A pessoa que eu quero

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Não é perfeita.
A pessoa que eu quero tem um monte de defeitos.
Mas pelo menos reconhece todos eles e tenta lidar com eles.
Algo que raramente consegue. Mas tudo bem.

A pessoa que eu quero me fala o que preciso ouvir e não o que eu gostaria.
Eu preciso da verdade, por mais dolorosa que seja.
Preciso saber onde errei pra tentar consertar antes de ver tudo se arruinar.
Preciso saber onde acertei pra tentar melhorar antes de ver tudo se acomodar.
Eu não preciso ter razão sempre.

A pessoa que eu quero pode até não conseguir me entender – afinal, nem eu mesmo me entendo – mas ela tenta. Ela tenta se colocar no meu lugar.
A pessoa que eu quero nem sempre acerta mas sempre tenta.
Eu gosto mais de tentativas do que realizações.
É difícil conseguir algo, mas é ainda mais difícil tentar conseguir algo.
Os primeiros são quase sempre os passos mais difíceis.
Requer mais esforço sair do lugar do que permanecer onde está.
São as tentativas que me seduzem e me fazem ver o quanto alguém pode se esforçar por mim. Como eu disse, admito que nem eu mesmo me entendo, e por isso, não me cabe julgar as vitórias, mas me cabe valorizar as batalhas.

A pessoa que eu quero não gosta de joguinhos.
Normalmente ela me liga quando sente vontade, me diz que sente saudade quando está com vontade, me chama no chat pra falar qualquer coisa quando sente vontade, me chama pra sair quando sente vontade. Ela não espera que eu faça alguma coisa para que possa fazer também. A pessoa que eu quero, entretanto, não é submissa à mim ou aos meus caprichos, ela tem muita personalidade. A diferença é que ela sabe aproveitar o tempo, sabe que talvez seja mais inteligente aproveitar o tempo fazendo alguma coisa para que algo bom aconteça do que esperar com que algo bom aconteça sem que nada
precise ser feito.

A pessoa que eu quero admite que erra.
Insiste em defender o jeito que pensa, mas não procura vencer, procura argumentar pra me convencer Mas isso dura tempo suficiente para perceber que estamos perdendo tempo. Então ela releva. Então eu relevo. E a gente se acerta sem que precisemos estar certos.

A pessoa que eu quero sabe reconhecer coisas boas.
Sabe que eu gosto de cuidar e que é claro que eu tenho ciúmes, mas é só porque… bem, tenho ciúmes mesmo, não tem por quê.
Mas ela sabe que amo me dedicar por nós dois e que as nossas pequenas coisas são só nossas. A pessoa que eu quero sabe como é bom ver um filminho embaixo do edredom, sabe como faz bem uma gentileza aqui ou ali a troco de nada, sabe como mensagens surpresas melhoram o meu dia, sabe que se eu não quero sexo em uma noite qualquer é porque eu não estou confortável pra me dedicar como merecemos. Ela sabe reconhecer minha sinceridade.

A pessoa que eu quero gosta dos meus sorrisos imperfeitos!
Diz que gosta de ficar comigo pra ver as nuvens dançando no céu.
E diz também que tudo bem eu não saber cantar direito, mas é divertido me ver cantarolando meus refrões preferidos. Ela diz que faz bem pra ela me ver bem, mesmo que eu não saiba muita coisa tão bem assim.

A pessoa que eu quero sabe que se estamos juntos é pra construir algo bom juntos. Sabe que se eu não dormir bem a noite, os dois não dormem. E vice-versa. Sabe que apesar de normais, nossas discussões não podem nos ferir e não podem desgastar a construção do que vivemos, por isso ela consegue ver com mais do que com dois olhos.

A pessoa que eu quero não renega o passado.
Ela sabe da importância de cada dia já vivido e cada boca já beijada; sabe de tudo que viveu pra chegar até onde estamos. Vez ou outra ela traz a tona alguma experiência de modo que possamos aprender juntos; os dois sempre ganham. Mas a pessoa que eu quero não é refém do que não existe mais, não se aprisiona numa saudade do que já viveu, nem desenterra lembranças que de certa forma não me farão bem.

