Desaniversário

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De olhos fechados ou abertos, tudo se clareia, de certo pela luz da alma que permeia aquele corpo, e com a luz dos caminhos que me constroem. E somos farol.

Somos uma história carinhosamente conturbada estampada na pele.

E somos construção, gozando da vida com a consciência estranha de que “nada se cria, nada de destrói; tudo se transforma”, sabendo que tudo o que temos é o agora e que ele não dura mais do que o tempo de um agora, imensurável.

O novo, misto de receio e anseio.

Até o que se repete ainda é novo.

Não vemos o mundo com os mesmos olhos, não sentimos com o mesmo ser, não pensamos com os mesmos neurônios, mas nos entendemos sutilmente, cada um por si, com o outro, no outro.

O desejo antitético de algo leve, que pudesse se dotar de uma intensidade de me tirar do sério, não é mais apenas um desejo, é palpável e transcendente, metafísico. Tangível e findo, ao mesmo tempo.

Que seja só um jogo bobo de palavras, mas o que há é pertencimento e não posse. Pode-se pertencer livremente onde quer que se sinta bem. Liberdade é caber sem poda.

É abrir a porta emperrada com jeito e não explosão. E, lá dentro, explodir em flores.

Um trem desgovernado também é escolha. Pode-se pular a qualquer momento ou se entregar à jornada pelo controle das velas, amigar-se ao vento, compreendê-lo.

Uma rosa dos ventos não me diz para onde ir, a escolha é minha.

O tempo todo.

Publicado em: http://blogdomenino.wordpress.com/

 

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