Nem todo amor precisa ser gritado

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Depois de dez namoradas e mais algumas quase paixões, o ineditismo se torna uma utopia. Narizes finos e grossos, lábios carnudos ou não, cabelos loiros, morenos, ruivos, negros, altas e baixas, brancas, morenas, falantes, tímidas, que escreviam, que cantavam, que dançavam, carinhosas, acanhadas, seguras, inseguras. A não ser que eu me apaixone por uma mulher de dois metros de altura ou com três seios (nunca tive esta sorte), é pouco provável que haja o ineditismo em relação à pessoa. Em relação à pessoa não, mas e em relação aos sentimentos? Pois é, eu também achava que não dava.

Eu sou Vinicius. Eu sou Drummond. Eu ou George Harrison. A minha maneira de amar grita, sofre, rasteja, minha maneira de amar é entrega total, é pular do precipício sem saber se tem água lá embaixo, é falar e esperar ouvir a cada cinco minutos que ama, que ama, que ama. E eu sempre amei e sempre fui amado assim. E sempre achei qualquer coisa além deste amor tão utópico quando uma namorada de (eu não teria tanta sorte) três seios. Até que você chegou e, em algumas semanas, jogou por terra tudo o que eu achei que tivesse aprendido em trinta e cinco anos.

Eu ainda não me acostumei muito, na verdade, com esse seu amor tão altruísta que parece nem se importar, mas que, ao contrário, se importa tanto que não cobra nada. Nem atenção. Nem recíproca. Nem amor. Às vezes eu gostaria que você me pedisse para dizer que te amo, ou que me perguntasse se eu ainda te amo. Eu admito que, mesmo quando você ainda era apaixonada por mim, às vezes eu esperava que você me cobrasse amor, me cobrasse paixão. E nada. Nadica. Nem uma pontinha. Parecia o amor que a gente tem por um bicho: a gente ama mesmo se ele morder a gente. E ele morde. E a gente ama. E você me ama.

Engraçado, pra mim sempre foi tão importante ouvir “eu te amo”. Sempre foi uma quebra de barreira, um marco, um rompimento entre a paixonite e o amor de verdade. Com você, não. Você me ama e fala isso, e não é da maneira que eu amo, que eu amava, da maneira que, no fundo, no fundo, ia me fazer tremer as pernas fosse desse jeito. Mas mesmo do seu jeito, você me ama muito mais do que qualquer pessoa já me amou. Você não me ama por você, você me ama por mim. Pra mim ainda é estranho, às vezes eu me sinto inseguro. Às vezes eu pensava: “será que ela não está mais apaixonada?”, mas você estava, e dizia isso dez minutos depois. Porque o seu amor não dá segurança, não dá esperança, não dá certeza. Mas dá a coisa mais importante e que, mesmo parecendo simples e previsível, muitos amores não dão: amor.

Leo Luz, publicado em: https://www.facebook.com/paginadoleoluz/?fref=ts

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