Entre a distância das mentiras e o silêncio do meu orgulho

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Acabou. Eu sabia que não iria dar certo. Eu vivia aqui e você lá. Não era o tipo de cara que daria futuro, apesar do sentimento que a gente tinha ser muito forte no presente, evoluir pro amanhã, mas o depois do amanhã mesmo, eu já via que não iria rolar. Mas a teima é sempre constante.

Até que seria legal se tivesse dado certo, só legal mesmo, porque nunca consegui imaginar um futuro maior pra nós dois. Ficamos aqui, envoltos no orgulho das palavras não ditas, todas as vezes que nos afastávamos, e eu acabei me envolvendo e deitando no berço aconchegante de mentiras que você criou pra mim; Dormi quentinha, tranquila, e sonhando, acreditando que tudo era verdade e que não tinha nada de errado amar alguém que nem se quer era do mesmo lado que eu.

 Obrigada por mentir tão mal assim; E eu poder te pegar nos detalhes, do travesseiro duro demais para aquela cama, e dos lençóis ásperos demais para enxugar as minhas lágrimas. Ainda bem que o destino te levou, e os desencontros nos encontraram, e eu finalmente conseguir deixar de amar você. Porque se fosse mesmo pra ser, você estaria aqui e não do outro lado do mundo. Nem que fosse vez ou outra pra fazer uma visita, tentaria ao menos reencontrar o seu olhar com o meu.

Acabou e eu nem se quer te disse adeus. Acabou e você nem viu. Acabou e o que tínhamos se perdeu. E hoje só resta aquela coisa acanhada que existia no dia em que nos conhecemos.  Não sei se isso é bom, vai que então se desenrola um recomeço, mas as imagens de tudo o que aconteceu, as lágrimas, as mentiras, as brigas infindáveis e o abraço nunca prolongado, me fazem desistir de tentar outra vez. Não sei se é isso que não te deixa tentar também; Sei que estou cansada dessa emoção agonizante, dessa aflição sem jeito que esse tipo de sentimento provoca. Tenho medo de tudo isso recomeçar com um simples Oi, e é por isso que eu prefiro jamais quebrar esse gelo, e me manter em silêncio, pelo maior tempo que eu conseguir, mesmo olhando em seu rosto e notando que dentro dos seus olhos, ainda há as profundezas da incerteza do nosso algo inacabado.

 Perdoe-me por ter dito eu te amo, eu não te amei, e hoje eu percebo, que era melhor não ter me deixado levar pelo teu olhar repleto de carência me pedindo pra ficar. Não disse eu te amo por maldade, eu realmente achei que te amava, mas você mesmo me mostrou que não era bem assim, para ambos os lados. Soltou o elástico enquanto eu ainda segurava, me obrigando a voltar à realidade de que você já não estava mais aqui.

Agora fica ai que eu vou continuar aqui. Porque é assim que deve ser. Você envolvido na distância das mentiras e eu no silêncio do meu orgulho.

-Machado

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4 thoughts on “Entre a distância das mentiras e o silêncio do meu orgulho

  1. Lendo e me sentindo orgulhosa por você ser minha aluna, rsrsrs. Seus textos são muito lindos, Bruna, mas não só lindos, são de uma profundidade tocante. E eu achando que estou ensinando literatura! O escritor já nasce feito! Um beijo.

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