A pessoa que eu quero responde minhas mensagens, nem que seja pra dizer “não posso falar agora”. Ela entende que se a procurei é porque desejava falar alguma coisa, e que por mais que não fosse nada de importante, ela entende que é bonito ver alguém dedicado um segundo da própria vida pra outro alguém, entre tantos outros “alguéns” que existem nesse mundo.

A pessoa que eu quero não tem vergonha de chorar.
Ela não precisa ser forte o tempo todo. Ninguém precisa, aliás.
Essa pessoa sabe que quanto mais sincera ela for com ela mesma, mais será comigo, mais seremos um com o outro. Ela sabe que apareci na sua vida pra somar, que a minha felicidade é multiplicada pela dela, que não somos viciados nem dependentes um do outro, mas que juntos somos melhores. Por isso ela desabafa. Me conta dos medos infantis, dos problemas em casa e no trabalho. Deita no meu ombro e chora por se sentir uma pessoa fraca. Ela desmorona dentro do meu abraço. A pessoa que eu quero nada pra dentro de mim com o jeito que me olha.

A pessoa que eu quero sabe a diferença entre exibir e compartilhar.
Ela entende que podemos sim mostrar pro mundo como gostamos um do outro, desde que isso não agrida outras pessoas de alguma maneira. As pessoas não veem como a gente. Nossa felicidade não precisa ser jogada na cara, não precisa ser provada pra ninguém. A pessoa que eu quero entende que por mais bonito que seja mostrar na internet o quanto a gente se gosta, o que precisamos mesmo é convencer um ao outro o quanto nos gostamos.

A pessoa que eu quero faz um sexo que podemos chamar de “nosso”.
Não me coloca em lista de desempenho, não me estabelece em ranking, não me julga nem pior nem melhor, mas entende que tenho o meu jeito de fazer as coisas, e mais, que eu sempre posso mudar. Sempre posso aprender. Sempre podemos.

A pessoa que eu quero não tem muita frescura não.
Com ela é difícil ter tempo ruim. Chuva nenhuma impede a gente de sair. Sol nenhum é o bastante pra nos esconder. Ela vai à praia se for preciso, vai ao campo, usa cachecol, usa regata. Usa sapato, usa chinelo. Come de talher, come com a mão. Ela é normal. Ela gosta de falar com meus amigos – mas é sincera ao admitir quando não vai com a cara de algum deles -, gosta de falar de bobagens, gosta de rir do que acha graça e não do que deve rir. Ela prefere dizer mais sim que não. A pessoa que eu quero vive comigo pela gente, não por mim. Ela gosta das minhas qualidades e de como somos bons juntos.
A pessoa que eu quero tem beleza fácil.
Daquelas que me dá vontade de tirar uma foto do jeito que acorda. Que os cosméticos ou roupas de marca podem valorizar, mas que nunca vão substituir a beleza amassada de acordar ao lado. Ela tem gesto sincero, riso frouxo e entende que não adianta querer ser algo a mais do que é; entende que se eu digo que gosto não falo por falar, falo por sentir.

A pessoa que eu quero não liga muito pra dinheiro.
É claro que ela tem suas vontades e corre atrás do que precisa pra realizá-las, mas ela também vê prazer na vida por viver. Vê valor num dia de sol na cabeça disfarçado de óculos-escuro, vê valor no jeito que a chuva bate no vidro e escorre devagar, vê valor na gente comprar qualquer coisa pra comer, nem que seja metade da pizza mais barata, vê valor em qualquer coisa desde que estejamos juntos. A pessoa que eu quero constrói comigo o valor das nossas coisas!

A pessoa que eu quero vive nesse mundo onde eu mesmo digo que ninguém mais presta. Ela tem muitos dos problemas que eu também tenho, tem muitos dos traumas e dos sonhos, tem muito do que eu sou. Somos da mesma espécie. Respiramos o mesmo ar.

Sei que falando desse jeito todo a pessoa que eu quero parece perfeita, mas não é, mas ela é pra mim exatamente do jeito que eu gostaria de ser pra alguém.

Márcio Rodrigues, publicado em: http://umtravesseiroparadois.wordpress.com/

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