Contigo, contido

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Guardo. Sinto. Vivo. Sei. Sou. Eu sei, sei do que eu não sei sobre você. Qual é a sua nova roupa preferida? Qual blusa você veste quando sente frio? Para quem você conta o que não conta mais para mim? Em quem você pensa enquanto eu penso em você? O que você pensa quando lembra que eu não te esqueci? Como você ignora por aí saber que eu ainda te sinto por aqui? O que você tem feito da sua vida além de fazer falta na minha? Sei que talvez seja um problema eu me perguntar tudo isto, não só porque eu continuo me perguntando o que você deveria responder, mas, mais do que isso, um problema porque ninguém entende.

As pessoas entendem e até apoiam quando você conta que beijou dez em uma só festa na noite anterior, mas se assustam e te recriminam quando você conta que na noite anterior, e em todas as outras dos últimos anos, você passou pensando em alguém que ama, ama e não tem. Você ouve a todo momento que todo amor tem fim e não sabe se lamenta ou se comemora ser uma exceção. Então você aprende a disfarçar e fingir que passou. Dizendo mil vezes que ama alguém este alguém  passa a te amar também? Dizendo mil vezes que não ama mais alguém este alguém é esquecido? Só sei que ando deixando de dizer muita coisa, pois as pessoas ao meu redor já se cansaram de me ouvir dizer, ainda que eu precise dizer.

Quando a gente não vive um amor a gente precisa falar de amor para não morrer por dentro. E dói tudo que eu não tenho te falado, pois me acharia (mais) louco. Quando o assunto é contigo, contido estou. Sentimentos calados, vontades camufladas enquanto você já tem alguém que te faz se sentir como você me faz.

Para que dizer que eu seria ainda mais feliz se eu pudesse dividir meus dias com você? Seria como dar uma música a quem já possui o CD inteiro. Então, fica o amor guardado. E amar assim é como ser o melhor presente e não ter nunca a oportunidade de ser aberto, cantar a mais linda canção sem ter voz para alguém te ouvir, encontrar todos os sinais verdes e continuar parado por não saber para onde seguir, sentir uma alegria que estranhamente causa um vazio, uma tristeza que traz o desejo por um dia nunca ter conhecido alguém. Você não sabe como é viver tendo que mostrar que você consegue esconder, que o que você sente é não sentir mais nada.  Assim, eu me afasto. Não é engraçado como às vezes a distância pode nos aproximar, estar longe pode te deixar ainda mais perto do que você sente.

É que o que os olhos não vêem o coração projeta em alta definição, fazendo arder tudo que eu tento esquecer. O que guardo é porque o que mais quero não é dizer “eu te amo”, mas é poder afirmar com todas as letras, espaços e a devida pontuação “você me ama!”. É o meu sonho contido, contigo. Guardo você. Sinto saudade. Vivo tentando. Sei não mais saber. Sou um intervalo entre “eu” e “nós”, “só” e “seu”.

Acredite, meu nome é “Espera” e o meu sobrenome é “Sou eu que vai te fazer feliz”. É só chamar.

Ruleandson do Carmo

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