minhas tormentas e confiar que você estará sempre lá, como um farol, para me guiar, acolher e aquecer. Você não se assusta com minha intensidade. Seus olhos não tem medo de olhar nos meus e você é corajoso o suficiente para não ter medo dos sentimentos, sejam eles meus ou seus.

Você caminha pela vida com uma espécie de conforto que só tem aqueles que já viveram muita coisa. Sabe para onde ir. Sabe o que quer. Reconhece e valoriza o que considera precioso.

Já viveu o suficiente para saber que ilusões são armadilhas. Você quer a coisa real e já se conhece o suficiente para pagar o preço de se viver assim. Você é verdadeiro, e não faz isso por mim. Faz isso pela pessoa que escolheu ser.
Você tem no peito um amor real pela vida, pelas pessoas, por si mesmo. Seu peito é macio e tranquilo. Não se apressa. Você é capaz de permanecer bastante tempo num abraço sem querer fugir. Você é capaz de me abraçar pelo tempo que for necessário para espantar meus fantasmas.

Você sabe conviver com as imperfeições. As suas e as minhas. Sabe tornar tudo mais leve não as levando tão a sério. Sabe brincar e rir de si mesmo. Vira criança de vez em quando e brinca, sem sentir vergonha ou se preocupar com o que os outros vão achar.

Você sabe ouvir, me ouve com os ouvidos, com os olhos, com o coração, com a alma.

Você é firme quando necessário, sabe enfrentar conflitos, se posicionar, tomar decisões, não foge por medo, não evita, faz o necessário para preservar a inteireza da vida.

Você não precisa de uma multidão ao seu redor. Escolhe bem as pessoas com quem se relaciona. É de poucos, mas verdadeiros amigos. Não gosta de fazer as coisas só porque todos fazem. Foge de tumultos, lugares da moda, experiências vazias. Gosta do dia, da beleza, da natureza, de viajar, de piqueniques sob o luar, de ler um bom livro à frente de uma lareira, da luz de velas, de música, de conversar longamente em um tom de voz baixo e sem pressa.

Gosta de caminhar em meio à mata, de comer coisas saudáveis, de animais, gosta do meu silêncio, gosta de mim. Você verdadeiramente gosta de mim e me quer bem. Você sabe me tocar e tem ouvidos para ouvir meus pedidos.

Você sabe respeitar meus limites e sabe se fazer presente sem me sufocar.

Eu te amo.

Patricia Gebrim, publicado em: https://www.facebook.com/patricia.gebrim

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