A despedida

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Ninguém quer ser aquela pessoa que diz adeus. Que diz que as coisas estão complicadas demais para que tenham futuro. Que empacota a mobília e bate a porta sem olhar para trás. Que escolhe um caminho sem medo de que o passado volte a assombrar. Que toma decisões sem se arrepender. Eu nunca fui essa pessoa. Você já foi?

Eu sempre fui aquela que deixa a água passar debaixo da ponte. Que espera que as coisas se ajeitem. Que o sorriso volte, que a lágrima seque. Eu sou aquela que engole o problema para não ter que cuspir decepção. Sempre acreditei que o destino fosse se encarregar de trazer o melhor para mim. Sabe, tenho pavor de despedidas. Não consigo dizer adeus com a certeza de que não terei vontade de um reencontro. Eu sou indecisa. Não consigo escolher. E escolher entre um nunca mais e um pra sempre é assustador demais. Só quem já se deparou com essa dúvida sabe como eu me senti.

E o pior de tudo é que essa indecisão me acompanha desde pequena. Não conseguia sequer escolher um sabor de sorvete na sorveteria. Será que gosto mais de morango? Nossa, chocolate é tão gostoso. Nunca experimentei o de creme, será que é o melhor de todos? O problema da indecisão é que ela não nos deixa escolher. Eu não gosto de perder. E as escolhas, bem, as escolhas são renúncias. E eu não sei se consigo renunciar a algo. Quero conhecer e provar todos os sabores para um dia poder escolher o meu preferido.

E foi por isso que eu nunca tive coragem de me despedir de você. Eu não disse aquelas coisas que as pessoas de filme dizem. Não disse o quanto você era incrível e o quanto me doía ter que partir. Eu nunca te disse adeus. Covarde, confesso. Apenas soltei da sua mão e deixei que o vento te levasse pra longe de mim. Ninguém quer ser aquela pessoa que diz adeus. Porque, geralmente, ela é a primeira a se arrepender.

Isabela Freitas

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3 thoughts on “A despedida

  1. Infelizmente, também sou das pessoas que acaba por ouvir o “adeus”… e, muitas das vezes, nem o ouve, mas sim, vê, o afastamento da outra pessoa. É frustrante, porque se vemos as coisas “tremidas”, ficamos na esperança que melhore…

    É horrível.

    Bonito texto! 🙂

    1. Eu sou exatamente o contrario , depois que estremece não tem mais jeito.
      Eu não tenho medo de perder, faz parte da vida.E a gente que escolhe ser feliz.
      Se não esta bom, é melhor escolher entre um e outro.Pra mim pior mesmo é ficar na indecisão .
      Maravilhoso texto.

  2. Eu consigo dizer adeus. Aliás, dizer adeus foi o que me libertou de algo que não me servia mais. Me senti mal no início, quando pensei em por um fim em tudo. Não estava sendo eu egoísta demais? Com o decorrer das semanas e dos dias, vi que não, que foi uma escolha acertada, que pior seria se tivesse ficado tentando remendar uma meia velha já remendada outrora. Precisava descalçar meus pés, jogar fora as meias que já não davam mais. Tentar consertar algo e ser infeliz por medo de se arrepender de alguma decisão tomada? Não, isso já não me domina mais.

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