Mulher é poesia com virilha, peitos e boca

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Existem mil formas de eu me apaixonar por uma mulher. Uma delas é quando a pequena está fazendo rabo de cavalo no cabelo enquanto fala e, quando termina, debruça seus cotovelos sobre a mesa, me olha como se nada mágico tivesse acontecido e me pergunta algo clichê como “O que a gente vai jantar hoje?”.

Ou quando a pequena não sabe se ri ou se morde, aí me dá um risinho mordendo a parte de baixo do lábio, sabe? Esse é o problema das mulheres – tudo nelas é apaixonante. Para mim, os cúpidos – aqueles anjos malditos que nos propagam o amor – estão em todos os cantos das mulheres. Nas sobrancelhas finas. Nos narizes pontudos. Nos joelhos lisos. Nos calcanhares machucados. No perfume das nucas. No cheiro das costas. Na gordurinha entre as coxas. Naqueles brincos grandes que só vestem uma orelha. Naqueles shorts jeans que já foram calças e agora passeiam seus fiapos pelas pernas das pequenas. Ou na forma desleixada de sentar quando não estão de saias ou vestidos.

Mulher é um temporal de elogios. Um livro sem fim, mas com capa bonita e perfumada. Mulher é não ter sapatos tendo cento e dois pares no armário. E, ainda por cima, mulher é descobrir que vestido usado uma vez já é uma roupa velha. Mulheres são crises ao meio-dia pelo tempo não passar e desespero às 20h30 por já estar uma hora atrasada.

Mulher é uma poesia com virilhas, peitos e boca. Inspiração para músicas, livros e qualquer manifestação artística. Mulher é a cultura decotada e perfumada. Mulher é a insônia que nos causa por uma briga qualquer e a vontade acordar cedo só para levar o café-da-manhã na cama. A mulher é um conjunto. Um dicionário completo. Mulher é um devaneio perfeito e um paraíso primoroso. A mulher tem em seu sorriso a arma mais poderosa do mundo e em seu colo o centímetro mais caro da Terra – espaço esse que nenhum arranha-céu moderno de Dubai consegue se comparar.

A mulher nasceu para ser dona do mundo. E não me venha com essa história de que Eva foi feita da costela de Adão. A mulher nasceu primeiro. Fez as flores, os jardins e os bichinhos. Depois, sentiu falta de um colo masculino e de alguém para matar os insetos nojentos que surgiram por acaso. Aí sim, houve a necessidade de um companheiro. No dia que a mulher descobrir que possui as rédeas de qualquer relacionamento, os homens terão que fazer muito mais do que piadas irônicas, recitar músicas do Chico Buarque e ter um peitoral confortável para atrair à atenção feminina.

Hugo Rodrigues

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