Ensaio

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Oi, tudo bem? Você tá acordado? Tô com uma vontade de saber de você. Me conta como foi a semana, me conta num email no meio do dia. Acende um cigarro. Se der vontade, me liga. Se puder esticar, alcança uma cerveja. Tenho pensado em você com força e carinho. Sempre desejando que você durma bem pra chegar sorrindo. Sempre te sequestrando da solidão da insônia caso você não tenha sonhos bonitos. Sabe, amor, as coisas estão mudando dentro de mim. Ainda não sei bem explicar o quê. E queria muito que você me escutasse. Me deixa, então, escrever pra você como se minhas palavras tivessem algum efeito essa noite? Me deixa te dizer em fala de sedução sem muita poesia o quanto tua voz rouca me arrepia? Sinto falta de você me abraçar. Mas não os abraços de amigo que nos damos todos os dias. Sinto falta de você me beijar e não são os beijos carinhosos na testa pra me desejar chegar bem em casa. Sinto falta de você me fazer mulher. Me fazer anoitecer no teu peito e amanhecer com teu café. Sinto falta da gente se enroscar, se atracar, se entender. Sinto falta do cheiro da barba, do gosto da saliva, das madrugas estendidas. Mas, mais que isso, sinto falta da possibilidade. Da gente terminar a noite sem saber o que vai acontecer, aonde é que a gente vai dormir – se é que a gente vai dormir. Hoje a gente já sabe o que vai acontecer, não tem mais o mistério da chance da gente se roubar. A gente se despede, sorri e fica aquele nó de coisa que a gente não fez. Sobra as explicações e decisões. Fica o vazio na noite deixando o beijo pra depois, fica cada um em sua cama querendo trocar a insônia por um pouco de carinho. Fica aquele desejo porque a gente morre de medo do que vem por aí. Fica essa vontade que não passa porque a gente não tem coragem de ser um pouquinho mais do que bons amigos. Ficam essas minhas cartas enormes que eu sei que você lê todas. Mas sabe, cansei de me prolongar. Não quero mais me convencer. Não quero mais me segurar. De uma vez por todas, pra um nunca mais somente dessa noite, vou te ligar e não vou dizer nada. Serei breve: vem.

-Oi, tudo bem?
(…)

Larissa Bottas

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