Eu quero estar em casa

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Vai acabar a água, vai acabar o ano,
vai acabar o medo, vai acabar o mundo…

Há sempre um fim e uma infinidade.

E há gente esperando a sorte.
Esperar é incerteza, a sorte é incerteza. E esperar a sorte me parece como elevar a incerteza a potencias que desconheço, desconheço as potencias da espera.

Você falava das mulheres, que enfeitam o cabelo pra esconder as dúvidas, e eu pensava nas minhas dúvidas escancaradas nos meus cabelos bagunçados e nus. Eu deveria me encaixar, mas acho que perdi a hora. Eu tô te inventando e você nunca disse nada sobre as mulheres que enfeitam seus cabelos, acho que foi algo que eu pensei e queria dizer de algum jeito que não fosse o mais objetivo. A minha objetividade é comprometida e deficiente. Distorço por todos os lados e disfarço sem disfarce nenhum, é tudo cru, é tudo nu. Mas finjo que visto, pra vocês fingirem que não vêem, que já trago minha fuga escrachada incontida e agarrada à topetuda vontade de ficar.

O vento não vai acabar, vai?
Se quando acabar o mundo, eu quero estar em casa. A minha casa não tem portas, janelas ou paredes, a minha casa tem vidas e amores. Quiçá sinônimos.

Eu não acabei ainda.

Marianna Ambrósio

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