Eu não sei..

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Não sei quando as coisas se tornaram tão complicadas; o mais próximo que chegamos em palavras foi um ‘Eu gosto muito de você’; E esse ‘muito’ demorou um pouco pra sair; nunca houve cobrança; as brigas se contam nos dedos de uma mão; eu não consigo contabilizar o tanto de risadas, quase onipresente; não consigo esquecer o quanto você odiava as cócegas e os sustos e como você ficava depois, com a expressão estampada ‘Me abraça’! Eu não te negava, nem abraço, nem sorriso, nem beijo, nem tirar suas roupas;

Não sei o que não gosto em você, talvez tenha tanta coisa que eu não gosto em mim que eu só consigo refletir as coisas boas nessa nossa relação; talvez seja por eu odiar clichês, e tudo isso que vivemos ser exatamente o oposto a qualquer coisa esperada, seja inesperado, talvez seja o jeito que você cabe em meus braços; ou o jeito que eu te abraço pra dormir e acordo do mesmo jeito, com você imóvel no meu peito; talvez seja seu par de olhos que penetram minha mente e cravam seu brilho na minha alma; ou talvez seja só o sexo que é bom pra caralho; talvez seja só a marca de suor que deixamos na minha cama, ou as roupas jogadas em qualquer canto, ou ter que arrumar meu lençol depois que você vai embora, talvez seja só você olhando pra mim e dizendo ‘ta calor pra porra’; talvez seja tanta coisa, que eu me perco nesses ‘talvezes’ e não tenho certeza de mais merda nenhuma.

 Não sei dar nome ao que a gente tem, porque ainda não inventaram um nome; um nome, um rótulo, um ‘status no facebook’ estragaria; ninguém precisa ler pra confirmar o eles já sabem, porque é o que transmitimos; não precisávamos nem andar de mãos dadas, mesmo que eu ficava ali do seu lado, colado, só esperando você dar a mão, e mesmo meses depois quando você me dava, eu sentia aquele frio na barriga de quem tá se conhecendo agora; era estar com alguém que eu não precisava fugir nem fingir nada, era idéia demais pra trocar, nossa, era palavras demais pra gastar, dois ‘faladores’ infinitos; dois loucos diferentes em tudo mas de loucuras parecidas; era a vodka e a catuaba, parece que não combina, mas misturados, da uma loucura do cacete;

 Não sei porque tive centenas de oportunidades de fazer a coisa certa, de pegar na na sua mão, olhar nos seus olhos e dizer: fica comigo até a gente enjoar, ou até você cansar, fica comigo até esse Sol raiar, e o outro, e o outro, e até o amanhã se tornar mês que vem, ano que vem, fica comigo até essa coisa toda nos consumir, mas fica comigo hoje que depois a gente se resolve, de improviso mesmo, sem planejar nada; vamos ver até onde dá essa viajem, esse ‘tô aqui embaixo, desce ai pra me da uns beijo’ no meio da semana corrida; vamos ver quanto dura esse ‘to com saudade de beijar sua virilha’;

 Não sei o quanto eu gosto de você; ainda não sei o que eu sinto por você; também não sei o porque que essa dor dói tanto, afinal a gente nem ‘namora’; mas te perder foi uma bica no estômago quando inspira o ar; te perder foi um estalo na boca quando se morde a semente da melancia; te perder foi ter que olhar toda hora seu status no WhatsApp e ler aquele ‘online’ desejando se tornar um ‘escrevendo…’ e não um ‘Visto hoje às 05:58’; te perder tá sendo foda pra caralho;

 Mas ai, posso me perguntar:: por que não ir atrás dela?; posso me julgar: levanta a bunda dessa cama, pega a o seu carro, sua boca e sua voz e faz algo que presta, rasga o verbo, vomita tudo que você pensa que sente, não precisa ser bonito, nem precisa se trocar e arrumar o cabelo, que se foda, se joga de cabeça que essa oportunidade é uma só, deixa essa melancolia, apaga seu cigarro e cola logo, chega junto;  eu posso ficar horas e horas pensando e encucando e me perguntando exatamente a mesma coisa; posso passar a noite em claro tentando achar uma resposta, tentando achar uma luz, tentando obter uma conclusão… Mas no final de tudo, simplesmente, eu não sei.

Raul Trindade Souza

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