Que sangra sem parar

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Sinto falta dos olhos verde-goiaba me fitando. Da fala mansa correndo pelo pescoço. Das mãos grandes palmilhando o torso. Do carinho na nuca. Dos lábios rosados grudados nos meus. Do cheiro de JOOP na roupa de cama. Do restinho de café que ficava na xícara, das três camisas – azul, branca e coral – penduradas no cabide para marcar o território . Da cerveja e do amendoim de sexta-feira. Das juras de amor. Daquele papo que seria para sempre. Dos dois filhos e um cachorro. Da casinha de madeira, na praia e com duas redes. Da paz assoviando por dentro. De enxergar coraçãozinho nas nuvens. De tudo de bonito que existia em nosso relacionamento e ele pisoteou. Trocou por uma aventura. Por um par de seios fartos. Por uma noite com outra silhueta na cama de um motel. Preferiu uma ejaculação em coxas ‘novas’. Amassou e picou em pedacinhos a nossa história de amor. Eu sinto falta, não posso negar, mas, a decepção me faz o querer bem longe, longe do meu coração moído, que sangra sem parar.

Kauane Mello

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