Eu não me reconheço mais

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Eu abracei a solidão hoje, moço, comprei livros novos, me doaram livros velhos e nessa tarde, pensei em fitas cassete. Tenho a ligeira impressão de que eu nunca vou deixa de ser antiquada. O novo não me assusta, mas o velho me fascina, me intriga, me enche de curiosidade e brilho nos olhos. Talvez seja esse o motivo, pelo qual não deixo a casa. Eu vejo em você, a luminosidade mais expressiva, que as minhas pupilas já tiveram. Eu tenho em você, o doce e o amargo, travando uma briga infindável, pra ver qual dos dois come o meu coração primeiro. Eu não te reconheço mais, moço, eu não me reconheço mais. Me olho no espelho e vejo olheiras fundas e escurecidas, tão perdidas quanto o meu abraço, no vazio da sala. Ontem eu quis sair por ai e te procurar, ou abandonar a casa, ou até mesmo trancar tudo e me afundar nesse vácuo que é a vida sem você. Contudo, o dia hoje acordou sereno, com um sol tranquilo e aconchegante, me exigindo recomeços. Abri as portas e janelas, deixei a brisa leve que corria, me preencher e me encher daquelas vontades e incertezas da vida lá fora. Eu não te espero mais chegar, moço, mas tenho certeza sobre a sua volta.

Natália Brandão, publicado em: https://www.facebook.com/OMocoEOOcio

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