O alento do meu coração

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Parece que o nosso encontro, para meu coração, não foi o suficiente. Ele está aqui, tão ansioso. Quem sente – eu sinto – não diz que ele acabou de encostar em você. Precisa de mais. Três segundos de abraço não saciaram o desejo dele pelo teu coração. Ele tem uma vontade insaciável de você. Impressionante! Esse desejo nunca me trouxe equilíbrio, nunca me deixou andar com os pés no chão. Ele sempre me trazia uma ânsia de vômito tão grande. Me trazia o sentimento torturante, de ser jogada dentro dos meus piores pesadelos, sem a menor chance de me defender. Paixão pra mim era doença. Doença explícita, em sintomas aparentes. Dor, febre e até alucinações, que me preenchiam de aflição, como naqueles sonhos em que você grita, mas o mundo é silêncio e você simplesmente não consegue correr.

De repente você chega e me abraça. Me abraça até mesmo quando minhas emoções me fazem perder a razão e me desfazer de você. Porém você me abraça. Só me abraça. E nesse abraço imerecido, sinto a agitação do meu coração se acalmar. Parece cochilar, acalentado diante do afago das tuas mãos. As lágrimas escorrem, porque jamais me senti tão completa, numa calmaria extasiante, envolvida nos braços de alguém. Me calo. As batidas do meu coração me tomam e eu não consigo entender.

Coração meu, coração surrado, não cansaste de ser acalentado nos braços da ilusão? Não temes que seja tão passageiro quanto o último que lhe prometeu amor eterno? Mas ele não me ouve. Quando foi mesmo que quis ouvir a voz da razão? Nunca se importou.

Pobre coração, sofre de amnésia. Enquanto minha razão reluta, ele se entrega, como se jamais tivesse sido quebrado. Eu o observo. É semelhante a uma criança, que se machuca na brincadeira, chora o joelho ralado, mas no próximo segundo está lá: pulando, exalando uma alegria inconfundível, como se jamais tivesse se machucado.

Mas meu coração não teve só o joelho ralado, caiu tanto, que já não se pode mais lembrar com precisão de todas as quedas. Já passou por cirurgias, reconstituições, transfusões de sangue e atentados. Sua aparência, somente retalhos. Quem há de dizer que este pedacinho avermelhado, tão arranhado, é um coração?

Coração bobo, de sorriso tão frágil, me diz como consegue, ainda, se levantar? Me diz coração, onde escondeste teu medo, pois não consigo o encontrar. Diz pra mim, meu pequeno bem, que este coração que ansiais, não é mais um a quem pretende se entregar. Diz pra mim, pelo bem da minha sanidade, que você já não está dependente. Diz pra mim, que esta não é a única forma de você se aquietar.

Não quero ir. Não quero chorar. Não quero me arrepender mais uma vez.  Mas meu coração me puxa como um átomo eletronegativo, me dividindo em dois polos.

Sem nem mesmo perceber, ou ao menos enxergar o caminho, já estou aqui. Meu coração implorando o aconchego dos teus braços e eu, sem querer, já me acostumando ao teu toque. Fica aqui. Me permita desfrutar da paz e segurança que o mundo ganha dentro dos teus braços.  Me segura o tempo que for preciso.  Não por mim, mas pelo meu coração ferido, que insiste, que seu melhor alento, são as batidas do teu coração.

– Machado

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