Declarando seus (d)efeitos

Faço festa quando ele me pega pela mão e rodopia meu corpo inteiro. Quando a nossa música, o seu olhar previsível e aquele sorriso ousado me tiram pra dançar.
Gosto quando me aconselha. Quando fala sério e quando me faz rir. Quando elogia o meu esmalte, a minha escrita e o cheiro do meu cabelo.

Derreto inteira quando mexe na minha boca, pega no meu rosto e fala baixinho  contrastando minha euforia. Quando desarma a minha guarda com a calmaria de quem sabe o que faz.   Mais do que sua mansidão, gosto de sua ousadia. De seu calor. De sua sede de mim. Gosto da sua barba rasa testando a paciência do meu pescoço e da sua mão inquieta rompendo as censuras instaladas por puro charme.

Não gosto quando arruma minha bagunça. Viro fera quando veste a implicância e dá de mexer no meu umbigo, nas minhas unhas e sobrancelhas. E quando abre as janelas reverenciando a luz quando meu corpo ainda pede mais preguiça e o aconchego que o escuro do quarto traz.

Adoro quando quase me convence de que está bravo quando mordo seu braço. E de como sorri me achando doida quando explico que faço isso porque sua pele tem cor e gosto de chocolate.

Morro de tédio quando sou a primeira a acordar e morro de amores quando seus beijos me despertam. Morro de raiva quando debocha do meu ciúme. Quando ignora meus dramas e quando acende seu cigarro. Morro de rir quando inventa músicas e histórias pra colorir minha noite. Quando dança pra mim e quando dança em público.

Sofro saudades quando os quatro travesseiros só abrigam o meu corpo na cama e dormências quando o teu corpo preenche o meu por madrugadas inteiras.

Sinto falta quando longe. Do abraço que me conduz a calmaria. Da piada que corta meus rompantes. Do colo que me acalma pra dormir. Colo que me ajeita, me desacelera, me retém. Colo que contém algum segredo que me faz querer saber: o que é que ele tem?

Não gosto quando vai. Com o olhar triste, com pressa, com briga e cheio de razão. Gosto quando vem. Com planos, novidades e vinho tinto. Com o humor que contagia um quarteirão. Com a fome inevitável dos amantes. Com sua presença singular.

Detesto quando emudece. Quando não cumpre horários. Quando demora pra explicar algo simples. E quando perco sua atenção para o noticiário de esportes na TV.

Amo quando me surpreende com convites e quando embarca em meus devaneios. Quando beija a minha fala, mergulha nos meus olhos e respira o meu perfume.
Amo amar e que me ame sem rodeios. No mais, vivo de narrar nós dois. Faço versos e juras infinitas com o sentir que ele me inspira, não durmo sem seu boa noite e um dia ainda enlouqueço com o bem e a arritmia que ele me dá.

Yohana Sanfer

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