Lounge

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“Pr’eu me perder de vez nas tuas tintas”

Feito criança que suja todos os dedos – e cotovelos, braços, roupas – com aquarela, quero misturar o azul do céu bonito da fotografia da sala com o laranja rosado da aurora que invade o quarto antes de você acordar, pra descobrir se isso tudo vira marrom, verde, azul, roxo, amor, dois. Molhar todos os dedos na tinta fria que escorre na pele quente, parede fria, boca quente, arrepio frio desenhando em pêlos o caminho das minhas mãos na sua pele branca contrastando com o meu tom bronzeado desbotado de fim de verão.

E ver que o bege das unhas cravadas na pele que um dia foi marfim, tinge de vermelho e traça um mapa do tesouro ao nosso prazer nada escondido nem contido pelo cinza das janelas que nos separam do colorido e do brilho dos dias. Que não brilha mais que o seu corpo marcado ou seu olho claro antes de se fechar e me soprar um beijo pelos lábios meio rachados do vento, da vida, das mágoas, do ex amor.

Quem sabe a gente descobre e conta pra esses artistas pintores de esquina que âmbar e tinto viram branco e preto. O branco do meu sorriso embriagado com a barba preta que passeia pelo meu braço, peito, ventre, coxas, alma, ar. E embaixo dos lábios matizados de carmim tem um escarlate do uso intenso da sua boca que me queima no estilo devagar-e-sempre fugindo do meu amasso para-o-alto-e-avante.

Talvez o castanho com o preto vire nó e a amêndoa com esmeralda com mel vire nada, vire tudo, vire do avesso. E o contraste do magenta e do ciano no chão perto dos pés da cama virem urgência, paz, êxtase, sossego, calor, quando o púrpura – quase terra uma vez areia fina e branca – explode em prazer nevado, leitoso, gostoso, amante que escorre pelas frestas e festas do corpo suado depois das palavras rasgadas, imundas, sujas que explodiram na vontade do carinho seu.

O que você me diria se eu contar que Bonequinha de Luxo é a cores porque desde que você chegou o mundo é cor, meu coração é cor e o cinza não é triste, é parte da aquarela que surge com a sua preguiça ao acordar e que me invade cada manhã, cada espreguiçada sob o lençol azul, rosa, amarelo, verde, cinza, cor. E que, se antes eu achava que tinha dom para nomear cores, agora eu acho que o mundo vive uma psicodelia frenética e pulsante dos pigmentos que me invadem e lembram que não há cor que possa pintar meu peito galopando quando seus olhos, pela manhã mudam de cor e resolvem colorir minha alma.

Marina Oliveira

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