Estou pensando em você e quero te ver

08

Estou pensando em você e quero te ver, embora neste horário deva estar aflita, roendo as unhas, com pouca concentração na tela do computador. Admito, preciso de você, só de você, de qualquer jeito. Chateada, fechada ou briguenta. Nem que seja pra compartilhar o silêncio, um cigarro, uma vitamina de morango com sorvete ou uma música do Richard Ashcroft que lembre nós dois. Mas preciso de você. Qualquer você.

Você de doce, implicante, mexendo nas gavetas e reclamando da falta de roupas novas para sair comigo. Ou você alegre, me jogando no sofá como se eu fosse o seu poodle de estimação ou uma almoçada indiana. Sei lá. Invada a minha sala, o meu trabalho, o meu jeans e a minha camisa de botão. Mas, peço que se demore por aqui. Me traga uns beijos na testa, umas mordidas no canto da mão e umas lambidas na cara de quando queria me irritar na frente dos nossos amigos. Se você voltar, traga aquele livro do Manoel de Barros que roubei na Bienal só porque você o queria muito, mas estava muito além do meu orçamento. Sinto falta daquelas poesias. Sinto falta de você naquelas histórias. Sinto falta das nossas loucuras. Sinto falta de você, de mim e de nós.

Vez em quando, proponho a mim te esquecer. Ai, logo após uns segundos, lembro uns risinhos seus e daquelas ajeitadas de cabelo que balançavam meu mundo inteiro e acabando esquecendo o que me propus. Noutros momentos, tenho vontade de te sacudir só para tentar roubar segredos de como conseguiu me esquecer assim tão fácil. Em que médico foi? Qual remédio tomou? É comprimido ou em gotas? Quantas vezes ao dia? Fez quimioterapia? Banho de sal grosso? Sei lá. Vejo o seu sorriso por aí e teus dentes gritam que já não sou mais inquilino do teu corpo. E eu que já te vomitei como um alcoólatra em dia de porre, cada vez mais sinto você aumentando aqui dentro nesta gravidez eterna.

Mas logo mais, quando a noite chegar e o frio chato de Erechim for lhe fazer companhia, você sentirá que precisa mais de mim do que imagina. Vai jurar que não, mas no fundo, no fundo, assumirá a falta que te fiz nos seus dias. Vai dizer de todas as bandas novas que ouviu e pensou em colocar no iPod para ouvir junto comigo. Vai contar sobre as novas cidades que conheceu e sobre os cartões portais que me escreveu, mas não me enviou. Vai relembrar cada gargalhada que deu e que ficou triste logo após notar que não iria me contar o motivo da tua felicidade.

Eu tô com um tanto de novidades. Novos livros. Novos autores. Novos filmes me fazem chorar como uma menininha. Talvez, agora, lendo isso aqui ou perdida entre as vodcas e o novo CD do Angus and Julia Stone, você queira voltar. Volta. E a gente prova ao mundo inteiro que em um segundo de reencontro o nosso amor cura todas as eternas horas afastados.

Hugo Rodrigues

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8 thoughts on “Estou pensando em você e quero te ver

  1. Eu gosto quando ele me olha com aqueles olhos… não sei explicar quais são os olhos, mas são lindos, cheio de admiração e amor, o mais interessante é que consigo sentir absolutamente tudo, apenas com aquele olhar.
    Eu também gosto da maneira que ele passa a mão nos meus cabelos, parece um jeito meio largado, e o mais gostoso é que eu sei que não existe nenhum esforço pra ele levantar a mão e a encostar em mim.
    Tem também aquela risada meio desengonçada e alta, gosto dela tanto que as vezes coloco os dedos na costela dele como uma ameaça de cócegas, e então nesse instante vem o melhor som do mundo e é claro, aquele sorriso que me faz ver estrelas.
    Sou completamente louca por ele, é algo que eu nem consigo definir… falar que é amor parece pouco, porque hoje em dia todo mundo ama todo mundo, e o que eu sinto eu nunca senti por ninguém, então isso não pode ser apenas amor.
    Ou será que pode e isso prova que nunca amei?
    É triste se a resposta pra essa pergunta for sim.
    Mas também é interessante que a resposta seja não, porque isso quer dizer que nunca ninguém habitou o meu coração e ele é morador único dessa parte dentro de mim.
    Gosto muito da maneira com que nós conversamos… na maioria das vezes estamos deitados, ele me olha nos olhos e ficamos contando casos do dia, de repente a gente para, se encara, suspira… e nesse momento eu posso sentir o quanto ele me ama e me deseja.
    Sinto falta dos lábios dele nos meus, ele tem um jeito de me beijar que parece que sabe exatamente o que eu preciso naquele instante, um beijo bem devagarzinho, sentindo cada cantinho da boca dele, ou um beijo feroz, onde eu sinto que sou possuída por inteira por aquela língua macia.
    A falta que ele me faz é tremenda, e parece que toda vez que ele me fala a palavra “tchau”, um pedaço de mim segue com ele o caminho até a rua, mas quando ele se vai esse pedaço não volta, segue com ele na caçamba do carro, e é nesse momento que a dor e o vazio começam e ficam me acompanhando pelo longo dia que tenho pela frente, mas aí ele aparecer de surpresa no fim do dia com uma rosa na mão, e diz que trouxe apenas uma porque estamos economizando para o casamento.
    Amo com toda a certeza, e é maravilhoso poder dizer isso para todos escutarem!

