Hoje

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Numa tarde de terça-feira, 15h pra ser preciso.
Preso, trancado, enjaulado dentro de um quadrado frio e solitário.
Uma luz no teto que pouco ilumina o ambiente, muito menos que os poucos raios de sol que invadem a sala ao lado através de pequenas janelas de basculante e que realmente me faz perceber que não chegou à noite deste dia.

Cadeiras levemente desalinhadas, empoeiradas, juntamente com dois colchonetes azuis, um par de sandálias de borracha, uma mochila preta com um tecido quadriculado e uma janela pra o mundo; é tudo que me faz companhia nesse momento. Ah, quase ia esquecendo, há também meio pacote de bolacha, ela que me satisfez na hora do almoço deste dia.

Estava tão tranquilo esperando as horas passarem sem quase nada na cabeça; mentira, tinha muita coisa na cabeça. Mas você, especialmente você não estava nela, coisa rara nesses últimos dias. Tenho convivido com você constantemente, cansavelmente, mente. Não mentiste em nada, absolutamente nada do que falaste, aliás, o que foi mesmo que falaste?

Recordações, lembranças, loucuras, desamores, dissabores acho que foi isso que vivemos. Vivemos? Vivemos! Algumas horas é bem verdade, de início horas de avaliações, de medições, arquitetura, cálculos milimétricos. Era tudo muito bem pensado, muito bem articulado, tudo programado antes de ser feito, até que o que “não deveria ser feito” se fez, ou melhor, fizemos.

A inebriação da sensação envolveu a todos; uns mais, outros menos, outros muito. Quanto misto de coisas, sensações pode passar em apenas uma fração de segundos em um corpo totalmente mortal e corruptível. Foi inexplicável, há quem explique, mas prefiro não ser explicado.

Nesse dia que parece ser mais um no calendário, nesse quarto escuro você não deveria surgir. Esse momento é tão meu, esse lugar não é tão meu, mas também não é seu. Fica aí no seu país, no seu estado, na sua cidade, na sua casa velha e aconchegante, na sua praia invadindo casas e sendo iluminada pela lua, fica aí nessa sua praça tão movimentada de milhões de milhares de centenas de dezenas de unidades de você, um acompanhamento solitário de todos, que eu sei; ah eu sei que é esse muitas vezes o seu sentimento.

Não a tenho mais. Ela não me pertence mais.
Pertencer? Pertencer! Naquela noite ela era propriedade minha, ela fazia parte de mim, só a mim dizia respeito, eu era merecido dela. Sei que hoje ela tem um outro alguém talvez, que a acorde com cafuné, que a abrace na hora de lavar a louça, que até mesmo a beije logo após o despertar e ao abrir dos olhos. Alguém que a tenha.

Ela não sabe, mas eu a tenho no meu cérebro, nos tecidos, nos ossos, nos músculos, veias e artérias. A tenho em mim. Ela não sabe, mas ela mudou minha vida, me fez sentir como um adolescente, imaturo, inconsequente. Isso foi muito louco.

Como uma borboleta a deixo livre; a tinha nos braços, nas mãos e a deixo escolher. Apenas continuarei cuidando do jardim e das flores, em especial dos jasmins e tulipas que ela tanto gosta, um dia talvez ela volte com a asa quebrada ou não, somente para ser cuidada e lembrada por quem um dia sempre lhe quis bem!

Jefferson Ribeiro

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