Eu odeio joguinhos mas preciso aprender a jogar

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Tipo você.
Eu gostaria de perguntar a noite como foi o seu dia, mesmo tendo falado com você durante ele todo. Sei lá, inventaria algum assunto, transformaria mais uma viagem de ônibus em uma viagem cheia de detalhes, com gente dormindo, rindo, ouvindo música alto, gente de todo o tipo. Eu detalharia cada detalhe pra você. Assim, redundante mesmo.

Gostaria de saber quem são seus amigos para que eu pudesse ilustrar cada um deles na minha cabeça toda vez que menciona algum deles. Eu gostaria de ter a liberdade de poder te ligar a qualquer hora. Gostaria de te chamar pra sair mais vezes do que já saímos. Eu gostaria de te dizer que ficaria feliz em te ver alguns dias a mais durante a semana. Gostaria de poder te abraçar depois de uma risada nossa. Gostaria de te dizer sem titubear que te vi linda todos esses dias até aqui.
Gostaria de tanta coisa sobre você mas ainda não é hora de saber.

Apesar de eu saber que não é algo bom, eu gostaria de poder acelerar o tempo, só hoje, só essa semana, só esse mês, gostaria de ver o tempo correr pra saber se vou sofrer com você. Eu sei que isso é surreal, que essa história de tentar prever só me deixa mais longe do que é real, mas fazer o quê, é algo que eu gostaria mas não é algo que vai acontecer.

Gostaria de não ter que medir minhas palavras com você. Não que eu deixe de ser quem sou quando estamos conversando, mas sabe, eu tenho pressa em ser feliz. Tenho pressa em poder tocar o seu rosto sem aviso-prévio, tenho pressa em poder te abraçar de surpresa nos corredores do supermercado, tenho pressa em te ver deitada no meu peito no cinema, tenho pressa em te ver de pijama numa noite de sábado de edredom. Mas eu sei, nem adianta ninguém me dizer, eu já sei que eu preciso esperar.

A dor faz a gente acumular muita coisa boa pra despejar em uma pessoa.
Sortuda quem for essa pessoa.

[…]

Eu sei que tenho que esperar, mas você sabe o quanto eu já te esperei?
Eu sei que é preciso te dar um tempo, mas você sabe quanto tempo eu já estou aguentando por mim mesmo?
Eu sei que eu preciso te dar espaço, mas você sabe quanto espaço sobra aqui entre os meus braços?

Eu só tenho pressa de você por ter certeza que tenho muita coisa boa pra te oferecer.

[…]

Eu não quero estragar tudo. Não quero te assustar.
Não de novo.
Não quero ser quem mete o pé pelas mãos alegando ser na melhor das intenções. Aliás, eu nem preciso das melhores, as boas já podem bastar. É que tenho dessas, não sei viver do mínimo se sei que posso dar o máximo. Mas estou aprendendo a me controlar.
É que quando a gente vê que a vida recomeça a gente volta a se empolgar como na primeira vez.

Um instante inédito na vida é capaz de ocultar qualquer reprise do passado.

Márcio Rodrigues, publicado em http://umtravesseiroparadois.wordpress.com/

 

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