    Alice Barbati

  2. Finalmente atendeste o telefone!!!! Um suspiro traduz o alivio que sinto ao ouvir a tua voz. Quero apenas dizer-te que vou a caminho. Vou chegar umas horas depois do que queria, mas não tenho outra hipótese…
    Quando volto a sentir o vento quente, com cheiro a areia e a mar, no meu rosto, espero por ti… E tu vieste. E tu estás aqui! Abraças-me e beijas-me sofregamente. Sussurras-me ao ouvido que estás cheio de saudades. Que eu sou a melhor prenda de aniversário que poderias ter.
    Sorrio e disfarçadamente choro de plenitude enquanto te arranco a roupa. Definitivamente, fica muito melhor no chão!
    Percorres a minha pele com uma delicadeza feroz! Como se a quisesses rasgar, mas ao mesmo tempo, fosse delicada como seda. Beijas-me com sofreguidão e apertas-me com tamanha força que quase sufoco.
    Sinto-me tão feliz, meu amor! Sou tão feliz aqui! Contigo… O teu cheiro inebria-me. A tua pele na minha faz-me arrepiar, mesmo com 34º!
    Entretanto paras. Por segundos olhas-me nos olhos e sorris. Um sorriso aberto e sincero, como nunca te tinha visto. Então, beijas-me. Desta vez com tanta delicadeza que me fez tremer por dentro. Não consigo descodificar o que me queres dizer e sorrio de volta. Voltas a beijar-me e fazes-me tua.
    Não consigo descrever a torrente de felicidade que flui nas minhas veias. Só consigo sentir que o meu lugar é contigo. È ai ou ali, onde quer que estejas. Porque de uma forma inexplicável, cada bocadinho de mim é teu. Sem nunca o teres pedido, eu entreguei-me sem reservas. Fazes-me feliz só por seres. É do caraças, não é?
    Mas também já sei que vai ter que sair mais tarde porque tens trabalho de manhã cedo e que me vais pedir desculpa por não poderes ficar mais tempo.
    Eu vou passar a minha mão na tua cabeças e vou dizer-te que já sabia que tinhas que trabalhar. Que nos vemos mais tarde.
    E assim vai ser; vais voltar de tarde e vais levar-me a praia e á noite jantas comigo e levas-me a dançar e beber até cair! Ou seja, vais fazer-me feliz, mais uma vez.
    Sabes porque sei isso? Porque seis anos depois ainda me lembro de cada segundo de cada dia contigo.

      1. Olá!

        Só vi agora a resposta! Muito obrigada. Tenho outros textos que se encaixam bem aqui, pois todo este blog vai de encontro á minha história de vida. Se você quiser eu mando mais textos.
        Mais uma vez, obrigada!

      2. Marta, se quiser me enviar ficarei muito feliz em lê-los e poder publicar. Esse espaço aqui é pra compartilhar sentimentos.. Fique a vontade em enviar sempre.

        Obrigada,

        Beijos

      3. Voltei. Não retrocedi, mas voltei. Não nas minhas condições, mas voltei. Não para confirmar o que sinto, mas voltei.

        Eis-me aqui. Despida de mágoas. Nua diante de ti. Sem pudores. Sem reservas.

        Voltei. Não apenas para sentir o calor da tua pele, mas voltei. Não só pelo sabor dos teus beijos, mas voltei.

        Abre os teus olhos e vê: estou aqui. De coração aberto. De respiração acelerada. De pernas bambas.

        Caramba, voltei! Não para te provar alguma coisa, mas voltei. Não para me dar uns momentos de alegria, mas voltei.

        Abre a tua mão esquerda. Agora olha para a palma da mão. Vês esse sinal ai? Mas consegues ver também os outros dois no teu pulso?

        Voltei. Ò Deus meu… voltei. Não para te levar comigo, mas voltei. Não para te provar alguma coisa, mas voltei.

        Jà viste as tuas mãos? Estão lá os sinais, não estão? Da mesma forma que sei que há uma marca num dos teus ombros, uma cicatriz de outros tempos…

        Voltei. Só tinha que voltar. A minha casa és tu. Desde que te conheci que vivo com o meu coração fora do corpo. Deixei-o aos teus pés quando me sorriste pela primeira vez.

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