Coração, dia infinito do mês eterno de 2013.

09
Meu querido…

Escrevo-te essa carta para dizer ‘obrigada’. Obrigada por fazer de mim uma mulher livre outra vez. Por me jogar a verdade óbvia bem embaixo do meu nariz e me fazer enxergar em HD e cores. Graças a você agora eu posso dizer que sosseguei, que posso parar de procurar em outros corpos o calor teu. Porque não te quero mais, e por não te querer, sou livre. Livre para querer amores maiores e melhores que os teus, mais arrebatadores que os teus, que me desnudem corpo e alma.

Engraçado eu ter levado essa história adiante, mas sabe o que é, amor, é que nesse nosso livro – já te disse – arrancaram as últimas páginas. Agora, tempos depois, sei que foi tu o autor da negação do nosso final feliz. Foram tuas mãos que ocultaram a verdade e me deixaram em cima do muro, olhando o horizonte, esperando meu príncipe de espadas em seu cavalo branco. Sabe, é que quando o final é desconhecido, ainda se espera tudo.

E eu esperava tanto, meu bem! Deixa eu te explicar uma coisa: esse papo todo de solidez de muralhas, corações gelados e de pedra, ás vezes, vão tudo por terra. Não que nós, detentores de tal discurso, sejamos mentirosos. É que somos humanos, e queremos acreditar que ainda é possível crer em um novo alguém, em novos olhos que te esquentam a alma – ainda que por segundos – e nesses olhos acabamos querendo pés que nos esquentem no inverno frio que está pra chegar. E aí saímos acreditando, a torto e a direito, como se passasse diante dos nossos olhos o bilhete dourado rumo à felicidade. E, como tontos amantes, saímos caçando, atropelando sinais, dicas, outros amores, outros caminhos… E ao pegarmos o maldito bilhete, descobrimos que é feito daquele papel bem vagabundo, que sai tinta e nos deixa sujos – por dentro e por fora.

‘Príncipe’ é um título que não te cabe mais, querido. Aliás, não cabe nem a mim. Essa fantasia de criança de esperar por alguém doce, prestes a subir no trono e que te carrega no colo floresta adentro ou escadaria acima, não é pra mim. Um príncipe É POUCO pra mim. A uma mulher alfa, um homem alfa. Quero o rei, de barba cheia, passos firmes e fome. Fome de tudo, principalmente de mim.

Com carinho,
Mulher com M maiúsculo (graças a ti)

Marina Oliveira
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