Culpa de dois

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Eu não tenho nenhuma justificativa, meu bem, senão a única a qual aceitei. E me exponho aqui às claras sem nenhuma vergonha em te dizer. Eu fiquei porque escolhi ficar e não porque eu não podia partir. Eu fiquei porque eu quis apostar, quis arriscar, quis pagar pra ver. Fiquei porque o amor que eu tinha sempre foi maior que a necessidade de ir embora.

Fiquei porque preferi acreditar que o tempo constrói ao invés de desistir no meio da empreitada. Preferi não virar às costas e aceitar, do jeito que fosse, o que você podia me dar. E eu poderia, como tantas outras vezes em minha vida, deixar tudo pra trás. Torcer pra que os caminhos se descruzassem nas esquinas onde nos conhecemos tão bem e me abrir para que o destino tratasse de colocar outro amor no teu lugar. Eu poderia, mas eu fiquei, fiquei porque eu te amei, tanto ou nunca como alguém um dia irá; e mesmo com o coração confuso, eu fiquei.

Fiquei porque eu vi que você queria se encontrar. Mas eu não vi que teu excesso de cuidado de me ter sempre por perto era pelo tanto que a gente havia se tornado amigo e, isso, infelizmente, só me foi esclarecido quando você já nem fazia ruídos. Fiquei porque você me fez acreditar que o tanto que eu te amava, um dia você também poderia me amar. Então, não me culpe e não me diga que sou teimosa. Não diga, por favor, que entendi tudo errado quando você mesmo não me deixou partir porque de alguma forma você também tentava.

Larissa Bottas

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