Um registro de nós.

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Hoje a nossa música tocou na rádio, e já faz algum tempo que a gente não se vê, não contei os meses. Desaprendi a contar, acabei me acostumando a esperar, em meio a tantas idas e vindas, certas e incertas. Hoje lembrei e até senti falta daquela velha angustia de chegar cedo em casa, ter que organizar tudo pra te receber da melhor maneira possível.

 Lembrei da última vez que você voltou: abri a porta e lá estava você analisando as “plantas” da varanda – “Você regou o meu Bonsai com vinho? Confessa!”

 Uma das muitas coisas que eu gosto(gostava) em você, é o seu jeito de abraçar, encaixado e apertado, direto na alma. O cheiro do seu cabelo misturado com argan, o cheiro do amaciante na sua roupa que ofuscava a fragrância de qualquer perfume, lembra? Eu ainda não consegui entender a questão das microcápsulas perfumadas que você me explicava incansavelmente.

 Meses se passaram, e eu, eu poderia listar milhões de detalhes da nossa convivência perfeitamente complicada. Sim, complicada, porque éramos opostos que estranhamente encontravam uma forma de se completar. Fugíamos do relacionamento convencional: Fotos no Facebook, juras eternas de amor e bate-boca nos bares da vida. Nós éramos do vinho em casa, da cumplicidade em ação e não em palavras, do sexo sem pudor, da cerveja no boteco da esquina com os amigos em plena segunda-feira.

Os meus “muitos amigos” e os seus poucos. Você sempre esteve certa em relação aos meus, a multidão, às vezes, é solitária quando ninguém entende verdadeiramente o que/quem a gente é. Não queria que o dia terminasse sem deixar registrado de alguma forma o que de melhor a gente já foi um dia, tentei lembrar sem muito esforço de alguma briga boba, mas a memória falhou, ou os momentos de felicidade realmente estão em maior quantidade…

 Antes de ir deixei um bilhete colado na geladeira: “Confesso que reguei os Bonsais com vinho, por favor, mantenha a receita. Regue com vinho e amor, da mesma forma que você regou a nossa relação. Um dia eles irão crescer da mesma forma que você me ajudou a crescer como pessoa. Com carinho, de alguém que foi plantada na sua vida, regada por você, cresceu… E daqui pro mundo.”

“Mas o tanto que eu levar de você, eu deixo um pouco pra me misturar…”

 (Terminei Indo – A Banda Mais Bonita da Cidade)

Lya Coutinho

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