Te leio e surto

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Te leio e surto. É absurdo ser aquele que te dedica páginas e páginas do próximo filme. E dói não ver meia vírgula tua dedicada ao meu cortejo. Ao possível beijo. Não admito. Quero estar no seu fraseado. Que eu seja um hífen isolado que separa o guarda da chuva. Que eu erre e separe a passa do tempo. Mas que exista o momento do ‘nós a sós’.

Você diz não se importar com o que penso e que não lê o que faço rimar. Mas cê já leu tanto. Dizia que era pro nosso papo fluir melhor. Desgraçada. Hoje desencanou. Já conseguiu teu objetivo. Indiferença deixa cego. Não percebe que seria uma benção ler Ernest mas subentender meu nome? Não se ligou que cê ama o Pessoa, mas que eu fodo melhor que ele? Inclusive, ele tá morto. Morreu pra caralho. Quem sabe tenha sido de conter amor por uma dessas filhas da puta da sua laia.

Não sou dos jogos. Sou dos olhos. Na última e primeira vez que te vi, tua boca me traiu. Havia outras e, por que diabos agora é só a sua? Coisa de pesadelo. Eu insisto no convite e o revide é sempre com sorriso e um ‘hoje não dá’. Que isso? Tortura programada? Loucura planejada?

Na boa, quando eu cismar que você não escapa, cê não escapará. Quando eu cismar que acabou-se o jogo e agora o troco é todo meu, prepara teu melhor argumento. Porque eu respeito é o consentimento. Mais nada. Permitiu, eu invado. E faço estrago. E levo à cabo meu desejo pelo seu ar de primeira do pódio. Quando eu cansar de ser maltratado, saia com a blusa bordada com os melhores algodões. Os mais resistentes, pois quando seus dentes se abrirem pra falar ‘talvez’, eu aumento o ritmo da íris. Subo a temperatura do papo e passo a rasgar meu verbo e tua roupa. Vou te adorar toda louca.

Ao avistar e confrontar teu ‘sim’, te ponho nua. No meio da rua faço nossa melhor poesia. Se nos flagram, toco o foda-se e grito:

‘Some daqui, cretino! Ela é minha licença poética.’

E não vou ter mentido. É divertido sofrer a sua espera, confesso. Poeta é o bicho que mais erra. Te quero porque você me acerta. Me abre as pernas e fura meu peito. O jeito é enlouquecer.

O jeito é te perder em devaneios num sábado de manhã. Quem sabe amanhã teu lençol respire meu cheiro!?

Fábio Chap

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