Às vezes o amor demora a bater na gente

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É, meu amigo, eu lhe disse que um dia ela te faria falta. O cheiro de banho, o perfume com cheiro de flor, daquele jeito que você tinha que chegar bem perto do pescoço para sentir. Aquele mesmo que tem a Fernanda que senta na sua frente. Ah, maldita Fernanda.

E as ligacoes inesperadas? Aquela mulher inventava história, né? E você sempre impaciente, ríspido, preocupado com alguma coisa. Que coisa era mesmo? Nem você se lembra mais. Ela pedia sua companhia, seu corpo com o dela só para aquecer. Minutos de atenção naquela cena linda, olha essa cena, e você nem tchum. Em tempos de smartphone, o chat em grupo com os amigos parece mais interessante que filme francês.

Sexta sim, sábado não. Sua confusão deixava a menina louca. Era por você que ela roía tanto as unhas. Você fez promessas e as assinou com todos os seus beijos. Ah, se beijo acertasse as contas no cartório do coração… Você estava lascado, moço.

Triste foi o dia que ela cansou de arrumar a cama em vão e se foi. Te deixou sentado na mesa do bar, pensando em nada, porque você sempre pensava em nada. Doeu em você só depois do primeiro gole.

Semanas depois, doeu ainda mais. Ouvi boatos de que você tem alugado filmes francês e assistido sozinho. É o que dizem por aí.

Não se culpe, cara. Às vezes o amor demora a bater na gente.
Que culpa tem a moça. Foi você que não deixou ela entrar.

Marcella Brafman
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