O avesso do avesso

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Ei, vem cá, vem que eu quero muito te dizer algumas coisas dessas que não se dizem corriqueiramente, apesar de minhas palavras soarem como antigas canções de um disco riscado e que você já conhece de cor. Não é estranho como sempre tenho algo a dizer? Não é estranho como minhas palavras não parecem se esgotar? Mas a verdade é que não resisto em escrever sobre você.

Você e teu jeito confuso. Você e tuas cheganças. Você e teu silêncio. Você e tuas partidas. Me parti. Passei dias sonhando acordada, mirabolando um jeito de voltar ao tempo, de ter feito as coisas de um jeito diferente. Não encontrei nenhum. Me entreguei. Te pertubei. Te amei – da forma mais espontânea que eu poderia, respeitando cada sentimento exacerbado que eu sentia. Não resisto em me culpar. Eu e meu exagero de palavras. Eu e minhas explicações. Eu e minha inconstância. Eu e minha insistência em ficar.

Mas você sabe, meu bem. Amor não se mede e queria muito te avisar que o que tem aqui que não acaba não são palavras. O que tem aqui que não acaba é sentimento, apesar de não saber o tamanho. Mas é uma dessas coisas que vira e mexe ganha novas proporções e sinônimos. E vira o avesso do que eu ia dizer. E me vira do avesso.

Larissa Bottas

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