Sobre um dia pra nós

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Eu fiquei esperando o relógio bater a meia-noite pra apertar o “enviar” daquele sms que estava ali no bloco de notas há mais ou menos 1 mês, esperando pra apitar na tua caixa de entrada. Foi. Quer dizer, não foi.

Essa mania costumeira da telefonia móvel em boicotar a gente fez eu rodar a casa procurando um lugar onde as barrinhas simpáticas da rede se sentissem confortáveis a aparecer no visor do meu telefone celular. Tentei te ligar. Reenviar. Nada.

Corri pro computador e lá dei um ctrlc + ctrl v naquele poema que eu te fiz. Internet só discava. Nada. Poxa.

Cansada de rodar a casa, lembrei de como cansava não te ter por perto. Debrucei no parapeito da janela, numa última tentativa e vi naquele restaurante charmosinho do outro lado da avenida um casal comemorando o seu doze de junho.

Eles estavam sentados frente a frente, bem vestidos, uma taça de vinho daquelas grandes em cada lado e nas mãos: Um telefone celular. Pareciam estar enrolados nas redes das redes sociais enquanto dessocializavam o amor.

Talvez aquele fosse só mais um jantar a dois. Talvez fosse o segundo, terceiro naquela semana. Talvez ele sempre a buscasse na faculdade. Almoçassem juntos todos os dias. Talvez ele mastigasse a comida de um jeito irritante pra ela e talvez ela insistisse naquela blusa rosa que ele odeia. Talvez a rotina de estar perto, tivesse distanciado os dois. Poxa.

Eu tô aqui subindo nas cadeiras, me equilibrando no parapeito dessa janela pra ver se te encontro nessa web ingrata. Tô aqui querendo teu riso, querendo ver tu mastigar uma besteira qualquer, querendo que tu me esperes no portão da faculdade, almoçar contigo e usar aquela blusa rosa que te faz rir da minha cara.

Tô aqui querendo usar as taças grandes de vinho que eu comprei, enquanto essa gente louca não sabe se querer.

Daqui da minha janela eu vejo um perto que é mais longe que a distância que separam nossas casas. E como é fácil amar nossa distância, agora!

Como eu amo teu bom dia, todo dia. Tuas cartas, cartões, ligações inesperadas e as coisas que tu deixa largadas pelo chão da minha casa. Pelas flores que tu largas no chão da minha vida. Como eu amo esbarrar em ti toda vez que eu vou pro banho e vejo tua foto no mural. É como se a gente vivesse num mapa de escala reduzida e num passo eu estivesse no teu abraço. Que Deus nos livre da maldição de estar tão perto à ponto de estar tão longe.

Que possamos ter sempre um dia pra nós, todo dia.

Kamila V., publicado em http://ogostodaletra.blogspot.com.br/

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