Nudez interna

05

Eu devorei teus olhos, teus dentes, tuas coxas, eu passeei pela tua alma, rocei minhas bochechas na tua pouca barba e sorri. Meu caos te engoliu pela manhã, minha solidão matou tua companhia e eu me vejo nua, em qualquer lugar perdido, com um coração insensato e um pulso que só não pulsa menos, porque eu ainda tenho histórias pra contar.

Perdi o jogo sem apostar, moço, perdi a hora de ir embora e acabei sem ter como voltar. Vejo pessoas na rua, olhando minha intimidade exposta em uma nudez interna, em olhos ressacados e vazios, quem me dá as mãos agora? Eu fugi das rotinas, gritei minha liberdade, tropecei em uma pedra e me lembrei que a solidão não guarda um abraço e nem me livra do medo.

Natalia Brandão 

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