É dádiva

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Talvez a gente concorde que, no tilintar dos sinos, não tínhamos mais som. Aquele som que sempre nos trilhava, de olhos vendados, a voltar um pro outro. Já senti muita falta de nós, mas nem essa “falta” persiste sozinha, vagando aflita dentro de um só. Aliás, ela quase nem existiu, porque pra “sentir falta” de alguém, essa pessoa precisa, primeiro, ter estado. Ela precisa ter trazido sentimentos bons e mais uma porção de coisas que, cá entre nós, falando baixinho, você nunca trouxe. Essa vida cheia de percalços nunca me agradou. Meu andar descalço é incompatível com essa rota. Foi uma sucessão de esforços, devo admitir. Suas tentativas de me desprender de você nunca foram isoladas. Sempre acompanhadas pela mais covarde das atitudes: ca-na-lhis-mo fanático pra te tirar do tédio. Que bonito, ein? Se você espera que agora eu te peça pra ficar, não vai rolar. Acho que, de fato, o problema é que o melhor assunto que eu conhecia, se tornou minoritário. Você foi passando e não fez questão de voltar. Não vejo anomia no ato de não querer ficar, pior é fingir. Então, por isso, dessa vez, verdadeiramente, obrigada. Não perder mais tempo com o errado, pra mim, é dádiva. E não consigo conviver com a sensação de estar perdendo até os ponteiros com você.

Marielena Fonseca, publicado em: https://www.facebook.com/MarielenaFonseca?fref=ts

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