Dois singulares, um plural

o-HAPPY-COUPLE-facebook (2)

Te vi. Você estava no meio da multidão. Entre tanta gente igual, entre tanta gente normal, lá você estava. Foi estranho. Senti uma pontada no peito e um frio na barriga. Era como ver um sonho se realizando bem diante dos meus olhos.Um sonho daqueles que a gente se esforça para não piscar e, de repente, perceber que estava apenas dormindo. Você sorriu, eu corei. Senti as bochechas se aquecerem e as mãos gelarem. Você se aproximou, eu o abracei. Você era tão real e ao mesmo tempo tão demasiadamente incomum para ser de verdade. Senti no seu abraço a forma e o calor exato para envolver o meu corpo e a segurança necessária para proteger o meu cético coração. A alegria bateu, eu resolvi abrir a porta.

Não, aquela não foi a primeira vez que te vi, mas foi a primeira vez que te enxerguei tão nitidamente. Naquele exato momento, te reconheci: Você era o cara que surgiu para me mostrar a incrível sensação de viver com a cabeça nas nuvens e os pés no chão. Não foi à primeira vista, não foi após o primeiro beijo. Foi quando eu já conhecia a diferença da sua voz nos dias normais, nas horas de sono e nas épocas de gripe. Também conhecia o seu cabelo bagunçado de domingo, todas as cores dos seus olhos, cada sarda do seu rosto e o desenho da sua barba cerrada. Já havia me identificado com o seu jeito desajeitado e a sua teimosia que insistia em ser maior que a minha. Foi depois de descobrir todas as suas manias loucas, o seu prato montanhoso no almoço e o seu relacionamento sério e poligâmico com o futebol, a cerveja e os livros. Aliás, também já havia percebido que você não era normal. Sim, pois, mesmo depois de me conhecer tão bem, resolveu ficar. Onde há sanidade nisso? Não leve a mal! Cá entre nós, eu sempre achei a loucura bem mais legal mesmo.

Nunca foi uma dessas paixões avassaladoras, destruidoras e repentinas, feitas para acabar, como muitas. É um desses amores calmos, quentes e construídos com o tempo, feitos para durar, como poucos. Não somos iguais, não somos opostos, penso que somos equivalentes. Nos descobrimos juntos a cada dia, mesmo entre nossas histórias independentes e completas. Eu aqui e você lá. Se estamos longe, permanecemos perto. Você jamais me causou insônia ou dor de cabeça. Pelo contrário, ao final do dia, quando eu sinto as pálpebras se fecharem e os cílios se encontrarem é o seu rosto que eu imagino, ensaio um sorriso e o sono mais tranquilo me invade. Aí eu acordo no dia seguinte e percebo o real motivo: Você, diferente dos outros, não veio tentando preencher meu copo, que sempre foi cheio. Você veio para trazer o seu copo também para juntos brindarmos nossas vidas que mesmo tão singulares adoram ser um plural.

Jessica Delalana, publicado em: http://www.casalsemvergonha.com.br/

Anúncios

2 thoughts on “Dois singulares, um plural

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s